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Candidatura do PSD à Presidência esbarra em palanques estaduais divergentes

O PSD tem três governadores como pré-candidatos ao Palácio do Planalto, mas pode chegar ao período eleitoral sem um palanque para a disputa presidencial nos dois principais estados disputados pelo partido, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Os territórios correspondem ao segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país e, juntos, somam mais de 28 milhões de eleitores aptos a votar.

Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (PSD), que deve assumir o cargo de Romeu Zema (Novo) em março, já afirmou que irá apoiar o atual chefe do Executivo estadual na corrida presidencial.

"O presidente [do partido, Gilberto] Kassab foi muito claro. Em Minas Gerais, o palanque é do governador Romeu Zema, é assim que nós caminharemos", disse o vice-governador em evento de filiação ao PSD, em outubro passado.

Simões, que deixou o Novo, é pré-candidato para a sucessão de Zema no Palácio Tiradentes e conta com o apoio do governador.

No Rio, o prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) é outro que deve concorrer ao governo estadual e já prometeu o palanque a um candidato de fora de seu partido.

"A minha decisão é a de apoiar a candidatura do presidente Lula [PT] à Presidência da República, isso nunca teve dúvida", disse o prefeito na ocasião em que anunciou a pré-candidatura ao Governo do Rio.

O PSD é hoje o partido no país que conta com o maior número de governadores, cinco no total.

Três deles, Ratinho Jr. (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO) –que anunciou sua filiação nesta semana– são cotados à disputa presidencial.

Os outros dois governadores da legenda são Fábio Mitidieri (SE) e Raquel Lyra (PE), que devem concorrer à reeleição em seus estados. O primeiro tem declarado que irá apoiar a recondução de Lula ao Planalto.

"Tem uma possibilidade real de aliança com o presidente Lula, que foi conversada comigo pelo próprio presidente. Eu me disponibilizei, mas precisava ter essa conversa com o Kassab, e ele entendeu, até porque o Brasil é um país continental, tem realidades distintas", disse Mitidieri em entrevista na semana passada ao Fato Sergipe.

Já Raquel não deve pedir voto de maneira explícita para o petista, já que ele tende a apoiar o prefeito de Recife, João Campos (PSB), ao governo pernambucano.

Na última visita de Lula ao estado, em dezembro, a governadora foi vaiada pela militância aliada ao presidente.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 33 milhões de eleitores aptos, o PSD é da base do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), do qual o próprio Kassab é titular da Secretaria de Governo.

Isso, porém, também não deve garantir o palanque do governador a uma eventual candidatura nacional do PSD.

Tarcísio reforçou nesta quinta (29) o apoio à pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência após um encontro que teve com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado em Brasília.

A ambiguidade característica do PSD, que agrega apoiadores e opositores do governo Lula sob uma mesma legenda, levantou questionamentos no mundo político sobre uma eventual desistência futura do partido.

Em entrevista à Folha, Kassab negou a possibilidade.

"Nessa é diferente. Não estamos indo buscar candidato, temos três que querem ser. Governadores muito bem avaliados, com oito anos de mandato nas costas. E tudo por iniciativa deles, não foi algo do partido. Aquele que estiver em melhores condições será o candidato, definiremos em abril", afirmou.

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