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Brics termina reunião sem declaração conjunta, expondo divisões sobre guerra no Oriente Médio

O principal impasse envolveu o posicionamento sobre o conflito no Oriente Médio. Segundo autoridades iranianas, Teerã pressionou para que o Brics condenasse os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O país também acusou os Emirados Árabes Unidos, aliados dos americanos, de participação direta em operações militares.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã lançou ataques com mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos em diversas ocasiões.

“Houve opiniões divergentes entre alguns membros em relação à situação na região do Oriente Médio e da Ásia Ocidental”, afirmou o governo da Índia no comunicado final da presidência do grupo.

Sem citar diretamente os Emirados Árabes Unidos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que um integrante do Brics vetou trechos da declaração conjunta.

“Não temos dificuldades com esse país em particular; eles não foram nosso alvo na guerra atual. Atacamos apenas bases e instalações militares americanas que, infelizmente, estão em território deles”, declarou o chanceler iraniano durante entrevista coletiva.

Araqchi disse ainda esperar que o tema avance na próxima cúpula do Brics, prevista para este ano.

“Espero que, quando chegarmos à cúpula, eles cheguem a um bom entendimento de que o Irã é um vizinho, que temos que conviver, que convivemos há séculos e que continuaremos a conviver pelos séculos que virão”, afirmou.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

A nota divulgada pela Índia informou que os integrantes do bloco apresentaram diferentes posições nacionais sobre o conflito. Segundo o comunicado, os países defenderam desde uma solução rápida para a crise até a necessidade de respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados.

O texto também destacou a importância de garantir a segurança do comércio marítimo internacional e proteger infraestruturas e civis em áreas afetadas pelos conflitos.

Na declaração, os ministros do Brics afirmaram que a Faixa de Gaza é “parte inseparável do Território Palestino Ocupado”. O grupo também defendeu a unificação da Cisjordânia e de Gaza sob a Autoridade Palestina e reafirmou o direito dos palestinos à autodeterminação e à criação de um Estado independente.

Segundo a Índia, um dos integrantes do bloco apresentou ressalvas a trechos da seção sobre Gaza, mas o país não foi identificado.

Como presidente do Brics em 2026, a Índia também afirmou que os países defenderam maior união entre as nações em desenvolvimento diante dos desafios globais.

“O Sul Global é um motor de mudanças positivas”, destacou o comunicado.

A nota menciona ainda desafios como tensões geopolíticas, dificuldades econômicas, mudanças tecnológicas, medidas protecionistas e pressão migratória.

O Brics é formado atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Etiópia, Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos.

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