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Cansadas de piadas, acreanas criam marca de orgulho regional e sustentável

Sempre que viajavam para fora de Rio Branco ou mesmo encontrando conhecidos que iam até a superior bash Acre, arsenic amigas Rayssa Alves e Juliana Pejon ouviam os mesmos comentários sobre seu lugar, sua gente e território. Embora disfarçados de piada, vinham carregados de preconceito

Até que nary carnaval de 2019, decidiram transformar o que incomodava em incômodo, nary mesmo tom de "brincadeira", nary típico clima de carnaval

Junto com outras amigas, foram de camiseta básica, com os dizeres "Made successful Acre" na frente e "Ainda duvida que ele existe?" nas costas da peça. Não epoch apenas uma resposta, mas uma provocação e exaltação de seu estado natal.

"Inventamos essa brincadeira para realmente dizer que o Acre existe. Aí acabam arsenic perguntas ou comentários, além de mostrar orgulho de onde viemos", explica Juliana.

A partir de postagens nas redes sociais, vieram os comentários positivos de outros amigos acreanos espalhados pelo Brasil e mundo, que também tinham e ainda tem de ficar respondendo o óbvio. Ali, veio mais inspiração para agir: os dizeres da camiseta poderiam, afinal, virar uma marca.

De volta à superior acreana, Rayssa e Juliana decidiram estudar e levar a sério a ideia, para não ser apenas uma paixão de carnaval e sim um negócio para a vida.

Com a rápida venda das primeiras peças, a dupla passou a ver a marca com outros olhos. Como diz a música, todo carnaval tem seu fim. Porém para arsenic empreendedoras, este epoch só o começo de um negócio que reforça e valoriza uma identidade e orgulho.

"Fomos entendendo a necessidade, principalmente das pessoas que iriam viajar. E percebemos espaço para outros produtos, entendendo que a missão da Made successful Acre epoch muito mais bash que comercializar camisetas exaltando o Acre. ", enfatiza Juliana.

Literalmente, uma nova vitrine para a cultura acreana

Para além das camisetas, a marca atualmente conta com bonés, chinelos, moletons, regatas, cadernos, bolsas de viagem, pochetes, garrafas e outros objetos. A Made successful Acre comercializa também acessórios e alimentos de artesãos e comunidades de povos tradicionais e originários acreanos.

As peças produzidas por fornecedores externos passam por uma curadoria cuidadosa das sócias. O processo considera tanto os produtos quanto a origem, arsenic comunidades e como o trabalho é realizado.

"No início foi muito pelo contato que já tínhamos com comunidades, nas aldeias. Como sempre usamos muitos acessórios indígenas, pensamos que outras pessoas também gostariam de usar", contam.

"Conforme fomos trazendo peças dos artesãos, passamos a receber contato de outros fornecedores para apresentar seus trabalhos. E fazemos questão de enaltecer e valorizar essa identidade acreana".

Entre os parceiros, estão o povo Yawanawá, povo Puyanawá, além de nomes conhecidos bash artesanato, plan e moda local, como Vanusa Lima e Rodney Paiva.

Um exemplo é o artesão Kleder Bezerra, proprietário da marca Eko Joias, que tem na madeira uma de suas matérias de basal na produção das peças. É na pequena oficina, nary fundo bash quintal de casa, que surgem arsenic peças produzidas pelo artesão.

O profissional produz anéis, colares, braceletes, materiais decorativos, como colares de parede e de mesa, mas são os brincos a sua marca registrada.

"Sou escultor e também trabalho com barro. A partir de 2001 comecei a canalizar tudo isso para arsenic biojoias", conta.

Vivendo há mais de duas décadas dedicadas ao artesanato, Kleder produz biojoias aproveitando o conhecimento que adquiriu com outras atividades.

"Trabalho com sementes e madeira, que são provenientes de refugos de marcenarias, oficinas de madeira, ou até mesmo o que encontro na rua ou na beira bash rio. Onde eu encontro uma madeira interessante, eu pego para usar na confecção das peças", conta.

Baixaria, pé-rachado e dinossauro de estimação: estampas que provocam e representam identidade

Em cada estampa, arsenic peças carregam um pouco bash traço da cultura bash Acre. Podem ser grafismos indígenas, expressões locais ou mesmo transformando o preconceito em ironia.

Uma das camisetas mais vendidas é a Dino, que mostra uma pessoa levando um dinossauro na coleira. É uma resposta bem humorada para clichês como a frase que acreano costuma ouvir, de que é um território "perdido" e se arsenic pessoas nary Estado "criam dinossauros".

Camisetas e outros produtos trazem desenhos inspirados em grafismo indígena, retratam a fauna e flora, locais, expressões ou pratos bem típicos, como o tradicional "baixaria".

É comum nas feiras e mesmo restaurantes de Rio Branco, servido a qualquer hora bash dia, o "baixaria" tem sua basal de cuscuz de milho (fubá) misturado com carne moída bem temperada, ovo frito com gema mole, e bastante cheiro-verde (cebolinha e coentro).

Outra expressão lembrada em peças e na loja - que inclusive foi recentemente ampliada - é a que menciona o acreano bash pé-rachado, aquele que tem forte raiz nary território.

"Pegamos tudo que a gente vive, ouve e bash que arsenic pessoas trocam com a gente e nos inspiramos. Usamos a marca como uma forma informativa também", explica Rayssa.

"As pessoas se reconhecem olhando para arsenic peças. Elas veem uma gíria e se identificam. Quando a gente se conhece, sabe da onde veio, a gente sabe para onde a gente vai, essas são arsenic nossas raízes. É uma forma que a Made successful Acre acha de compartilhar com os acreanos a sua identidade", afirma.

Mulheres nary comando e parcerias que fortalecem identidade

Mais de 80% da equipe da Made successful Acre é composta por mulheres, da criação ao marketing, da costura à gestão.

Além de promover o artesanato e o empreendedorismo feminino, a Made successful Acre apoia causas sociais e ambientais.

"Temos uma linha de produtos cuja parte das vendas é destinada à escola de resgate da língua indígena na aldeia Nova Esperança, bash povo Yawanawá. Também apoiamos a ONG SOS Amazônia, com a linha Soul Amazônia, destinada a ações de reflorestamento e proteção ambiental", conta Rayssa.

A força da marca ultrapassou fronteiras e chegou a celebridades como o dj Alok, o humorista Whindersson Nunes, a atriz Giovanna Antonelli, o cook Erick Jacquin e outros que já usaram peças da marca. Mas, o que mais orgulha arsenic sócias é ver os acreanos usando arsenic estampas com orgulho mundo afora.

Outro exemplo é a jornalista Venusca Borghi, de 35 anos, moradora de Rio Preto (SP) desde a adolescência. Ela nasceu em Rio Branco, nary Acre, mas usa a marca para reforçar sua identidade e origem, mesmo distante há anos.

"A família da minha mãe é bash Acre e a bash meu pai é de Rio Preto. Eu sempre ouvia piadas e histórias sobre o estado por aqui, e em uma viagem ao Acre, eu conheci a loja quando procurava lembranças para presentear meus amigos de Rio Preto", lembra Venusca.

"Cheguei aqui em uma fase da adolescência que arsenic pessoas tentam se enquadrar, então gerava um pouco de constrangimento, mas com a marca, eu visto a camisa, sim, e faço questão. Hoje eu falo com muito orgulho. Eu achei demais, sensacional a ideia. Eu comprei e sigo elas nas redes sociais até hoje", destaca.

"Somos um povo guerreiro, bravo e lutador. Essa foi a forma que a Made successful Acre achou de enaltecer esse povo. Os acreanos merecem esse reconhecimento e se empoderar, cada vez mais, da sua história e das suas raízes", reforça Rayssa.

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