O uso de fones de ouvido intra-auriculares é uma prática cotidiana para muitos brasileiros, que apreciam o isolamento de ruídos externos e a portabilidade dos “in-ears”. No entanto, essa proximidade entre o alto-falante e o tímpano intensifica o estímulo sonoro, aumentando a pressão sobre as delicadas estruturas do ouvido interno. Com o tempo, a exposição a volumes elevados pode causar microlesões irreversíveis em células sensitivas, levando a perdas auditivas progressivas.
Além de danos permanentes, esse hábito pode gerar sintomas como zumbido, sensação de ouvido tampado e dificuldade para compreender sons agudos. Para entender os riscos da exposição a longo prazo, o TechTudo conversou com o Dr. Carlos Eduardo Borges Rezende, otorrinolaringologia do Centro Universitário FMABC e com a fonoaudióloga Pâmela Oliveira, formada pela UFRJ. A seguir, você conhece em detalhes como o som age no seu ouvido, por que o risco é quase imperceptível no início, o que diz a ciência e as principais recomendações médicas, além de dicas práticas para prevenir danos em sua audição.
Fones de ouvido intra-auriculares podem causar danos irreversíveis se usados de forma incorreta — Foto: Reprodução/Freepik Perigos de uso incorreto de fones intra-auriculares
Veja, no índice abaixo, o que você vai encontrar nesta matéria:
- Como o som age dentro do ouvido
- Risco progressivo e quase imperceptível no início
- O que diz a ciência e as recomendações médicas
- Hábitos que agravam o problema e dicas para prevenção
- O problema não é o fone em si, mas o uso prolongado e em volume alto
- Dados oficiais sobre risco auditivo por fones de ouvido
- Apps que alertam para limites de volume
1. Como o som age dentro do ouvido
O som se propaga pelo canal auditivo até alcançar o tímpano, uma fina membrana que vibra em resposta às ondas sonoras. Essas vibrações são transmitidas pela cadeia de ossículos: martelo, bigorna e estribo, e chegam à cóclea, na orelha interna, onde a energia mecânica é convertida em sinais elétricos.
Dentro da cóclea, pequenas células ciliadas captam essas vibrações e liberam neurotransmissores que formam a mensagem sonora enviada ao cérebro pelo nervo coclear. Quando o volume está elevado ou o usuário permanece exposto por muito tempo, essas células são submetidas a um estresse maior, podendo se desgastar ou morrer.
“As ondas sonoras, a partir do momento que atingem o canal auditivo, passam pelo sistema tímpano-ossicular. A partir do movimento deste mecanismo, há a movimentação dos líquidos dentro da cóclea, que é o órgão da orelha interna onde estão situadas as células da audição. Essa estimulação leva a liberação de neurotransmissores, formando uma mensagem sonora enviada, através do nervo coclear ao sistema nervoso central”, complementa a fonoaudióloga Pâmela Oliveira.
Exemplo de fone de ouvido intra-auricular — Foto: Reprodução/Wired 2. Risco progressivo e quase imperceptível no início
A perda auditiva induzida por ruído costuma se desenvolver de forma lenta e sutil, sem sintomas evidentes nos estágios iniciais. O uso diário de fones intra-auriculares em volumes acima de 80 dB por mais de duas horas gera microlesões nas células ciliadas, cujos danos só se tornam aparentes quando a degeneração já está avançada. Segundo o Dr. Carlos, “volumes superiores a metade do potencial dos fones, e principalmente acima de 80 decibeis. Além de exposições por mais de duas horas diárias a fones de ouvido” aceleram esse processo.
No início, o usuário pode perceber um leve zumbido após remover os fones, ou uma pequena dificuldade para ouvir sons agudos em ambientes silenciosos. Com o tempo, essas queixas se tornam mais frequentes e podem evoluir para limiares auditivos permanentes. “
Modelos intra-auriculares são populares entre corredores — Foto: Reprodução/JBL 3. O que diz a ciência e as recomendações médicas
Organizações, como a OMS, alertam que 1,1 bilhão de jovens estão em risco de perda auditiva por exposição a ruído, incluindo fones de ouvido. O protocolo internacional sugere não ultrapassar 80 dB por mais de duas horas diárias e fazer pausas a cada 30 minutos de uso contínuo. Uma boa dica é alternar com fones de concha, que geram menos pressão no canal auditivo.
Além disso, a própria OMS estabelece tabelas que correlacionam níveis de pressão sonora ao tempo de exposição seguro. Exposições de 95–100 dB devem ser limitadas a 1–2 horas, enquanto ruídos de 105–110 dB não devem ultrapassar 15–30 minutos. A fonoaudióloga Pâmela Oliveira reforça que, mesmo com diretrizes, “é sempre necessário cuidado auditivo e tempo de exposição controlado, evitando ao máximo esses fatores”.
4. Hábitos que agravam o problema e dicas para prevenção
Entre os principais fatores de risco estão usar fones em volumes acima de 50% da capacidade, expor-se por mais de duas horas seguidas e não realizar pausas regulares. Da mesma forma, música com picos de som constantes acelera o desgaste das células ciliadas.
“O exame de audiometria é um padrão-ouro para identificar limiares auditivos e perda auditiva. É um exame de rotina que deve ser realizado anualmente”, aconselha a fonoaudióloga Pâmela Oliveira. Também detalhamos outras dicas importantes para usar corretamente esse tipo de fone de ouvido.
O uso prolongado de fones de ouvido está associado a problemas irreversíveis de audição — Foto: Freepik/Aleksandarlittlewolf 5. O problema não é o fone em si, mas o uso prolongado e em volume alto
Fones intra-auriculares aproximam o som diretamente do tímpano, mas isso não os torna perigosos por si só. O verdadeiro risco está na combinação de alta intensidade sonora e tempo excessivo de exposição. Quando o usuário mantém o volume acima de 50% à base de pressão sonora próxima às células ciliadas, a probabilidade de lesão aumenta significativamente.
“O equipamento intra-auricular é mais prejudicial porque o estímulo sonoro se faz mais próximo e consequentemente com maior energia sobre as células ciliadas da cóclea”, explica o Dr. Carlos Eduardo Rezende. Assim, mesmo modelos de alta qualidade podem causar danos se usados de forma inadequada.
Para minimizar esse risco, recomenda-se alternar com fones de concha, que ficam fora do canal auditivo, e manter o volume em níveis moderados. Além disso, fazer pausas regulares de 10 a 15 minutos a cada 30 minutos de uso ininterrupto ajuda a reduzir o estresse sobre o sistema auditivo.
Dessa forma, o usuário preserva tanto a integridade das suas células auditivas quanto a qualidade da experiência sonora a longo prazo.
6. Dados oficiais sobre risco auditivo por fones de ouvido
Segundo a OMS, exposições de até 80 dB por oito horas ou de 100 dB por 15 minutos geram danos às células ciliadas. No Brasil, as normas de segurança seguem parâmetros semelhantes, recomendando não ultrapassar 60% do volume máximo do dispositivo por mais de duas horas diárias. As diretrizes internacionais de saúde ocupacional também cruzam níveis de pressão sonora com tempo de exposição para limitar o risco de PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído).
Estudos mostram ainda que a maioria dos usuários não percebe o dano progressivo até que a perda já esteja instalada. Por isso, é fundamental adotar hábitos preventivos antes que ocorram sintomas como zumbido ou dificuldade de compreensão de fala.
“O simples aparecimento de zumbido já é sinal de alerta. Pode ser devido à perda auditiva induzida pelo ruído dos fones”, alerta o Dr. Carlos. Focar na prevenção e no monitoramento auditivo é a melhor estratégia para manter a saúde do sistema auditivo ao longo dos anos.
É importante realizar pausas no uso diário para evitar danos prolongados — Foto: Freepik/Drobotdean 7. Apps que alertam para limites de volume
Atualmente, existem diversos aplicativos que monitoram o nível de decibéis emitidos pelos fones e alertam o usuário quando o limite seguro é ultrapassado. Ferramentas como Decibel X e Sound Meter exibem gráficos em tempo real, permitindo ajustar o volume conforme a recomendação de até 80 dB.
Alguns players de música também incorporam controles de volume máximo, bloqueando ajustes acima de um determinado patamar. Essas soluções ajudam a criar consciência do impacto do som e a evitar excessos durante o uso diário.
Além disso, sistemas operacionais como iOS e Android possuem configurações nativas para notificar exposições sonoras prolongadas. A fonoaudióloga Pâmela Oliveira reforça que “usar apps que ajudem a controlar volume, bem como fazer pausas regulares, é fundamental para a conservação auditiva”. Ao combinar tecnologia e cuidados pessoais, é possível aproveitar os fones de ouvido sem comprometer a saúde auditiva, mantendo a música e as chamadas sempre dentro de limites seguros.
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