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Como o avanço dos jogos online agravou a crise da Estrela

Quando a criança migrou de tela

A petição inicial dedica passagens reveladoras à questão dos hábitos de consumo. O documento reconhece que "nas últimas décadas, o mercado infantil passou a disputar a atenção do público com aparelhos eletrônicos, plataformas digitais, jogos online, aplicativos e novas formas de entretenimento", impondo à indústria tradicional "um esforço permanente de adaptação".

O problema, segundo a empresa, é que o esforço de adaptação chegou numa hora ruim.

Relançar clássicos, modernizar jogos tradicionais, desenvolver produtos licenciados, firmar parcerias com influenciadores e inserir elementos eletrônicos nos brinquedos "exigem investimento contínuo em desenvolvimento, marketing, licenciamento, pesquisa e inovação, justamente em momento no qual o grupo já enfrentava margens pressionadas pela concorrência importada e pelo elevado custo financeiro", segundo os autos.

A empresa criou a Estrela Beauty, linha de cosméticos infantis, desenvolveu a Editora Estrela Cultural, dedicada a livros infantojuvenis, abriu lojas oficiais em marketplaces como Shopee, Amazon e Mercado Livre.

A Estrela apostou no público "kidult", expressão inglesa para adultos que consomem brinquedos por nostalgia, com relançamentos de Falcon, Pogobol e Autorama Ayrton Senna. Nada disso reverteu a situação.

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