8 meses atrás 17

Celular tem até 10x mais bactérias que um vaso sanitário; saiba limpar

Os celulares podem parecer inofensivos, mas carregam um risco invisível. Estudos recentes mostram que esses dispositivos podem ter até 10 vezes mais bactérias do que um vaso sanitário. Por estar sempre em contato com mãos, rosto e superfícies diversas – muitas vezes sujas –, o aparelho se torna um ambiente propício à proliferação de germes. Entre os microrganismos mais comuns estão E. coli, Staphylococcus aureus e Salmonella, capazes de causar infecções sérias em grupos vulneráveis.

Nas linhas a seguir, o TechTudo aborda por que o celular se transforma em um vetor silencioso de contaminação, os hábitos que agravam o problema e como evitá-los no dia a dia. Também será explicado quais os riscos à saúde, como se proteger e as formas corretas de higienização, com base em recomendações de especialistas e de fabricantes como Apple e Samsung. Confira.

Navegador celular/usando internet no celular — Foto: Arsyad Basyarudin/Unsplash Navegador celular/usando internet no celular — Foto: Arsyad Basyarudin/Unsplash

Mais de 17 mil genes bacterianos

Os celulares se tornaram uma extensão de nossos corpos e estão presente em nossa rotina, quase que 100% do tempo. Por mais inofensivo que pareça, esse dispositivo pode ser um dos objetos mais sujos que utilizamos — e a comparação é chocante: um celular pode acumular até 10 vezes mais bactérias do que um vaso sanitário.

Estudos de diversas universidades ao redor do mundo, como a University of Arizona e a University of Michigan, confirmam que esse pequeno dispositivo, presente em todos os momentos da rotina, é um verdadeiro vetor de microrganismos, incluindo alguns capazes de causar infecções sérias.

 Reprodução/Pexels/Edward Jenner Imagem ilustrativa de um cultivo de colônica de bactéria em uma placa de Petri — Foto: Reprodução/Pexels/Edward Jenner

Segundo pesquisa publicada na Time Magazine, os norte-americanos verificam seus celulares cerca de 47 vezes por dia, o que representa dezenas de oportunidades para que microrganismos passem das mãos para o aparelho. O calor gerado pelo uso constante, aliado à oleosidade da pele e ao contato com superfícies contaminadas — como mãos sujas, rosto, corrimãos e banheiros — cria um ambiente ideal para a proliferação de germes. Um levantamento feito com celulares de estudantes do ensino médio norte-americano revelou a presença de mais de 17 mil genes bacterianos nos aparelhos.

Um vetor de germes que você carrega no bolso

Diferente de outras superfícies que costumamos limpar com frequência, como bancadas ou mesas, o celular raramente entra na rotina de higienização. Ele é levado à cozinha, ao transporte público, à cama e, em muitos casos, ao banheiro, local onde o risco de contaminação por E. coli e outras bactérias fecais é altíssimo. De acordo com a microbiologista Susan Whittier, da Universidade Columbia, ao levar o celular ao banheiro, o usuário está basicamente levando consigo partículas que seriam evitadas ao simplesmente lavar as mãos.

 Reprodução/Pexels/Miriam Alonso Imagem ilustrativa de uma personagem usando o celular no banheiro — Foto: Reprodução/Pexels/Miriam Alonso

O infectologista Dr. Ruan Fernandes, do Hospital Brasil (Rede D’Or São Luiz), reforça essa preocupação ao explicar:

O celular funciona como se fosse uma extensão da nossa mão. Sendo a extensão da nossa mão, ele acaba acumulando uma grande quantidade de microorganismos. A mão é o local do nosso corpo onde a gente toca as superfícies, por isso acaba sendo o vetor, o veículo que carreia um determinado microorganismo que está numa maçaneta, que está na porta, que está numa bancada para outros objetos móveis, por exemplo, o próprio celular.”

— Dr. Ruan Fernandes

Os riscos à saúde são reais

Embora muitas bactérias presentes em celulares não causem riscos imediatos a pessoas saudáveis, os perigos aumentam entre grupos vulneráveis, como crianças, idosos e imunossuprimidos. Microrganismos como Staphylococcus aureus, E. coli, Salmonella, Pseudomonas e a cepa MRSA podem causar infecções gastrointestinais, respiratórias e até hospitalares. Nessas pessoas, quadros leves podem evoluir com complicações. A falta de higiene do aparelho se torna, assim, um fator agravante para a saúde pública.

 Divulgação/Ndemic Creations Em Plague Inc., objetivo é criar uma doença que tome conta do mundo — Foto: Divulgação/Ndemic Creations

Para o Dr. Ruan, as principais doenças a serem transmitidas por contato são as doenças respiratórias e gastrointestinais. Dentro desse cenário, não higienizar as mão adequadamente após tocar superfícies contaminadas é um risco, principalmente para crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas.

Idosos, as crianças menores e as pessoas que são imunossuprimidas [...] são sujeitas a evoluções mais graves. [...] Os grupos que estão mais suscetíveis [...] deveriam ter um cuidado ainda mais intenso com o celular.”

— Dr Ruan Fernandes

Maus hábitos que intensificam a sujeira

Alguns hábitos cotidianos aumentam o acúmulo de sujeira nos celulares. Levar o aparelho ao banheiro e deixá-lo sobre o vaso ou a pia o expõe a bactérias fecais, como a E. coli. Usar o celular durante as refeições ou dormir com ele na cama também favorece a contaminação por calor, suor e resíduos. O hábito de emprestar o celular a outras pessoas amplia ainda mais o contato com microrganismos.

 Reprodução/Blue Bird Imagem ilustrativa de um usuário almoçando enquanto mexe com o celular — Foto: Reprodução/Blue Bird

Segundo o Dr. Ruan Fernandes, o banheiro é um ambiente de risco elevado: “sobretudo quando se usa a descarga com tampa aberta, você tem o risco de aerossolizar bactérias que estão no vaso sanitário”. Ele alerta ainda que “as bactérias não voam, a não ser que elas sejam aerossolizadas por algum motivo, como eu comentei das descargas. [...] E ao você manusear, por exemplo, as suas mucosas, você tem risco de ser infectado por esse microorganismo”.

Como higienizar o celular corretamente

Apesar do risco, limpar o celular é mais simples do que parece, e pode ser feito com segurança se respeitadas as recomendações dos próprios fabricantes. A Apple recomenda o uso de lenços com álcool isopropílico a 70% ou álcool etílico a 75%, aplicados em um pano de microfibra macio e sem fiapos.

A limpeza deve ser feita suavemente nas superfícies externas, evitando molhar entradas como a do carregador ou alto-falantes. Produtos com cloro, alvejantes ou peróxido de hidrogênio devem ser evitados, pois podem danificar o revestimento do aparelho. A Samsung segue recomendações semelhantes, sugerindo ainda o uso de panos umedecidos em água destilada para limpezas mais leves.

 Reprodução/Freepik Álcool isopropílico para limpar tela de celular — Foto: Reprodução/Freepik

O ideal é utilizar um pano de microfibra, por exemplo, com álcool 70%. O álcool evapora rápido e não danifica esse componente. E ao mesmo tempo é eficaz em fazer a limpeza — faz movimentos circulares, deixa evaporar naturalmente e isso é eficaz em fazer a limpeza de superfícies de forma geral, inclusive o celular”, orienta Dr. Ruan.

— Dr. Ruan Fernandes

O infectologista ainda reforça a importância de sempre tirar as capinhas de plástico e silicone, e fazer uma boa higienização, porque elas sempre acabam acumulando resíduos.

Com que frequência devo limpar?

A microbiologista Emily Martin, da Universidade de Michigan, explica que uma limpeza semanal já faz grande diferença, mas a frequência ideal depende do uso: se o aparelho vai com o usuário ao banheiro, transporte público ou locais com grande circulação de pessoas, a limpeza deve ser feita com mais regularidade, até mesmo diariamente.

 Reprodução/Katarina Bandeira Como limpar a entrada do carregador do celular — Foto: Reprodução/Katarina Bandeira

Além disso, manter as mãos limpas e evitar usar o celular em ambientes críticos, como banheiros e cozinhas, são medidas simples que reduzem drasticamente os riscos de contaminação.

De modo geral, o celular pode não parecer perigoso à primeira vista, mas os estudos deixam claro: ele é um dos objetos mais contaminados do cotidiano. Adotar hábitos de higiene e limpeza, tanto das mãos quanto do próprio aparelho, é uma medida básica de autocuidado e proteção coletiva — especialmente em tempos em que a prevenção de doenças é prioridade.

Se a higienização do dispositivo nunca foi um tópico a ser considerado em seu dia a dia, pense em adotar o hábito diário de limpá-lo sempre após ir ao banheiro, academia, utilizar o transporte público, ou até mesmo após apoiá-lo sobre qualquer superfície. Afinal, ele pode estar mais sujo do que se imagina.

Veja também: Como limpar capinha de celular transparente? TESTAMOS 3 FORMAS!

Como limpar capinha de celular transparente? TESTAMOS 3 FORMAS!

Como limpar capinha de celular transparente? TESTAMOS 3 FORMAS!

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro