O anúncio foi feito um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a classificação como grupo terrorista pode abrir margem para ações mais duras dos Estados Unidos.
Já em um cenário mais extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, já chegou a afirmar que o governo brasileiro é "terminantemente" contra.
▶️ Contexto: Em março, o jornal The New York Times publicou uma reportagem afirmando que o governo dos EUA se preparava para classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
- A possibilidade já era ventilada desde 2025, quando o governo Trump iniciou uma ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos.
- O combate ao tráfico tem sido tratado como assunto de segurança nacional pela Casa Branca, que chegou a reunir líderes da América Latina para discutir o tema.
- Em outra frente, os EUA atacaram rotas do narcotráfico no Pacífico e no Caribe e capturaram o ditador Nicolás Maduro durante uma operação militar na Venezuela.
- Ao mesmo tempo, os EUA têm auxiliado países da região no combate ao narcotráfico e participaram de operações no Equador com esse objetivo.
Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e o presidente dos EUA, Donald Trump. — Foto: Kazuhiro Nogi e Jim Watson/AFP
O que pode acontecer com o enquadramento do PCC e CV como terroristas?
Segundo Alexandre Coelho, coordenador do curso de Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais, da FESPSP, a classificação das facções como FTO pode ter como consequência:
- congelamento de ativos em jurisdições conectadas ao sistema financeiro internacional;
- ampliação de sanções a empresas do país de origem envolvidas com as organizações.
- pedidos de maior cooperação judicial e policial com autoridades norte-americanas.
Para Coelho, isso amplia a capacidade de atuação extraterritorial dos EUA em investigações e mecanismos de repressão financeira.
Os critérios para serem considerados terroristas são diferentes
Muro de comunidade em Guarulhos tem pichação com a sigla do Primeiro Comando da Capital (PCC) — Foto: Glauco Araújo/G1
Na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública".
Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Minstério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, explicou a diferenciação brasileira.
Ou seja, a motivação é o que diferencia um grupo terrorista de uma facção criminosa no Brasil. Terroristas costumam buscar fins ideológicos ou políticos, enquanto facções como o PCC ou o CV visam o lucro, especialmente por meio do tráfico de drogas, armas e crimes financeiros.
Thiago Bottino, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio, explica ao g1 que a busca pela desestabilização do Estado é outro fator para diferenciar facções criminosas de grupos terroristas.
Porém, nos EUA, o conceito de organização terrorista é mais genérico, e o presidente tem mais poder para aplicar esta definição.
Por lá, classificar um grupo como organização terrorista não é automático. A decisão segue critérios definidos em lei e passa por diferentes etapas dentro do governo.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, três condições precisam ser atendidas para que uma organização receba a designação:
- ser estrangeira;
- estar envolvida em atividade terrorista ou ter capacidade e intenção de realizá-la;
- representar ameaça à segurança de cidadãos ou à segurança nacional dos EUA.
A classificação é baseada em um dossiê com informações de fontes abertas e sigilosas que comprovem o cumprimento dos critérios legais.
A decisão cabe ao secretário de Estado, em consulta com o Departamento de Justiça e o Tesouro. Depois, a medida é comunicada ao Congresso, que tem sete dias para analisar a ordem.
Após a provação, a designação é publicada no registro oficial do governo e passa a valer. A partir daí, a medida pode trazer consequências legais:
- passa a ser crime nos EUA fornecer “apoio material” ao grupo, como dinheiro, treinamento, armas ou serviços;
- ativos financeiros ligados à organização podem ser bloqueados, e transações, proibidas;
- membros do grupo podem ter vistos negados ou ser deportados.
A designação também ajuda a isolar o grupo internacionalmente e a cortar fontes de financiamento.

Vídeos em alta no g1

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
25 minutos atrás
2
/https://s01.video.glbimg.com/x720/14654588.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/u/t/l1ozyHSNSXwTGOp955gQ/afp-20250710-66ex3cq-v1-midres-combobrazilustarifftradediplomacy.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/x/S/ebJUPET1A8zwidZ8N84g/2025-11-13t110251z-1600552681-rc2xlhajrfoz-rtrmadp-3-chile-election-crime.jpg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2026/f/G/gGrBNJRwaydNM9Xc9HNQ/54966404065-a6a099d410-b.jpg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_08fbf48bc0524877943fe86e43087e7a/internal_photos/bs/2024/o/u/v2hqAIQhAxupABJOskKg/1-captura-de-tela-2024-07-19-185812-39009722.png)







Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro