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Cinco grupos avaliam compra de distribuidoras da Enel

Nos bastidores, os relatos indicam que isso é uma forma de pressão do governo para que a Enel venda sua operação em São Paulo.

Nos três casos (SP, RJ e CE), se houver ofertas de compra antes do vencimento dos contratos, o governo autorizará a renovação automática —desde que a venda seja aprovada pela Aneel. Isso também vale para a Enel-SP.

Ontem, a Aneel abriu o processo de caducidade (cancelamento do contrato) da Enel-SP. A iniciativa veio na esteira de um pedido do presidente Lula e de forte pressão política prévia feita pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e pelo prefeito Ricardo Nunes.

Com isso, a renovação antecipada deixou de ser uma possibilidade para a Enel-SP. Seu contrato vence em 2028 e, agora, ele só poderá ser renovado sob o controle de um novo grupo.

Outra possibilidade é a de que a Enel-SP consiga virar o jogo e se livrar da caducidade —mas isso é considerado improvável após o julgamento unânime do caso pela diretoria da Aneel.

Embora ainda haja um processo administrativo a ser seguido, no mérito, as falhas da Enel-SP no combate às eventualidades durante as chuvas extremas na região já foram analisadas pela diretoria da Aneel no momento da abertura do processo de caducidade sem que a defesa da distribuidora fosse acatada.

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Pessoas do governo federal que participam das conversas com as distribuidoras afirmam que já existem consultorias contratadas para formular uma eventual proposta. Os grupos interessados apostam que a Enel cederá, repetindo o que ocorreu em Goiás.

No estado governado por Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência da República, a distribuidora enfrentou problemas de atendimento e acabou vendendo o controle da Celg para a Equatorial por R$ 1,5 bilhão, em 2022.

Nada à venda

Desta vez, a Enel afirma que não venderá nenhuma de suas três concessões —ela opera em SP, RJ e CE. Se isso ocorrer, a companhia estará se retirando do mercado de distribuição no país. Ela informa que irá à Justiça contra a decisão da agência.

No caso de São Paulo, a Enel considera ter cumprido os índices pactuados com as autoridades no enfrentamento da crise de fornecimento diante das fortes chuvas.

A posição da Enel é contrária à da Aneel, que verificou índices de descumprimento muito abaixo dos patamares mínimos exigidos desde 2023, quando houve o primeiro grande apagão em São Paulo.

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Após as fortes chuvas decorrentes de eventos climáticos extremos, ao menos 80% das unidades consumidoras teriam de ser religadas em menos de 24 horas. O índice auferido pela agência no ano passado foi de 67%.

No total, 4,5 milhões de unidades ficaram sem energia, sendo que 2 milhões permaneceram simultaneamente no escuro por mais de 24 horas.

A Enel, que tem o governo italiano como sócio (29% de participação), fornece energia para 14 milhões de clientes em 274 cidades brasileiras. Ela também atua na geração com 27 usinas hídricas, 14 parques de energia eólica e sete de solar.

Consultadas, Equatorial, Light e Energisa não quiseram comentar. Via assessoria, a Copel disse que só acompanha o assunto pela imprensa. A Neoenergia não respondeu.

Via assessoria, a Enel São Paulo informou que seguirá trabalhando para demonstrar, em todas as instâncias, que vem cumprindo integralmente todos os indicadores previstos em contrato e no plano de recuperação apresentado em 2024 ao regulador.

"Qualquer definição sobre as concessões de distribuição de energia no país precisa obedecer a critérios técnicos claros, prévia e objetivamente estabelecidos, de forma imparcial", disse em nota.

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"É imprescindível, ainda, garantir um tratamento não discriminatório, a previsibilidade dos mecanismos punitivos e a segurança do contrato firmado, respeitando-se o devido processo legal e a ampla defesa, princípios indispensáveis para a segurança jurídica do país."

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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