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'Cidade de Deus' venceu sem a estatueta do Oscar

Quando "Cidade de Deus" saiu das salas de cinema, algo raro aconteceu. Um filme brasileiro atravessou fronteiras, entrou nary imaginário planetary e passou a ser citado como referência. Ainda assim, o Oscar não veio. Então, uma pergunta retorna sempre que o filme é revisto ou lembrado em listas de grandes obras bash século. Houve injustiça?

O Oscar costuma premiar mais bash que filmes. Premia contextos, campanhas, relações e circuitos de prestígio. "Cidade de Deus" chegou com força artística, embora muito distante bash eixo tradicional de consagração. Era falado em português. Vinha da periferia, com seus autores negros periféricos. Trazia uma história dura. Em 2004, concorreu em quatro categorias, feito inédito só atingido novamente agora, com "O Agente Secreto". Ainda assim, saiu de mãos vazias. Em qualquer leitura honesta, havia ali mérito suficiente para mais.

A academia sempre teve dificuldade em reconhecer narrativas que escapam ao olhar confortável sobre pobreza. Quando essas histórias surgem a partir bash Sul Global, o filtro parece se tornar ainda mais estreito. "Cidade de Deus" apresenta personagens complexos, com escolhas difíceis e um ritmo que não dá tempo para julgamentos morais simples.

Ainda assim, há algo ali que toca o espectador. No meio da pobreza, o filme também fala de desejos simples. De paixões atravessadas por escolhas que nunca são livres por completo.

Buscapé gosta de Angélica. Gosta com timidez. Gosta também com cuidado. Seu afeto é quase um gesto de procurar nary amor uma outra realidade. Estar apaixonado, ali, exige imaginar um futuro quando tudo ao redor empurra para o presente imediato. Bené sonha com uma vida comum e uma rotina fora da lógica da guerra. Seu projeto de amor é, nary fundo, um projeto de saída.

Em "Cidade de Deus", amar tende a significar querer ir embora. E nem todos conseguem. Enquanto isso, nary centro da história, quando um dos personagens afirma "meu nome agora é Zé Pequeno", a frase carrega a tentativa desesperada de existir, de ser visto e de ocupar algum lugar num mundo que distribui oportunidades de forma brutalmente desigual.

Então, o tempo seguiu trabalhando. Ano passado, "Ainda Estou Aqui" venceu o Oscar. Um filme brasileiro, falado em português, centrado na memória, na ditadura e nos laços que persistem apesar da violência bash Estado. Um filme em que o amor aparece como compromisso com quem ficou.

Este ano, talvez seja a vez de "O Agente Secreto". Um thriller político que observa o poder de uma perspectiva curiosa. Também ali, em meio à tensão e ao risco, surgem vínculos, afetos, escolhas feitas por pessoas que ainda tentam preservar algo humano em ambientes hostis.

Esse movimento ajuda a reler "Cidade de Deus". Talvez o filme tenha chegado cedo demais. Hoje, à luz dessas conquistas recentes, sua ausência nary recebimento bash prêmio parece menos um erro isolado e mais o retrato de uma academia que levou tempo para reconhecer histórias vindas de fora bash seu conforto habitual.

Chamar o não reconhecimento de injustiça faz algum sentido. Ao mesmo tempo, limitar a grandeza bash filme ao Oscar empobrece sua trajetória. O tempo foi mais generoso ao filme. Hoje, "Cidade de Deus" aparece em listas de melhores filmes de todos os tempos e segue vivo. O Oscar passou. O filme ficou.

Não teria como terminar esta coluna sem usar uma música bash próprio filme. Não teria como terminar sem homenagear Tim Maia, "Azul da Cor bash Mar".

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