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Celulares fiscalizados e medo de ser preso: venezuelanos relatam incerteza após captura de Maduro pelos EUA

Vários deles preferiram não dar declarações, mesmo com anonimato garantido, por medo de retaliações. Os três que aceitaram falar pediram para ter a identidade preservada. Para manter o sigilo, o g1 usou nomes fictícios nesta reportagem.

'Vou apagar imediatamente'

"As pessoas não podem ter nada contra o governo... Mensagens, figurinhas, vídeos que demonstrem a 'celebração' da captura de Maduro. Gostaria muito de poder te ajudar, mas há muita perseguição. Somos presos por tudo e por nada", lamenta Maria (*nome fictício) .

Por causa da fiscalização policial, todos apagaram o histórico de mensagens do celular logo após falar com o g1. "Já salvou o que falamos? Vou apagar o chat imediatamente", pediu um deles.

O medo de dar entrevistas e de falar sobre a situação do país também foi externado pelos venezuelanos. "Não acredito que uma pessoa que viva na Venezuela possa te responder essas perguntas", afirma José (*nome fictício) ao ser questionado sobre o cenário atual.

Autoridades da Venezuela prendem jornalistas

Autoridades da Venezuela prendem jornalistas

Para José (*nome fictício), aos poucos, as rotinas estão sendo retomadas, mas permanece o "estado de preocupação e expectativa".

Ruas vazias no centro de Caracas no dia 7 de janeiro — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Questionados sobre o sentimento que tiveram ao receber a notícia da prisão de Maduro, os venezuelanos ouvidos pelo g1 afirmam que as incertezas sobre o futuro e o sentimento de tensão prevalecem.

"Há um debate muito polarizado sobre isso, mas o uso de forças militares sobre o território venezuelano cria no cidadão um novo temor. Não há justificativa lógica para uma ação militar estrangeira em território nacional. A soberania é algo que, sob nenhum conceito, deve ser violada", defende Pedro (*nome fictício) .

Um afirmou que "mais do que pensar em quem é melhor ou pior", o questionamento necessário é: "quem pode garantir maior estabilidade política sem submeter o país aos interesses estrangeiros?".

"A oposição perdeu credibilidade e o povo clama por uma mudança real, que permita o avanço e o progresso da Venezuela", acredita José (*nome fictício) .

A situação econômica do país, com a intensa pobreza da população, é apontada por todos como o principal problema. E a incerteza vivida no momento fez os preços dispararem mais ainda.

Preços em mercado de Caracas — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

'Não importa se são os EUA, a Rússia ou a China'

"O povo quer progresso econômico. A situação é grave e acredito que não importa às pessoas se são os EUA, a Rússia ou a China que irão administrar a empresa petrolífera: tamanha é a gravidade da situação econômica", diz José (*nome fictício) .

Já Pedro (*nome fictício) se posicionou enfaticamente contra os EUA explorarem os recursos nacionais venezuelanos.

"Há pessoas como eu que consideram indignante e alarmante o desejo de controle dos EUA sobre os recursos nacionais. A crise econômica da Venezuela não é apenas resultado de má gestão governamental, mas também de um acúmulo de problemas estruturais de dependência e de sanções internacionais impostas pelos EUA. É inconcebível permitir que o controle do petróleo venezuelano esteja subordinado às necessidades e interesses dos EUA", critica Pedro (*nome fictício) .
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