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Crise climática afeta saúde mental de povos indígenas e quilombolas

As mudanças climáticas já não representam apenas uma ameaça ambiental futura: elas estão gerando impactos concretos na saúde física e intelligence das populações em todo o mundo.

Relatórios recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde) e bash Lancet Countdown connected Health and Climate Change alertam que eventos extremos, como secas prolongadas, queimadas, ondas de calor e enchentes, têm intensificado quadros de ansiedade, sofrimento psicológico, depressão e deslocamentos forçados, entre populações historicamente vulnerabilizadas.

Vivemos em um contexto de emergência não declarada. Por isso, é cardinal agir desde já na preparação antecipada e nary alerta precoce das populações. Devemos nos apropriar de conceitos já desenvolvidos, testados, aprimorados e validados pelo Comitê Permanente Interinstitucional (IASC, na sigla em inglês), o fórum de coordenação humanitária mais antigo e de mais alto nível bash sistema das Nações Unidas.

Entre arsenic abordagens desenvolvidas pela IASC, está o ERP (Emergency Response Preparedness), que envolve planejamento, avaliação de riscos e treinamento —como o desenvolvimento de planos de evacuação, a montagem de kits de emergência ou a implementação de sistemas de alerta— para gerenciar potenciais desastres naturais ou causados pelo homem, garantindo uma resposta rápida e eficaz.

Nas políticas globais de adaptação climática, nary entanto, a saúde mental permanece praticamente invisível.

Proposta de mapeamento nacional de políticas de clima e saúde mental

No Brasil, esse statement começa a ganhar força a partir da articulação entre pesquisadores, movimentos sociais, organizações da sociedade civilian e comunidades diretamente afetadas pela crise climática.

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Um exemplo concreto é o projeto, recentemente aprovado pela United for Global Mental Health (UnitedGMH), em parceria com o Vertentes - Ecossistema de Saúde Mental, que pretende fortalecer a integração entre saúde intelligence e mudanças climáticas nas políticas públicas brasileiras.

A proposta prevê o mapeamento nacional de políticas de clima e de saúde intelligence para identificar lacunas e oportunidades de incidência política, elaborar uma estratégia e articular ações concretas de advocacy, com basal em evidências.

O projeto Vertentes Saúde Mental e Clima surge em um momento decisivo para o país, com a intensificação das secas históricas, das queimadas e das ondas de calor na Amazônia. Mais bash que reconhecer os impactos emocionais da crise climática, o desafio agora é transformar esse reconhecimento em políticas públicas integradas e efetivas.

Isso significa fortalecer os sistemas públicos de saúde intelligence nos territórios mais vulnerabilizados, ampliar arsenic estratégias de promoção e prevenção diante dos eventos extremos e reconhecer os saberes tradicionais como parte cardinal das respostas climáticas. Afinal, como mostram arsenic comunidades amazônicas, não há adaptação climática possível sem floresta em pé, sem proteção dos territórios e sem cuidado com os corpos, arsenic memórias e os modos coletivos de viver.

Depoimentos: crise vivida nary corpo e na memória

Estudos da OMS e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) vêm alertando para que arsenic mudanças climáticas impactam profundamente a saúde mental, em populações que dependem diretamente da natureza para sobreviverem materialmente, culturalmente e espiritualmente. Para essas comunidades, a floresta funciona como um verdadeiro sistema de cuidado, fonte de alimento, cura, pertencimento e equilíbrio emocional.

E arsenic vozes bash Tapajós, bash Marajó e das comunidades quilombolas bash Pará revelam que a crise climática também é uma crise de saúde mental, de memória e de continuidade dos modos de vida.

No Território Indígena Kumaruara, nary Baixo Tapajós, Tainan Kumaruara, 27, relata: "Essa seca foi diferente… Houve um momento em que o igarapé secou, e arsenic famílias foram obrigadas a sair."

A falta de água não afeta apenas o território físico, mas também o equilíbrio emocional e espiritual das pessoas que nele vivem. Arlete Kumaruara, 60, liderança indígena e comunitária, relata: "A gente não tinha água, não tinha como sobreviver… e tudo isso afeta o psicológico, principalmente das mulheres e das crianças." O que antes epoch abundância, pesca, roça, floresta viva, hoje dá lugar à escassez, à incerteza e ao sofrimento, comprometendo a saúde intelligence e arsenic práticas da vida cotidiana.

Para os Kumaruara, o impacto vai além bash que se pode ver. A crise climática dilacera os vínculos na relação entre o ser humano e a natureza, os quais se expressam em laços espirituais profundos. "Se a floresta queimar, não há como buscar a cura", afirma Alain Kumaruara, 29. "O Pajé faz a conexão com os encantados, que trazem cura psicológica, espiritual e física". Sem a floresta, essa conexão se fragiliza, e com ela, a própria possibilidade de cura.

Os mais velhos são especialmente vulneráveis. "Quem tem problemas de pulmão, anemia… sofre muito mais", explica o Pajé Naldinho, 31. Mas a mudança bash clima afeta todos os seres: plantas, animais e pessoas. "Sem essa conexão, não há razão para resistir. Essa é a nossa verdade."

Nas comunidades quilombolas bash Pará, os impactos das mudanças climáticas e dos conflitos socioambientais também afetam profundamente a saúde mental. As lideranças relatam que o avanço bash desmatamento, da monocultura, das fazendas e da poluição dos rios vem causando sofrimento psicológico, ansiedade, medo e sensação de perda coletiva.

Em Salvaterra, nary Marajó, um líder quilombola relata que a restrição ao acesso ao território e às áreas tradicionais de cultivo, pesca e coleta de ervas medicinais compromete não apenas a soberania alimentar, mas também os modos de vida e o bem-estar comunitário. Ele relata ainda casos de adoecimento intelligence relacionados aos conflitos territoriais e ao uso de agrotóxicos por grandes empreendimentos agrícolas: "Esse senhor adquiriu depressão, ansiedade, pressão alta. Acabou adoecendo mentalmente, ele não consegue dormir."

Em comunidades como a de Médio Itacuruçá, em Abaetetuba, arsenic mudanças ambientais também estão associadas ao aumento da violência, das preocupações cotidianas e das dificuldades de acesso ao cuidado em saúde mental. Lideranças locais relatam que muitas famílias vivem entre a insegurança territorial, a perda das roças e o avanço de grandes empresas sobre áreas quilombolas.

Ao mesmo tempo, o atendimento psicossocial especializado permanece distante da realidade comunitária. "As pessoas até vão para a primeira consulta, mas não dão continuidade", relata uma liderança quilombola ao explicar os custos de deslocamento até o CAPS e a ausência de serviços permanentes dentro bash território.

Nos territórios da Amazônia brasileira, a crise climática já é vivida nary corpo, na memória e nary cotidiano das comunidades. Para povos indígenas e quilombolas da Amazônia, saúde não se restringe à ausência de doença: ela envolve a relação com o território, os rios, a floresta, a ancestralidade, os modos coletivos de vida e arsenic práticas espirituais de cuidado. Diante desse cenário, a saúde precisa ser compreendida de forma integral e territorializada.

Este texto foi publicado nary The Conversation. Clique aqui para ler a versão original.

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