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Crise, inflação alta e guerra: o que está por trás das manifestações no Irã que já deixaram 7 mortos

▶️ Contexto: As manifestações acontecem em meio a uma grave crise econômica, marcada por inflação elevada, desvalorização da moeda local e impactos de sanções internacionais. No radar também está a guerra de junho contra Israel.

  • As manifestações se intensificaram na segunda-feira (29), quando centenas de pessoas foram às ruas para protestar contra a situação econômica e o custo de vida.
  • Comerciantes também iniciaram uma paralisação e fecharam lojas em Teerã.
  • Os movimentos se espalharam pelo país com o apoio de estudantes.

O governo do presidente Masoud Pezeshkian afirmou que abriu um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir demandas da população.

“Reconhecemos oficialmente os protestos. Ouvimos essas vozes e sabemos que isso tem origem na pressão natural provocada pelas dificuldades no sustento da população”, afirmou a porta-voz do governo na terça-feira.

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O aceno do governo não foi suficiente. Nos últimos dias, houve confronto entre manifestantes e forças de segurança. Imagens que circulam nas redes sociais mostram objetos em chamas nas ruas e sons de tiros.

Na quinta-feira, segundo a mídia local, três manifestantes morreram e 17 ficaram feridos durante um ataque a uma delegacia de polícia na província de Lorestan, no oeste do país.

De acordo com a Associated Press, esta é a maior onda de manifestações no Irã desde 2022, quando a jovem Mahsa Amini morreu após ser detida pela polícia por descumprir o rígido código de vestimenta do país.

O que está por trás da crise

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, discursa perante membros do Judiciário iraniano em Teerã em 16 de julho de 2025. — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana via Reuters

O Irã enfrenta dificuldades econômicas há anos, impactado principalmente pela reimposição de sanções pelos Estados Unidos. A medida foi adotada em 2018, quando o presidente Donald Trump deixou um acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

  • Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump retomou uma política de pressão máxima contra o Irã.
  • Em setembro, sanções também foram impostas pelas Nações Unidas, levando o governo iraniano a realizar reuniões para tentar evitar um colapso econômico.
  • A situação também foi agravada pelo conflito entre Irã e Israel, em junho. À época, forças israelenses e dos EUA realizaram ataques contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano.

Em meio a esse cenário, a população passou a enfrentar inflação elevada, acima de 40% ao ano. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo.

Na segunda-feira, o presidente do Banco Central do Irã renunciou ao cargo. A mídia iraniana afirmou que políticas recentes de liberalização econômica pressionaram a moeda local, levando a uma rápida desvalorização.

Somente em 2025, o rial iraniano perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica neste mês.

O contexto econômico se soma a tensões políticas internas. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Ele está no poder há mais de 30 anos.

O regime é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições a liberdades sociais, especialmente entre os mais jovens, que encabeçaram vários protestos nos últimos anos.

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