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Chanceler do Irã afirma que os protestos se tornaram mais sangrentos após ameaça de intervenção de Trump

O chanceler iraniano acrescentou que o aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, contra Teerã, de que tomaria medidas caso os protestos se tornassem sangrentos, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.

"Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo", afirmou Araqchi.

Araqchi confirmou também que o serviço de internet será retomado em coordenação com as autoridades de segurança.

"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse ele, acrescentando que seu governo está acompanhando atentamente a situação no Irã.

Trump já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. No dia 2 de janeiro, ele declarou em uma publicação na rede Truth Social que os EUA estão “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas (relembre aqui).

O presidente Donald Trump afirmou neste domingo (11) que o Irã entrou em contato com os Estados Unidos e propôs negociar um acordo nuclear depois que o republicano ameaçou tomar medidas em resposta à repressão aos protestos no país.

Em declarações a jornalistas a bordo do Força Aérea Um, Trump disse que seu governo estava em negociações para agendar uma reunião com Teerã, mas alertou que talvez precisasse agir primeiro, visto que o número de mortos no Irã aumenta e o governo continua prendendo manifestantes.

"Acho que eles estão cansados ​​de apanhar dos Estados Unidos", disse Trump. Ele acrescentou: "O Irã quer negociar".

Nas declarações desta segunda, o chanceler iraniano não comentou sobre o possível acordo.

Em 2017, Trump rompeu um acordo entre EUA e Irã que limitava o uso de material nuclear por Teerã em troca do fim das sanções econômicas ao país. Teerã voltou a enriquecer urânio a níveis superiores ao necessário para produzir energia — embora não haja evidências de que o regime estivesse próximo de desenvolver sua própria bomba nuclear.

Em junho de 2025, os EUA bombardearam instalações de pesquisa nuclear em território iraniano, em meio ao conflito entre Teerã e Israel.

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização.

O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.

"Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos", disse o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters.

Pezeshkian também afirmou neste domingo que o governo está pronto para "ouvir seu povo" e está determinado a resolver as questões econômicas.

Manifestantes incendeiam carros e edifícios nas ruas de Teerã, no Irã, em manifestações contra o governo de Ali Khamenei em janeiro de 2026. — Foto: Redes sociais via Reuters

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