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Como proteger eletrodomésticos da maresia? Confira dicas de especialistas

Morar perto do mar é sinônimo de brisa leve, paisagens bonitas e rotina mais tranquila, mas também significa conviver com um inimigo quase invisível: a maresia. Formada por microgotas de água salgada suspensas no ar, essa névoa fina pode causar danos significativos em eletrodomésticos, eletrônicos e até móveis, mesmo dentro de casa. Isso porque a corrosão acelerada é o principal problema, e ela começa em pontos tão pequenos quanto um pequeno risco na pintura metálica.

Diante disso, entender a natureza exata da maresia e adotar estratégias de blindagem se torna uma medida necessária para quem vive ou frequenta o litoral. Embasado nas explicações técnicas dos especialistas, o TechTudo mostra o caminho para garantir que a tranquilidade da vida na beira do mar não se transforme em uma fonte constante de gastos com reparos e trocas de eletrodomésticos. Confira logo abaixo.

 Reprodução Efeitos maresia podem afetar eletrodomesticos, construções e estruturas metálicas — Foto: Reprodução

A maresia é a suspensão de minúsculas gotículas de água salgada que se forma quando as ondas quebram e lançam partículas para a atmosfera. Ao evaporar, a água deixa microcristais de sal que são transportados pelo vento e podem alcançar longas distâncias, afetando especialmente áreas próximas ao litoral. Quanto mais forte o vento e mais perto da praia estiver a residência, maior será a quantidade de partículas de sal no ar.

Embora invisíveis, essas partículas são altamente corrosivas. Ao se depositarem sobre superfícies metálicas, eletroeletrônicos e circuitos elétricos, elas retêm umidade e formam uma solução salina que intensifica reações eletroquímicas de oxidação, o popular enferrujamento. A combinação entre alta concentração de sais, umidade elevada e temperatura alta cria um ambiente quimicamente agressivo, capaz de acelerar significativamente a degradação de materiais.

O professor do curso de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) Pedro Lyra afirma que a maresia é uma névoa salina. "Nos metais, ela atua como um eletrólito, depositando-se nas superfícies e acelerando processos de corrosão eletroquímica. No concreto armado, o problema ocorre quando os sais atingem as armaduras de aço, causando corrosão e desplacamento. Em equipamentos eletrônicos, componentes metálicos e placas de circuito sofrem oxidação”, explica.

 Reprodução/Redes Sociais Névoa salina presente em regiões litorâneas possui alto poder corrosivo — Foto: Reprodução/Redes Sociais

2. Como a maresia afeta os eletrodomésticos?

Os eletrodomésticos são vulneráveis à maresia de duas formas principais: na parte externa e nos componentes internos. Externamente, a maresia ataca a carcaça e as partes metálicas visíveis, como parafusos, dobradiças, grades de ventilação e portas de geladeiras ou máquinas de lavar. A corrosão se manifesta como pontos de ferrugem, que enfraquecem a estrutura e comprometem a estética e, em alguns casos, o funcionamento, conforme explica o professor do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) João Brasil.

"Se, por exemplo, a minha máquina de lavar, meu micro-ondas ou minha secadora têm algum risquinho, isso vira um potencial, um ponto de corrosão, e a maresia vai acelerar essa corrosão. Eu tive esse problema no apartamento da praia. A maresia corroeu a serpentina do ar-condicionado, que é por onde passa o gás. Vazou o gás, e aí tive que mandar arrumar", contou.

 Reprodução/Freepik Existem eletrodomésticos feitos com materiais especiais que são mais resistentes à corrosão — Foto: Reprodução/Freepik

Já internamente, o dano é mais grave. A névoa penetra por meio das aberturas de ventilação e se deposita nas placas de circuito interno, conectores e fiações. Segundo o especialista, essa ação silenciosa reduz a vida útil, principalmente dos aparelhos eletroeletrônicos que possuem circuitos e placas sensíveis. Isso porque as partículas de sal podem corroer diretamente esses componentes vitais, o que leva a falhas repentinas, mau funcionamento de botões, falha de displays e, eventualmente, à queima total da placa-mãe de aparelhos como Smart TVs ou computadores.

3. Como proteger os eletrodomésticos da maresia?

Para combater os efeitos da maresia, os especialistas recomendam uma combinação de limpeza frequente dos eletrodomésticos, vedação de espaços e uso de produtos específicos. As orientações são válidas para aparelhos instalados na área interna das moradias, já que, por conta da intermitência do fenômeno, a proteção de equipamentos expostos à área externa, como o ar-condicionado, é mais complexa. Confira abaixo as principais medidas que podem ser adotadas.

a. Limpeza e descontaminação constante

A limpeza é a medida protetiva mais eficiente e deve ser uma rotina. Quem é morador de uma região com maresia intensa deve deixar os equipamentos sempre limpos da névoa salina, principalmente os com carcaça metálica. Além disso, você deve ficar atento a qualquer sinal de riscos ou arranhões, já que essa falha é a porta de entrada da corrosão.

 Reprodução/Mestre do Eletro Limpeza frequente dos eletrodomésticos é essencial para evitar a corrosão provocada pela maresia — Foto: Reprodução/Mestre do Eletro

b. Utilização de capas protetoras

A barreira física é essencial para aparelhos que não estão em uso constante. Por isso, a vedação é uma boa prática para evitar danos mais severos nos equipamentos. "Tem alguns aparelhos, como máquina de lavar e micro-ondas, nos quais podemos colocar uma capa que vede bem. Isso ajuda muito, porque evita que essa névoa chegue a encostar no equipamento", sugere o professor João Brasil. Essa mesma prática serve tanto para o dia a dia quanto para períodos longos de ausência em casas de temporada.

 Amazon/Divulgação Capa protetora de eletrodomésticos é uma alternativa eficiente para proteger os eletrodomesticos da nevóa salina — Foto: Amazon/Divulgação

c. Uso de desumidificadores

Controlar a umidade do ambiente é fundamental, pois ela potencializa a ação corrosiva do sal. Por isso, em locais fechados ou armários onde ficam guardados equipamentos eletroeletrônicos, a recomendação é utilizar produtos que controlam a umidade da instalação.

d. Atenção a riscos e pontos iniciais de corrosão

Um risco na pintura da geladeira ou da máquina de lavar pode virar um ponto crítico, pois a maresia se deposita nesses locais e acelera rapidamente o processo. Nesses casos, os especialistas recomendam o tratamento do ponto vulnerável com produtos inibidores de corrosão. A atenção deve ser redobrada em áreas de contato, como a base de geladeiras que encostam perto do chão.

 Reprodução Produto anticorrosivo ajuda a proteger estruturas de metal — Foto: Reprodução

e. Prioridade para materiais resistentes (Aço Inox)

A escolha do material na hora da compra é o investimento mais duradouro. Os dois professores orientam, se possível, adquirir aparelhos fabricados com aço inox. Apesar de mais caro, o aço inoxidável oferece uma resistência significativamente maior à agressão salina, garantindo maior longevidade aos equipamentos. Contudo, essa proteção só acontece com produtos fabricados com aço inox original. Produtos com pintura tipo inox não possuem essa proteção.

 MRV/Divulgação Pintura tipo inox não protege dos efeitos da maresia, Nesse caso, somente o aço inóx orginal resiste ao fenômeno — Foto: MRV/Divulgação

f. Manutenção preventiva em intervalos menores

Outra dica importante é a realização de inspeções frequentes em aparelhos de ar-condicionado, geladeiras e máquinas de lavar. Por serem produtos de alto valor, identificar um ponto inicial de corrosão pode evitar prejuízos maiores. Além disso, a limpeza constante da serpentina da geladeira, vedação de entradas de placas eletrônicas e troca de parafusos corroídos ajuda na extensão da vida útil dos aparelhos.

 Refrimaq/Reprodução Limpeza da serpentina da geladeira ajuda a evitar danos prrovocados pela maresia — Foto: Refrimaq/Reprodução

g. Cuidados com a estrutura da edificação

A maresia também é um dos principais agentes de deterioração das edificações em áreas litorâneas. O ar carregado de partículas de sal acelera processos de corrosão e desgaste em elementos estruturais. Nas estruturas metálicas, o sal intensifica reações eletroquímicas que atacam superfícies expostas, soldas, parafusos e dobradiças. Como explica o professor Pedro Lyra, manchas avermelhadas nas fachadas costumam indicar ferrugem interna, e o problema mais frequente é o desplacamento do revestimento, que acaba expondo barras de aço já corroídas.

No concreto armado, embora o cloreto não o danifique diretamente, ele penetra poros e fissuras até alcançar as armaduras internas. Quando isso ocorre, inicia-se a corrosão do aço, que se expande e provoca a soltura do material, comprometendo a segurança da estrutura e exigindo reparos complexos.

 Ana Letícia Loubak/TechTudo Em maior ou menor intensidade, a brisa marinha contém elemetos que podem danificar aparelhos elétroeletrônicos — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo

Portas, janelas, portões e esquadrias também sofrem bastante com a maresia. É comum observar bolhas na pintura, descascamento precoce e dificuldade de abertura devido à corrosão de trilhos e rolamentos. Segundo Pedro Lyra, essas bolhas geralmente são sinal de corrosão ativa sob a camada de acabamento.

Já nas instalações elétricas, o risco existe, mas é menor em ambientes internos, onde cabos e componentes ficam protegidos. Em áreas externas, porém, a corrosão dos contatos metálicos ocorre com mais rapidez, principalmente em luminárias, antenas, câmeras de segurança e aparelhos de interfone.

Para quem vai construir no litoral, o especialista recomenda projetar a casa considerando o ambiente agressivo do local. No concreto armado, a orientação é aumentar o cobrimento das armaduras e utilizar concretos menos porosos, como os de alta performance. Em estruturas metálicas, a dica é priorizar materiais em aço inoxidável, aplicar revestimentos e pinturas protetoras adequadas, além de manter inspeções frequentes.

 Divulgação Estruturas de ferro, como portões, são vulneráveis aos efeitos da maresia — Foto: Divulgação

Outras estratégias importantes incluem garantir boa ventilação para reduzir o acúmulo de névoa salina e, caso seja possível, utilizar vegetação como barreira natural em casas térreas e adotar esquadrias e fechamentos projetados especificamente para ambientes agressivos. Além disso, evitar que portas e janelas fiquem de frente para a brisa marítima ou projetar cômodos com baixa exposição a maresia para instalação de eletrodomésticos sensíveis.

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