Horas após ser capturado em Caracas (capital da Venezuela) por militares dos Estados Unidos neste sábado (3), em uma operação sem precedentes nas últimas décadas na América Latina, o ex-governante foi levado por via aérea ao navio USS Iwo Jima, transferido em seguida para a Base Naval de Guantánamo (Cuba) e, por fim, em outro avião, para Nova York.
Nas imagens, ele aparece algemado e escoltado por dois agentes antidrogas, vestindo um casaco esportivo, um gorro preto e calçando sandálias com meias.
O herdeiro político do falecido Hugo Chávez (1954-2013) passou pela sede da DEA (agência antidrogas dos EUA) antes de ser levado a uma cela do Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn, onde deve permanecer enquanto responde às acusações de tráfico de drogas e narcoterrorismo apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos.
Cilia Flores, esposa de Maduro, também está detida no mesmo local.
A seguir, contamos como é essa prisão e quais outros detentos conhecidos já passaram por suas celas.

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O MDC onde Maduro está detido é um grande edifício de concreto e aço com vários andares, localizado no bairro do Brooklyn, a poucos metros do porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros da Quinta Avenida, do Central Park e de outras atrações conhecidas da cidade.
A prisão, inaugurada no início da década de 1990 com o objetivo de combater a superlotação carcerária que afetava a cidade, ocupa a área onde antes funcionavam instalações de armazenamento e distribuição de mercadorias que chegavam ou partiam em navios que atracavam no terminal marítimo.
Embora seu propósito seja abrigar presos de ambos os sexos que aguardam julgamento nos tribunais de Manhattan e do Brooklyn, o MDC também é usado para encarcerar condenados que cumprem penas de curta duração, segundo informações do site do Departamento Federal de Prisões (BOP, na sigla em inglês).
Atualmente, é a única unidade operada pelo BOP em Nova York. Em 2021, o órgão fechou uma prisão semelhante localizada em Manhattan, após o suicídio, em 2019, do empresário dos EUA Jeffrey Epstein, então acusado de prostituição e tráfico de pessoas.
O presídio fica entre as sedes da Promotoria e de dois tribunais federais e conta com corredores internos que as conectam, o que permite o deslocamento dos acusados sem exposição pública.
O complexo é cercado por barricadas de aço e câmeras com capacidade de captar imagens a longa distância. Nas últimas horas, a vigilância externa foi reforçada.
Apesar do seu formato vertical, o centro possui áreas para a prática de atividades esportivas ao ar livre, além de unidades médicas e até uma biblioteca, informou a PBS, rede de televisão pública americana.
Embora não haja informações oficiais, a mídia local e internacional afirma que as celas têm apenas poucos metros de comprimento e que os detentos passam a maior parte do dia nelas.
Mapa mostra onde fica prisão onde está Maduro — Foto: Ilustração BBC
Problemas como superlotação, insalubridade e violência, comuns em muitas prisões da América Latina, inclusive em centros de detenção venezuelanos, também são recorrentes no MDC do Brooklyn.
Construído para abrigar 1.000 detentos, o MDC chegou a receber 1.600 presos em 2019, segundo a imprensa. Atualmente, tem 1.336, de acordo com dados publicados no site do BOP.
Além disso, nos últimos anos, a unidade também operou com apenas 55% de sua equipe de funcionários, informou, em novembro de 2024, a agência de notícias Associated Press (AP), com base em documentos judiciais.
A combinação de superlotação e falta de pessoal ajuda a explicar as brigas e os frequentes episódios de violência registrados na prisão.
E como se não bastasse, as condições físicas do prédio também são precárias. Em 2019, uma falha elétrica deixou os detentos sem aquecimento em pleno inverno por vários dias.
"As condições no MDC são inaceitáveis e desumanas", declarou a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que criticou o governo federal e cobrou ação contra o estado de deterioração da prisão.
"Estar preso não deveria implicar a negação de direitos humanos", acrescentou.
Por sua vez, advogados como Edwin Cordero classificaram a prisão como uma representação viva do "inferno na Terra". Um de seus clientes, Uriel Whyte, morreu esfaqueado por outros detentos em junho de 2024, informou a emissora americana CNN.
A avaliação é compartilhada por David Patton, ex-diretor da Defensoria Pública Federal de Nova York, que afirmou a um veículo local que os problemas da prisão vão "da falta de atendimento médico a graves falhas de saneamento, passando pela presença de vermes nos alimentos e pela violência".
Essas condições ajudam a explicar por que foram registrados ao menos quatro suicídios de detentos entre 2021 e 2024.
Os juízes também demonstram insatisfação com o estado da penitenciária. Alguns decidiram não enviar mais condenados para o local.
Um deles foi o juiz distrital Gary Brown, que, em agosto de 2024, afirmou que anularia a pena de nove meses de prisão imposta a um homem de 75 anos, acusado de fraude fiscal, e a substituiria por prisão domiciliar caso o BOP o enviasse ao MDC do Brooklyn.
"Esses incidentes (as brigas) demonstram uma lamentável falta de supervisão, uma perturbação da ordem pública e um ambiente de anarquia que constitui uma gestão inaceitável, reprovável e letal", declarou Brown, segundo o jornal britânico The Independent.
Escândalos de corrupção também levaram a prisão às manchetes. Em 06/03/25, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou o indiciamento de 25 pessoas, entre detentos e ex-funcionários do sistema penitenciário, em 12 casos distintos envolvendo violência e contrabando.
Apesar das más condições da prisão do Brooklyn, o local foi escolhido pelas autoridades dos EUA para abrigar presos de grande notoriedade.
Maduro, por exemplo, não é o primeiro político latino-americano a terminar em uma cela do complexo.
O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández ficou mais de três anos detido no MDC até ser transferido, em junho passado, para outra prisão após ser condenado por um tribunal federal a 45 anos de prisão por narcotráfico. Em dezembro passado, porém, o presidente americano, Donald Trump, concedeu-lhe indulto.
O ex-secretário de Segurança Pública do México Genaro García Luna também passou um período em uma das celas da prisão de Nova York.
Joaquín "El Chapo" Guzmán, um dos narcotraficantes mexicanos mais conhecidos do mundo, também esteve detido no local. Já Ismael "El Mayo" Zambada, um dos líderes do cartel mexicano de Sinaloa, segue preso no complexo, à espera de julgamento por narcotráfico.
Outros internos célebres incluem figuras históricas do crime organizado, como John Gotti, além de integrantes da Al Qaeda presos após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Até o rapper e produtor musical Sean "Diddy" Combs ficou alguns meses detido no MDC. Depois de ser condenado a quatro anos de prisão por abusar de mulheres ao longo de mais de uma década, foi transferido para outra unidade em Nova Jersey (EUA).
Ghislaine Maxwell, ex-companheira e associada de Jeffrey Epstein; Sam Bankman-Fried, ex-fundador da plataforma de criptoativos FTX, que faliu; e Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Trump condenado a três anos por crimes financeiros, também figuram entre os detentos mais conhecidos que passaram pelo MDC.

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