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Cuba liberta 2000 presos depois de concessão de indulto

Mais de 20 detidos deixaram a prisão de La Lima, no leste de Havana, na manhã de hoje, constataram jornalistas da AFP. Os libertados se abraçaram e choraram com familiares que os esperavam do lado de fora.

Estas libertações ocorrem pouco depois que o governo do presidente americano, Donald Trump, aliviou o bloqueio petrolífero de fato que impõe à ilha desde janeiro, com a permissão de entrada de um petroleiro russo no país nesta semana.

Em 12 de março, o governo cubano anunciou a libertação antecipada de 51 presos como gesto de "boa vontade" com o Vaticano, mediador histórico entre Havana e Washington.

Os Estados Unidos declararam estar cientes das solturas iniciadas nesta sexta-feira e exigiram de Havana "a libertação imediata das centenas de outros corajosos patriotas cubanos que permanecem detidos injustamente", segundo um porta-voz do Departamento de Estado.

O governo cubano não divulgou os nomes dos indultados nem especificou os crimes abrangidos pelo indulto, mas ressaltou que as libertações levam em conta o tipo de crime, a conduta na prisão, motivos de saúde e o tempo já cumprido.

"Obrigado por esta oportunidade que nos deram", declarou Albis Gaínza, de 46 anos, que foi condenado a seis anos de prisão por roubo e cumpriu metade da pena.

Entre os beneficiados há "jovens, mulheres, adultos com mais de 60 anos", assim como "estrangeiros e cidadãos cubanos residentes no exterior", segundo o texto do indulto.

"Esta é uma oportunidade que só aparece uma vez na vida (...) a gente já sofreu demais, e as nossas mães também", disse Brian Pérez, de 20 anos, que cumpria pena por agressão.

Damián Fariñas, também de 20 anos, disse que sua libertação é "uma bênção muito grande" que "enche de felicidade" sua família. O jovem havia sido condenado por roubo e permaneceria preso por mais um ano e dois meses.

Petroleiro russo chega a Cuba, depois de meses de bloqueio dos EUA

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O indulto descarta pessoas que cometeram "crimes de agressão sexual, pedofilia com violência, assassinato, homicídio, drogas, furto e (...) roubo com violência ou força com utilização de armas", bem como "corrupção de menores, crimes contra a autoridade, reincidentes e multirreincidentes".

O grupo de defesa dos direitos humanos "Justicia 11J" considerou "especialmente preocupante a menção dos chamados 'delitos contra a autoridade', que incluem figuras como atentado, resistência e desacato".

Presos reencontram familiares após concessão de indulto em Cuba — Foto: AFP

Em um comunicado, a ONG ressaltou que estas figuras delitivas são usadas pelas autoridades cubanas para "criminalizar" a atividade da oposição.

Segundo a Justicia 11J, Cuba tem 775 pessoas detidas por motivações políticas.

Depois do meio-dia desta sexta-feira, a ONG Cubalex, com sede em Miami, não havia conseguido confirmar a libertação "de nenhum preso político", declarou à AFP sua diretora, Laritza Diversent.

A Cubalex questionou a "falta de transparência neste processo" e recordou que, "historicamente, o uso do indulto em Cuba tem servido como ferramenta de troca política e propaganda, mais do que como um ato de justiça".

Trump não esconde o desejo de uma mudança de regime na ilha, considerada uma "ameaça excepcional" para a segurança nacional dos EUA por suas relações estreitas com Rússia, China e Irã.

O governo de Miguel Díaz-Canel anunciou há duas semanas que Cuba mantinha conversações com os Estados Unidos.

"Há todo um discurso e uma encenação sobre como não tem nada a ver com as negociações, quando claramente tem tudo a ver", disse à AFP Andrés Pertierra, historiador especializado em Cuba na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

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