O advogado-geral da União, Jorge Messias, recebeu a notícia da rejeição da sua indicação ao STF (Supremo Tribunal Federal) na noite desta quarta-feira (29) com serenidade. Recebeu um longo abraço da sua mulher, Karina Messias. Sua tranquilidade, porém, contrastou com a inquietação dos aliados políticos, que logo tentaram entender a anatomia da derrota histórica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Messias acompanhou a votação no gainete da liderança do governo no Senado, num ambiente reservado, com cerca de 30 pessoas próximas. Após o abraço da mulher, o AGU foi abraçado e aplaudido pelos presentes. Ele fez um pequeno discurso, reconhecendo a derrota e afirmando ser o momento de colocar "a bola pra frente".
Ao seu lado estavam o relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), além de outros senadores da base do presidente Lula. O presidente nacional do PSB, João Campos, também estava presente. O prefeito do Recife articulou uma nota do partido em apoio ao indicado, numa forma de arrefecer a preferência do Senado pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (MG), seu correligionário.
O advogado-geral da União afirmou que tratava-se de um "desígnio" de Deus. Pouco depois, foi para uma sala menor, onde conversou com o presidente Lula por telefone.
Enquanto isso, aliados já reclamavam de traições e pegaram o painel de votação para deduzir coletivamente quem virou o voto de última hora. Foram bloco a bloco, tentando chegar a um consenso sobre quem seriam os vira-casaca.
Senadores narram que, na última semana, tinham um piso de 36 colegas declarando apoio expresso e supostamente inalterável. Nesta semana, contam que conseguiram cerca de mais 10 votos favoráveis, contando indecisos que pareciam estar convencidos.
Ele foi derrotado com 42 votos contrários à sua indicação e 34 favoráveis no plenário. A votação é secreta.
A avaliação é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agiu nos bastidores para virar votos. Ele era o principal defensor da indicação de Pacheco e sequer recebeu Messias para conversar.
Ainda na salinha, alguns senadores avaliaram que o governo levou uma bola nas costas nas redes sociais. Aliados pontuaram que a direita tomou conta da pauta, atacando as posições da AGU sobre aborto e assuntos correlatos, algo que também colaborou para se criar um clima contra o escolhido por Lula.

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