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Brasil ameaça usar Lei da Reciprocidade após tarifaço dos EUA

Com a soma das duas medidas, os EUA podem acabar taxando alguns produtos brasileiros em até 37,5%. Como justificativa, citaram práticas comerciais "irrazoáveis" do Brasil. Como mostrou o UOL, o governo brasileiro vê, no entanto, foco principal no Pix, citado mais de 20 vezes pelo relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), que sugeriu a nova taxação.

O Brasil também diz estar fazendo sua parte. "Os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo com Chile, União Europeia e Associação Europeia de Livre Comércio, contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições."

É um absurdo tentar associar a competitividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político.
Nota oficial do governo brasileiro

Senador rejeita uso da Lei da Reciprocidade para retaliação. O presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou ontem que o Brasil não deve recorrer de imediato à legislação para responder à proposta de taxação de 25% dos Estados Unidos, divulgada ontem. Segundo ele, o governo Lula (PT) deve priorizar o diálogo antes de qualquer escalada nas tensões entre os dois países.

Dentro do governo, a manobra é vista como uma "substituição" para a taxação de 10% anunciada globalmente no ano passado. Interlocutores pontuam que, como publicamente ninguém se colocaria contra investimentos que coíbam trabalho forçado, acaba sendo uma "desculpa" para que os norte-americanos apliquem tarifas injustificadas.

O Planalto se diz disposto a negociar. "O Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil segue à disposição para continuar a histórica e ativa cooperação com o Departamento de Trabalho dos EUA, em estreita coordenação com parceiros sindicais e a OIT, para responder aos desafios enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras ao redor do mundo."

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