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Bruno Espião é ilegal? Entenda o que a lei diz sobre o aplicativo

O Bruno Espião é um aplicativo de monitoramento que promete acesso a mensagens, ligações, localização e outras informações, sem que o dono do aparelho perceba. Apesar de ser apresentado no site oficial como uma ferramenta para pais acompanharem o uso que filhos menores fazem do celular, o software levanta sérias discussões jurídicas. Isso porque, na prática, também pode ser usado para vigiar cônjuges, colegas de trabalho ou qualquer outra pessoa, de forma totalmente clandestina. Essa possibilidade desperta dúvidas importantes: afinal, usar o Bruno Espião é permitido ou configura crime no Brasil?

A resposta envolve entender o que o serviço vende e o que a lei brasileira estabelece sobre invasão de dispositivos. Enquanto os criadores do Bruno Espião afirmam que o programa é legal em situações específicas, a lei brasileira estabelece que o uso sem autorização pode enquadrar-se como crime e entender essa linha tênue é essencial. Nas linhas a seguir, saiba mais sobre o Bruno Espião, entenda até que ponto o uso da plataforma é legal e veja, ainda, alguns sinais que ajudam a identificar a presença de spywares no celular e como fazer para removê-los.

 Mariana Saguias/TechTudo App Bruno Espião permite monitorar dispositivos remotamente, de forma silenciosa; uso indevido pode configurar crime — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Bruno Espião é ilegal? Entenda o que a lei diz sobre o aplicativo

  1. O que é o Bruno Espião?
  2. Usar Bruno Espião é crime?
  3. Como saber se estou sendo monitorado pelo Bruno Espião?
  4. O que fazer se eu estiver sendo espionado?

O Bruno Espião é um aplicativo criado para monitoramento remoto de dispositivos, principalmente celulares. A proposta do programa é permitir que alguém acompanhe as atividades de outro aparelho “à distância”, sem ser percebido. A plataforma costuma ser usada para “espiar” redes sociais, mensagens, localização, microfone, câmera, histórico de navegação e outras informações que deveriam se manter privadas. Ele é vendido como uma solução para que pais acompanhem o que seus filhos têm feito na web ou até mesmo para que empresas tenham mais controle acerca de aparelhos corporativos.

O problema, contudo, começa quando o software passa a ser usado para vigiar parceiros amorosos, amigos e até mesmo pessoas desconhecidas, sem o consentimento das mesmas e por motivos como curiosidade, ciúmes ou até para roubar dados pessoais. Como ele opera de forma invisível, a desconfiança sobre o monitoramento pode surgir somente após meses ou anos. Em situações mais críticas, a pessoa vigiada pode nunca ficar sabendo da invasão.

Vale destacar que o app tem compatibilidade principalmente com celulares Android, visto que o sistema é mais flexível quanto à instalação de plataformas fora da loja oficial, a Google Play Store. Já no iPhone, o download só pode ser feito via jailbreak, procedimento que rompe as restrições impostas pela Apple.

 Reprodução/Mariana Tralback Site oficial do aplicativo Bruno Espião — Foto: Reprodução/Mariana Tralback

Usar Bruno Espião é crime?

O site oficial do Bruno Espião apresenta diferentes situações nas quais o uso da plataforma é legal: para monitorar o(a) companheiro(a), com autorização; para “espionar” os filhos, se eles são menores de idade e você é o responsável legal por eles; para conferir as atividades de funcionários, caso você seja o titular das linhas e tenha em mãos um termo de concordância por escrito. Apesar de esclarecer tais pontos, os próprios desenvolvedores reconhecem que instalar o programa em aparelhos de terceiros sem licença configura invasão de privacidade e pode gerar responsabilização legal. Ou seja, tudo que for feito sem consentimento é considerado crime.

Do ponto de vista jurídico, a legislação brasileira é clara: o artigo 154-A do Código Penal tipifica como crime a invasão de dispositivo informático sem autorização. A pena varia de três meses a um ano de detenção, além de multa, que poderá ser mais alta em casos de divulgação das informações obtidas. Portanto, ainda que a plataforma seja anunciada na legalidade, ela pode se tornar uma ferramenta criminosa. Vale destacar que nenhum tipo de justificativa poderá ser usada para vigiar alguém sem consentimento.

Como saber se estou sendo monitorado pelo Bruno Espião?

Aplicativos espiões, como o Bruno Espião e outros softwares de monitoramento, costumam agir discretamente. Eles são instalados silenciosamente e, por isso, muitas vezes permanecem invisíveis para o usuário. No entanto, existem sinais que podem indicar a presença desse tipo de ameaça no celular. Um dos primeiros indícios é a lentidão repentina do sistema, mesmo em aparelhos novos e com um bom processamento. Outro ponto de atenção é o consumo excessivo de bateria ou de dados móveis, já que os apps espiões precisam enviar informações constantemente para servidores externos — ou seja, eles drenam a energia e a internet do telefone.

Além disso, travamentos frequentes, aquecimento fora do normal e a aparição de aplicativos desconhecidos na lista de serviços instalados também são alerta importantes. A tela também pode ligar sozinha e o microfone do dispositivo pode ser ativado sem motivo aparente. Embora, isoladamente, nenhum dos problemas citados seja uma prova definitiva de espionagem, a soma de mais de um deles deve ser considerada um sinal de alerta.

 Reprodução/Getty Images Lentidão, travamentos e superaquecimento do celular podem indicar que o celular está sendo espionado — Foto: Reprodução/Getty Images

O que fazer se eu estiver sendo espionado?

Se houver uma suspeita, ou confirmação de que um aplicativo espião está instalado no seu celular, você deve ser agir rapidamente para remover o software malicioso. Uma das formas mais eficazes de eliminar esse tipo de ameaça é restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Esse procedimento apaga todos os dados e aplicativos do aparelho, garantindo que o spyware seja removido. É imprescindível que, antes do procedimento, você faça backup de todos os seus arquivos para não perdê-los definitivamente.

Além disso, mantenha o sistema operacional sempre atualizado. Isso porque as versões mais recentes do Android e do iOS costumam corrigir falhas de segurança que podem ser exploradas por aplicativos espiões. Também é possível remover spywares manualmente. Nesse caso, o ideal é abrir o menu de aplicativos do celular e revisar a lista completa. Caso identifique algum app desconhecido, que não tenha sido instalado por você, basta desinstalá-lo.

Após concluir a verificação e exclusão, reinicie o dispositivo para garantir que o processo seja finalizado corretamente. Após realizar todos os procedimentos para a exclusão do problema, certifique-se de alterar todas as suas senhas (de redes sociais, bancos ou qualquer outra plataforma importante) e de ativar a autenticação em dois fatores para evitar acessos não autorizados.

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