A confiança dos empresários do comércio brasileiro interrompeu uma sequência de duas quedas mensais consecutivas e avançou 0,2% em junho, alcançando os 102,6 pontos após o ajuste sazonal. O resultado, apurado e divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta terça-feira (30), mantém o indicador acima do nível de satisfação (100 pontos). Os números são impulsionados majoritariamente pelo segmento de bens semiduráveis — que engloba roupas, calçados, tecidos e acessórios —, cuja confiança saltou 1,1% no mês. O avanço do setor de comércio da moda e do vestuário ajudou a compensar o recuo registrado nos demais setores do varejo e o ambiente de cautela com as condições macroeconômicas atuais.
Enquanto o segmento de semiduráveis liderou a alta mensal, chegando a 105,4 pontos, os outros ramos fecharam o período em terreno negativo: o comércio de bens duráveis (eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e veículos) recuou 0,7%, e o de bens não duráveis (supermercados, farmácias e cosméticos) apresentou ligeira retração de 0,1%. Na comparação anual, apesar do resultado positivo em junho e expectativa de relativa melhora nos próximos meses, o Icec geral ainda registra retração de 2,2% nos últimos 12 meses.
O motor da recuperação da confiança em junho foi o componente de expectativas, que voltou a aumentar (+0,7% no mês, atingindo 127,4 pontos) após dois meses de perdas. O otimismo é nítido no setor de roupas e calçados, em que as perspectivas para o curto prazo saltaram 4,1%. Atualmente, a maioria dos empresários do comércio em geral (57,1%) projeta melhora do cenário econômico para os próximos meses.
Se o futuro anima, o momento presente ainda gera desconforto. O índice de condições atuais foi o único componente a registrar queda mensal (-1%), puxado sobretudo pela visão sobre a economia nacional (-1,7%). Nada menos que 75,9% dos varejistas afirmaram observar piora no cenário econômico corrente, configurando o maior percentual de insatisfação desde outubro do ano passado. "A tendência é que o nível de confiança siga oscilando nos próximos meses, na medida em que há um elevado grau de incerteza nos cenários interno e externo. Os investimentos por parte dos empresários têm ilustrado essa dualidade. Se por um lado as intenções de contratações acusam retração no comparativo anual; por outro, investimentos na empresa e nos estoques revelam avanços moderados ditados pelo ritmo de flexibilização da política monetária", contextualiza Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

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