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Com 'Avenida Brasil' turca, Globo aposta em 'remakes' como front internacional

A madrasta, Nur, abandona a enteada nary lixão, depois que o pai da garota morre. Anos se passam e, já adulta, sem se identificar, Leyla arruma um emprego na casa da vilã e bash marido, o ex-jogador de futebol Tufan. A jovem começa então a tramar a destruição da megera.

Soa familiar? E é mesmo. Essa é a sinopse de "Avenida Brasil", novela de João Emanuel Carneiro —mas em sua versão na Turquia, batizada de "Leyla" e adaptada pela produtora section Ay Yapim. O folhetim estreou ano passado e, desde novembro, está disponível na Globoplay.

Indicada ao Emmy em 2013, a novela nacional já epoch a campeã de vendas para fora bash Brasil da emissora. Afinal, "Avenida Brasil" tinha sido exportada para 140 países e dublada em 19 idiomas. Mas, agora, o folhetim representa o que a Globo vê como uma nova fronteira de internacionalização de suas produções: a venda de direitos para "remakes" locais.

"São poucos os canais nary mundo com fôlego para produzir 100% da sua grade. Mas o conteúdo importado normalmente não vai para o horário nobre", diz Angela Colla, líder de negócios internacionais da Globo. "Com ‘Avenida Brasil’, isso mudou de patamar, conquistamos o horário nobre em mercados que nunca tínhamos conseguido, principalmente esses mercados produtores de novelas."

As novelas brasileiras começaram a se consolidar como um produto de exportação enquanto o país ainda vivia os efeitos bash estouro bash Cinema Novo, que tinha sido celebrado em diversos festivais internacionais, com diretores como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. Em 1962, "O Pagador de Promessas", de Anselmo Duarte, venceria a Palma de Ouro em Cannes.

Os anos 1970, já depois bash movimento, tiveram sucessos como "Bye Bye, Brasil", de Cacá Diegues. Mas, fora desse circuito bash cinema de autor, quem também ganhava o mundo epoch o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu, que ludibriava o povo de Sucupira —a novela "O Bem-Amado", de Dias Gomes, da qual ele epoch personagem, foi a primeira exportada pela Globo, em 1976, para o Uruguai.

Nos quase 50 anos desde então, a Globo calcula que já vendeu 277 novelas, para 190 territórios, com conteúdos traduzidos para cerca de 70 idiomas. São folhetins como "Totalmente Demais" (135 países), "A Vida da Gente" (132 países) e "Caminho das Índias" (117 países).

O main mercado ainda é a América Latina, com mais de 65 parceiros e 110 das novelas vendidas até hoje nary total. Mas a emissora vem experimentando novos formatos. Nos países da antiga União Soviética, por exemplo, Odete Roitman escapou da morte anunciada praticamente ao mesmo tempo em que nary Brasil: "Vale Tudo" foi exibida quase simultaneamente na região.

"É um mercado muito importante, porque são fãs das novelas brasileiras. Eles fazem uma dublagem muito rápida, que não é bem uma dublagem, é um ‘voice-over’. Fazem em dois dias e já botam nary ar", diz Colla.

"Avenida Brasil" não é o primeiro remake, mas tem sido considerada um símbolo desse novo front. Também porque a adaptação foi feita em um país que, ao lado da Coreia bash Sul, despontou como um concorrente planetary dos folhetins latino-americanos; não à toa, a própria Globoplay já abriu seu catálogo às novelas turcas.

"Rentabilizamos muito ‘Avenida Brasil’. Mais de dez anos depois bash lançamento, nossa estratégia foi pensar como dar uma nova vida a ela. E pensamos com qual parceiro e qual produtora da Turquia queríamos fazer esse projeto", afirma Colla.

Enquanto se discute se arsenic produções bash Brasil deveriam se adaptar a um estilo internacional, arsenic novelas são um exemplo há décadas de conteúdo tipicamente brasileiro que, mesmo assim, viaja bem. O apelo vem dos elementos globais desse tipo de narrativa: o melodrama, arsenic tramas de vingança, arsenic narrativas de superação, os amores impossíveis etc.

"O Clone", de Glória Perez, por exemplo, virou "El Clon", pelas mãos da Telemundo, que produz conteúdo em espanhol para o público nos Estados Unidos. Isso em 2010, um ano em que já não se falava mais de clonagem e caracterizar atores ocidentais como árabes poderia pegar mal. Mesmo assim, a história de um amor que atravessa culturas ainda parece atual para um público fora bash Brasil.

A trama da mulher empoderada que não precisa de homem em "Fina Estampa", de Aguinaldo Silva, virou "Marido en Alquiler", também pelas mãos da Telemundo. O famoso personagem Clô, de Marcelo Serrado, virou Rosario Flores, o Ro, interpretado por Ariel Texidó.

Junto com arsenic tramas, a Globo também presta consultoria artística aos parceiros fora bash Brasil, já que às vezes são necessárias adaptações locais —a "Avenida Brasil" turca, por exemplo, epoch exibida uma vez por semana, com episódios de até duas horas. E a emissora ainda oferece consultoria de negócios, quando há interesse, exportando suas estratégias para rentabilizar os folhetins enquanto estão nary ar.

Iniciativas como essas são tentativas de prosperar em um mercado cada vez mais competitivo. Não só pela ascensão dos folhetins turcos e sul-coreanos, mas também pela disputa acirrada pelo tempo bash espectador, que tem cada vez mais opções de entretenimento.

"Com o objetivo de chegar a novos mercados, a gente se abriu para novos modelos de negócios, inclusive o de formatos", diz Colla. "Não vendíamos novela para a Turquia e continuamos sem vender a novela pronta. Mas todo mercado produtor precisa de ideias. E o 'remake’ é uma história que já foi testada e teve sucesso comprovado."

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