
Crédito, Getty Images
- Author, Mark Poynting
- Role, Repórter de Clima da BBC News
Há 17 minutos
Tempo de leitura: 6 min
O clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história registrada, alertou a agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) afirma que o planeta está acumulando muito mais energia térmica do que consegue liberar, impulsionado por emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono.
Esse "desequilíbrio energético" recorde aqueceu os oceanos a níveis inéditos no ano passado e continuou a derreter as calotas polares do planeta.
Cientistas temem que o El Niño, uma fase natural de aquecimento prevista para começar no fim deste ano, possa levar a novos recordes de calor.
Em resposta ao relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou seu apelo para que os países abandonem os combustíveis fósseis em favor de energias renováveis, a fim de "garantir segurança climática, segurança energética e segurança nacional".
"O planeta Terra está sendo levado além de seus limites. Todos os principais indicadores climáticos estão em alerta vermelho", advertiu, em um discurso em vídeo de tom enfático.
Os últimos 11 anos foram os 11 anos mais quentes já registrados desde 1850, segundo a OMM.
Em 2025, a temperatura média global do ar ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis do período "pré-industrial", antes de os seres humanos começarem a queimar grandes quantidades de combustíveis fósseis.
Um resfriamento temporário provocado pelo fenômeno La Niña fez com que 2025 não fosse tão quente quanto 2024, que foi intensificado pela fase oposta, o El Niño.

Ainda assim, o ano passado foi um dos três mais quentes desde o início dos registros.
Muitos cientistas agora acreditam que o aquecimento está se acelerando, embora afirmem que as temperaturas estão, em geral, dentro da faixa das previsões de longo prazo.
E a OMM aponta para uma série de outras evidências que mostram que o clima está mudando mais rapidamente do que já vimos antes.
Talvez a medida mais abrangente seja a quantidade de energia térmica extra que está sendo absorvida pela Terra.
Esse "desequilíbrio energético", que impulsiona a mudança climática, atingiu um novo recorde no ano passado, afirma a OMM.
Embora os cientistas ainda estejam investigando exatamente por que a Terra acumulou tanto calor extra na última década ou mais, eles não têm dúvida de que os gases de efeito estufa que retêm calor, como o dióxido de carbono (CO2), são a causa principal do desequilíbrio.
Segundo a OMM, os níveis de CO2 na atmosfera estão nos maiores patamares do que em pelo menos dois milhões de anos, devido a atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis.

Parte da energia extra retida por esses gases aquece a atmosfera e a terra, além de derreter o gelo do planeta.
Segundo dados preliminares, as geleiras do mundo tiveram um de seus cinco piores anos já registrados em 2024/25, enquanto o gelo marinho nos dois polos ficou em níveis mínimos ou próximos deles durante a maior parte de 2025.
Mas mais de 90% da energia extra da Terra aquece os oceanos, o que, por sua vez, prejudica a vida marinha, intensifica tempestades e contribui para a elevação do nível do mar.
O calor armazenado nos 2 km superiores do oceano global atingiu um novo recorde no ano passado, afirma a OMM. Nas últimas duas décadas, o aquecimento ocorreu a um ritmo mais de duas vezes superior ao observado no fim do século 20.
"As atividades humanas estão perturbando cada vez mais o equilíbrio natural e viveremos com essas consequências por centenas e milhares de anos", disse Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
O relatório aponta para os impactos atuais do aumento das temperaturas, que ajudam a intensificar diversos tipos de eventos climáticos extremos e favorecem a disseminação de doenças como a dengue.
O sudoeste dos Estados Unidos enfrenta atualmente uma onda de calor recorde para início de temporada, com temperaturas que superaram os 40 °C em alguns locais nos últimos dias — cerca de 10 °C a 15 °C acima da média.
Uma análise rápida realizada na sexta-feira (21/3) por cientistas do grupo World Weather Attribution concluiu que a intensidade do calor teria sido "virtualmente impossível" sem a mudança climática causada pelos humanos.
Os pesquisadores também monitoram de perto o oceano Pacífico, com previsões de longo prazo indicando fortemente que uma fase de aquecimento do El Niño pode se formar na segunda metade de 2026.
Um El Niño, somado ao aquecimento causado pela atividade humana, pode elevar as temperaturas até 2027.
"Se passarmos para El Niño, veremos um aumento da temperatura global novamente, possivelmente atingindo novos recordes", disse John Kennedy, da OMM.
El Niño e La Niña no Brasil
O "Niño" que dá nome ao fenômeno é ninguém menos do que o menino Jesus (el niño Jesús, em espanhol). O evento climático recebeu esse nome por ser o primeiro identificado por pescadores do Peru e Equador na época do Natal.
"O El Niño e a La Niña são duas fases opostas do mesmo fenômeno, que chamamos de El Niño Oscilação Sul [ou ENSO, na sigla em inglês]", explica Vinícius Lucyrio, meteorologista da Climatempo.
"É um fenômeno que acopla condições oceânicas e atmosféricas. Ou seja: é o oceano influenciando diretamente nas condições atmosféricas."
O El Niño é a fase quente deste fenômeno, que traz águas de temperatura mais elevada para a faixa equatorial do Pacífico Sul, na costa norte do Peru e do Equador, se estendendo ao sul da linha imaginária até quase a Oceania.
Isso ocorre por um enfraquecimento dos ventos alísios, um sistema de ventos que sopram de leste para oeste na região equatorial, explica Lucyrio.
Já a La Niña é a fase fria do fenômeno, com temperaturas abaixo da média nas água do Pacífico Sul, sob efeito de ventos alísios fortalecidos que favorecem a ressurgência de águas profundas mais frias na costa do Peru e do Equador.
No Brasil, a La Niña afeta as chuvas nos dois extremos do país.
No Sul, ficam mais irregulares, favorecendo períodos de estiagem e seca. Já no Norte e Nordeste, há um aumento das precipitações, principalmente entre agosto e fevereiro.
A La Niña também traz temperaturas abaixo da média ao país, ao favorecer a passagem de frentes frias. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o verão mais ameno esse ano no Sudeste, observa o especialista da Climatempo.
Já o El Niño traz tempo mais quente em todo o Brasil, principalmente entre o final do inverno e o verão. E, nas chuvas, o sinal se inverte. No Norte e Nordeste, a chuva tende a ficar abaixo da média, enquanto no Sul, fica acima.
* Reportagem adicional de Thais Carrança

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