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Cotação do boi gordo bate recorde e já reflete nos preços do açougue

Ciclo produtivo da pecuária explica as recentes variações. A dinâmica no campo é determinante para as altas e baixas das carnes. Em cenários como o atual, os produtores retêm vacas no campo para estimular a produção de bezerros. "Isso reduz a oferta de animais gordos disponíveis para o abate em meio a uma exportação forte", explica Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea.

Quando o preço da arroba está subindo, os pecuaristas seguram as vacas e não as colocam para o abate, porque se o preço da arroba está subindo, o do bezerro também vai subir.
André Diz, professor de economia do Ibmec-SP

Alta das exportações contribui para a valorização do boi gordo. Os produtores brasileiros venderam 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para o exterior no ano passado, alta de 20,9% em relação a 2024, conforme relatório da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). Ao mesmo tempo, o volume de abates cresceu 19,2%, de 25,5 milhões de toneladas para 30,4 milhões de toneladas.

Preços sobem diante da demanda maior do que a oferta. O crescimento da procura pelas carnes em ritmo mais acelerado do que a oferta das proteínas justifica as oscilações até o patamar recorde. "Como a gente tem uma restrição de carne menor aqui dentro e aumento da exportação, a disponibilidade doméstica se reduz e ajuda a pressionar os preços para cima", explica André Diz, professor de economia do Ibmec-SP.

Dinamismo da economia estimula o consumo doméstico. O ambiente marcado pela menor taxa de desemprego e pelo maior salário médio da história interfere no aumento do consumo e, consequentemente, na elevação dos preços. "São dois fatores do lado da oferta e um fator do lado da demanda que explicam essa alta bastante acelerada do preço da arroba do boi gordo nos últimos meses", afirma Diz.

Carne mais cara

O consumidor já sente o peso da carne bovina no orçamento familiar. Em março, o preço das carnes subiu 1,73%, a maior alta mensal desde dezembro de 2024, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). No primeiro trimestre, o aumento acumulado é de 3,18%.

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