O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira (1º) e voltou a cumprir sua pena na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negar o pedido da defesa pela prisão domiciliar.
No final da tarde, Bolsonaro deixou o hospital DF Star, onde estava internado desde o último dia 24 para fazer uma cirurgia de hérnia. Ele sofreu com picos de hipertensão e teve crises de soluço —motivo pelo qual foi submetido a três procedimentos cirúrgicos, respectivamente no sábado (27), na segunda (29) e terça (30).
Com a previsão de que Bolsonaro teria alta nesta quinta, a defesa pediu que ele não voltasse para a superintendência da PF devido ao risco de agravamento do caso, o que foi negado por Moraes.
Bolsonaro cumpre pena após ser condenado por liderar uma trama golpista depois da derrota nas eleições de 2022. Ele está preso na sede da PF desde o dia 22 de novembro, após ter violado a tornozeleira eletrônica. Antes disso, cumpria prisão domiciliar.
Em sua decisão, Moraes disse que "diferentemente do alegado pela defesa, não houve agravamento da situação de saúde de Jair Messias Bolsonaro, mas, sim, quadro clínico de melhora dos desconfortos que estava sentido, após a realização das cirurgias eletivas, como apontado no laudo de seus próprios médicos".
"Destaco, ainda, que todas as prescrições médicas indicadas como necessárias na petição da defesa podem ser integralmente realizadas na Superintendência da Polícia Federal, sem qualquer prejuízo à saúde do custodiado, uma vez que, desde o início do cumprimento de pena, foi determinado plantão médico 24 horas por dia; bem como autorizado acesso integral de seus médicos, com os medicamentos necessários, fisioterapeuta e entrega de comida produzida por seus familiares", afirmou o ministro.
Segundo o último boletim médico sobre o estado de saúde de Bolsonaro, divulgado na quarta (31), o resultado da endoscopia revelou a "persistência de esofagite e gastrite".
"[Ele] segue em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, em fisioterapia respiratória, terapia de CPAP noturno [aparelho que ajuda na respiração] e medidas preventivas para trombose", diz o documento.
Bolsonaro recebeu uma série de orientações de autocuidado que terá que seguir, por exemplo, comer de forma mais fracionada e não deitar depois de se alimentar para não ter refluxo. Segundo os médicos, ele seguirá com curativos depois da alta e precisará dispensar atenção especial ao risco de queda em razão do uso do CPAP.
Ainda conforme a equipe, Bolsonaro também pediu, nos dias de internação, para fazer uso de remédios antidepressivos, que passaram a ser administrados pelos médicos durante a permanência dele no hospital.
Na cela da superintendência da PF em que Bolsonaro cumpre a pena não há convívio com outros detentos e há maior conforto do que num presídio. O espaço é um quarto de 12 m², com televisão, ar-condicionado, banheiro privado e uma escrivaninha.
As visitas a Bolsonaro são restritas e precisam ser autorizadas por Moraes previamente, com exceção daquelas feitas pelos médicos e advogados do ex-presidente. Até o momento, Bolsonaro recebeu as visitas de sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e dos filhos Flávio, Carlos e Jair Renan.

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