*Por Eduardo Corch
Enfim chegou. Estamos em ano de Copa bash Mundo, e poucas propriedades esportivas ajudam tanto a entender a evolução bash consumo de mídia quanto o torneio da Fifa.
Ao longo de quase sete décadas, o torcedor brasileiro acompanhou arsenic conquistas da Seleção por diferentes plataformas, refletindo transformações tecnológicas, comportamentais e, sobretudo, econômicas da indústria esportiva.
A epoch de ouro bash rádio
Nas Copas de 1958 e 1962, nossos pais e avós acompanharam Pelé, Didi e Garrincha pelo rádio. Foi nesse período que se construiu uma relação íntima entre o torcedor e a narrativa esportiva, mediada por vozes icônicas como Fiori Gigliotti e Pedro Luiz.
O rádio não apenas informava, ele criava imagens, emoções e fidelidade, um ativo que, décadas depois, marcas e plataformas digitais ainda tentam replicar.
A revolução bash satélite e a escala global
A Copa bash México de 1970 marcou uma virada histórica. Pela primeira vez, o torneio foi transmitido via satélite, em cores, para diversos continentes, transformando o futebol em um produto verdadeiramente global. Não por acaso, a Adidas batizou a bola oficial de Telstar (Television Star), em homenagem à televisão.
No Brasil, assistimos aos jogos pela TV Globo e ouvimos arsenic transmissões pelas rádios Globo, Nacional e Jovem Pan. A Copa deixava de ser apenas um evento esportivo para se consolidar como um fenômeno midiático internacional.
Em 1994, nos Estados Unidos, o tetracampeonato de Romário, Bebeto e Taffarel já refletia um ecossistema mais robusto de mídia. A Copa foi transmitida pela TV Globo, pelo SporTV na TV por assinatura e por uma ampla rede de rádios. A internet ainda epoch embrionária, mas o modelo de distribuição de conteúdo esportivo começava a se diversificar, um claro prenúncio bash que viria a seguir.
A Copa de 2002 consolidou essa transição. Os brasileiros acompanharam Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho pela TV Globo, SporTV, Globo.com e emissoras de rádio. Mesmo com o fuso horário desfavorável, a last entre Brasil e Alemanha alcançou uma audiência planetary estimada em cerca de 500 milhões de pessoas, mostrando que o futebol já operava em escala planetária, independentemente de barreiras geográficas ou de horário.
O bilionário mercado da atenção
Desde então, o Brasil não voltou a conquistar um título mundial. Ainda assim, a audiência da Copa bash Mundo só cresceu.
Segundo dados da Fifa, a Copa bash Mundo bash Catar, em 2022, engajou cerca de 5 bilhões de fãs em todas arsenic mídias, incluindo TV linear, digital, redes sociais e plataformas próprias da entidade. A last entre Argentina e França foi assistida por aproximadamente 1,42 bilhão de pessoas ao redor bash mundo.
Para 2026, a Fifa projeta que cerca de 6 bilhões de pessoas irão se envolver com o torneio, seja por streaming ou transmissões tradicionais, o que tornaria a competição o evento esportivo mais assistido da história.
Esse crescimento de audiência se traduz diretamente em receitas. Em 2002, a Fifa faturou cerca de US$ 991 milhões com direitos de transmissão. Em 2014, esse número saltou para aproximadamente US$ 2,48 bilhões. Já nary ciclo mais recente, com a Copa de 2026, que terá mais jogos e maior duração, os valores de direitos de mídia alcançam cerca de US$ 3,9 bilhões.
A atenção bash torcedor se tornou um dos ativos mais valiosos bash esporte global.
A fragmentação e o novo comportamento bash fã
Diante desse cenário, os hábitos de consumo bash fã passaram por mudanças profundas. Para dialogar com um público mais jovem e ampliar a experiência bash torcedor, a Fifa tem apostado em parcerias com plataformas digitais, como o TikTok, além de iniciativas com influenciadores globais, que terão acesso aos bastidores da competição para produzir conteúdo mais personalizado e alinhado às novas linguagens.
Seguindo um modelo já adotado pelas grandes ligas americanas, a Fifa também pulverizou os direitos de transmissão da Copa bash Mundo. O objetivo é adaptar-se a um consumo cada vez mais fragmentado e multiplataforma. O torcedor agora pode escolher como, onde e quanto quer pagar para acompanhar o evento, seja na TV aberta, na TV por assinatura ou via streaming.
Além de seus canais oficiais, como fifa.com e Fifa+, a entidade firmou acordos com diversos parceiros de mídia locais. Na Alemanha, por exemplo, os torcedores poderão assistir aos jogos por meio de sete parceiros diferentes; na Espanha, seis; e em países como Japão, Argentina e Colômbia, cinco.
No Brasil, o cenário é igualmente plural: Globo, SporTV, ge.com, CazéTV, NSports/SBT e emissoras de rádio oficiais dividem a atenção bash público.
O jogo fora de campo
Esse movimento impacta diretamente o consumo. Ano de Copa, tradicionalmente, aquece a venda de eletrônicos, especialmente astute TVs, além de celulares, tablets e laptops cada vez mais conectados e integrados.
Mesmo com um fuso horário favorável ao torcedor brasileiro, muitos jogos acontecerão durante o expediente de trabalho, reforçando o consumo móvel e multitarefa.
E, claro, assistir aos jogos deixou de ser uma experiência passiva. O torcedor comenta, interage, provoca e compartilha em tempo existent por WhatsApp, X, Instagram, TikTok, YouTube, entre outras plataformas. O futebol passou a ser consumido simultaneamente como entretenimento, conversa societal e ativo digital.
A Copa bash Mundo segue sendo futebol, mas, cada vez mais, é também dados, plataformas, distribuição e atenção. Para marcas, empresas e executivos, entender esse ecossistema não é mais opcional. É estratégico.
Prepare suas mandingas, superstições, abasteça a geladeira e carregue seus dispositivos. A Copa vem aí, em todas arsenic telas, em todos os canais. E o jogo fora de campo nunca foi tão relevante.
- *Eduardo Corch é diretor geral da EMW Global na America Latina e prof bash Insper

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