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Chegada da PF a Jaques Wagner joga PT na panela do Master

A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo. A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em US$ 20 mil.

Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.

O PT já havia deixado uma digital no caminho de Daniel Vorcaro quando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou-o a Lula no final de 2024.

Em 2016, quando uma parte do PT foi apanhada pela Lava Jato, Wagner disse que "o PT se lambuzou". Na quinta-feira, lambuzou-se o líder do governo no Senado.

Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.

A diligência da PF ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2025, antes de sua primeira prisão, Daniel Vorcaro teria ameaçado "contar toda a história do Master". Correndo o risco de mofar numa cela, Vorcaro fingiu, por duas vezes, contar a história do Master; suas propostas de delação eram seletivas e foram rejeitadas.

Há uma curiosidade na trajetória de Vorcaro. Até 2020, eram raros os seus contatos com a cúpula da turma de Brasília. Era conhecido por suas festas milionárias e pela liberalidade com que recorria aos serviços femininos para entreter convidados. Quando percebeu que estava sentado numa pirâmide, Vorcaro atropelou.

Promoveu farofas no circuito Elizabeth Arden. Seu cunhado comprou o resort da família de um ministro do Supremo. Seu banco contratou por dinheiro gordo a mulher de outro, que voava em seus jatinhos. Cerejas do bolo: Guido Mantega levou-o a Lula sem registro na agenda, e o senador Ciro Nogueira apresentou um projeto que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, decidiu bancar um filme que contaria a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro para estrear durante a campanha do seu filho, Flávio.

Com outro braço, segundo a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma milícia privada para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Esse crime ficou na intenção.

Eram ações de um banqueiro radioativo, lidando com os políticos a partir da imagem que tinha deles. Os fatos mostraram que seus alvos foram bem escolhidos.

A menos que ofereça uma colaboração veraz, Vorcaro mofará anos numa penitenciária, como mofou o patrono de sua classe, o americano Charles Ponzi (1882-1949), que ralou 14 anos na cadeia. Depois, ele veio para o Brasil e morreu pobre no Rio.

A chegada da Polícia Federal a Jaques Wagner mostrou a Vorcaro que falar pode se tornar o melhor negócio de sua vida. Talvez ele tenha percebido o que vários figurões não perceberam: a Polícia Federal sabe muito mais do que supõem os intocáveis de Brasília.

Bomba-relógio

Depois da ação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner transformou-se numa bomba-relógio na liderança do governo.

Se a oposição pudesse, mandaria um abaixo-assinado ao Planalto pedindo que o mantivesse até outubro.

Ressarcimento

O senador Jaques Wagner poderia redimir-se da promiscuidade que manteve com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, doando cinco ingressos para shows de Taylor Swift aos estudantes baianos melhor colocados no Enem.

Eles viajariam no jatinho de algum amigo do doutor.

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