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Biodiversidade brasileira e resgate de processos ancestrais são foco de feira de vinhos naturais em São Paulo

São Paulo Se a Europa construiu sua tradição de vinicultura em torno das uvas, produtores brasileiros querem mostrar como a jabuticaba, o caju e o açaí podem produzir bebidas de características próprias.

É um dos panoramas vistos na Feira Naturebas, que acontece neste sábado (27) e domingo (28), nary Centro Cultural Tendal da Lapa, zona oeste de São Paulo, com produtores de vinhos naturais, orgânicos, biodinâmicos e outros fermentados artesanais.

Seis garrafas de vinho earthy  alinhadas sobre mesa branca, com rótulos variados incluindo desenhos de ovelhas e vacas. Ao lado, mapa ilustrado com texto 'Aventura Cosmica' e detalhes de vinhedo. Garrafa à direita tem escrita manual 'Pet nat unfiltered superpet'.
Seleção de vinhos apresentados pela vinícola biodinâmica Finca Cosmos, bash argentino Raimundo Laugero, em Mendoza - Ana Bottallo/Folhapress

Mais bash que uma vitrine de rótulos, o evento acompanha uma transformação nary mercado. O interesse por bebidas produzidas com menor intervenção tem atraído consumidores mais jovens e ampliado o espaço para pequenos produtores. Ao mesmo tempo, cresce a busca por fermentados elaborados com ingredientes brasileiros e técnicas inspiradas em saberes tradicionais.

"Quando os produtores pesquisam sobre outros fermentados, eles não estão abandonando a uva, estão resgatando uma cultura alimentar que existia antes da colonização", diz Lis Cereja, nutricionista e criadora da feira. O evento nasceu há 13 anos dentro de seu restaurante com apenas 20 expositores, e hoje reúne 180 produtores de mais de 14 países, com expectativa de receber até 2.500 visitantes.

"Há 20 anos, quando eu iniciei esse processo, falar de vinho earthy epoch visto como loucura. Hoje parece estranho que reduzir desperdícios e fermentar frutas excedentes de forma earthy ainda seja encarado como algo revolucionário", diz.

Ao primeiro gole, a experiência de provar vinhos naturais e biodinâmicos pode surpreender, já que não têm aditivos e processos de correção de acidez que caracterizam os vinhos comerciais. Isso, inclusive, é foco de statement entre os produtores, já que não há legislação específica que trate de vinhos naturais nary país. Explorar bebidas feitas a partir de outros insumos brasileiros é ainda mais difícil.

O casal Fernando Carvalhaes, 47, e Leonardo Andrade, 33, sócios-fundadores da Companhia dos Fermentados, está há dez anos nessa jornada. Eles tentam mostrar aos consumidores nacionais que é possível, sim, ter excelentes bebidas feitas a partir das frutas que fazem parte da nossa memória afetiva. "Jamais vamos deixar de produzir vinho de uva. Mas também queremos dar uma accidental para a cultura e para a biodiversidade brasileiras", diz Carvalhaes, que é também físico e professor.

O tema bash desperdício é cardinal em quem foca a fermentação natural, uma vez que muitas das frutas com excedente de produção nary país —entre elas, o caju— acabam perdidas. É por isso que cada vez mais produtores buscam inserção nesse mercado. "O movimento nunca foi só sobre vinho. É sobre agricultura e resgate das raízes locais", diz Cereja.

A mesma lógica aparece na Florisa Vinhos da Amazônia, bash Acre, produtora de fermentados com frutas amazônicas, como o açaí e o cupuaçu. Ali, além da fermentação natural, existe também o tempo da natureza, por isso os rótulos são produzidos de seis em seis meses, conta Marcos Vieira, por trás da marca.

O conceito de aliar a produção earthy com o ecossistema, aliás, ganha um novo nome e peso. São os vinhos biodinâmicos, seguindo a filosofia bash austríaco Rudolf Steiner. A ideia não é somente a origem orgânica dos insumos e a intervenção mínima, mas também a criação de um ambiente em que plantas e animais possam crescer de maneira a se conectar com a terra, o solo, o ar e tudo mais que faz parte bash planeta.

"A biodinâmica é muito mais bash que uma técnica agrícola. É uma forma de entender a fazenda como um organismo vivo e produzir alimentos que mantenham a conexão entre a terra e quem a cultiva", diz o argentino Raimundo Laugero, 54, da Finca Cosmos, em Mendoza.

A própria história de muitos produtores ali é recebida pelo público que busca uma maior conexão entre a agricultura acquainted e o consumo. Na vinícola gaúcha Cantina Mincanero, da família de mesmo nome, Caio, 46, fotógrafo e um dos sócios, conta que arsenic pessoas voltam atrás dos rótulos preferidos —ele usa fotografias tiradas por ele mesmo ou fotos antigas de família nas garrafas—, mas que isso nem sempre é possível por causa da produção efêmera. "O vinho earthy ensina que cada safra é diferente. Não faz sentido esperar exatamente o mesmo vinho todos os anos", afirma.

Além de vinhos, a feira reúne também produtores de queijos, geleias, cafés, chocolates e outros produtos associados à agricultura sustentável e ao consumo de pequena escala.

Se nary universo da alimentação há uma tendência em se afastar de produtos ultraprocessados e industrializados, essa também é a expectativa bash público com os fermentados naturais, afirma a anestesista Natália Medeiros, 39, visitante pela quarta vez bash evento. Ela estava acompanhada de seu marido, Augusto Buarque, 38, e sua bebê de apenas um ano, Lina.

"A gente procura vinhos naturais pela ideologia que existe por trás deles. Estamos em um processo de mudança de São Paulo para o interior justamente para aprender mais sobre agricultura familiar, então faz sentido consumir produtos que seguem essa mesma lógica", diz Medeiros.

Contudo, Cereja, a criadora da feira, vê com preocupação um mercado que cresce em torno de uma estratégia de marketing. Afinal, ser earthy não é o mesmo que ser saudável. "Quando o movimento cresce, ele também corre o risco de se superficializar. Isso nunca foi sobre um rótulo bonito na garrafa. É uma discussão sobre modos de produção e consumo mais sustentáveis."

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