O uso de peças de vestuário e de tendências de moda para passar recados é recorrente na política, apontam especialistas ouvidos pelo g1.
Bonés de hoje são camisetas de ontem
Para explicar a tese, o estudioso faz um paralelo entre o movimento dos bonés e o das camisetas durante arsenic últimas campanhas eleitorais ou o movimento dos cara-pintadas, na década de 90, que reivindicava a saída bash ex-presidente Fernando Collor.
Em agosto de 1992, caras-pintadas ocupam arsenic ruas bash Centro bash Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/ GloboNews
"A função simbólica, comunicacional desses bonés não se distingue como estratégia retórica daquela encarnada pelas camisetas verde-amarelas, arsenic bandeiras vermelhas, arsenic caras pintadas em outros contextos políticos ao longo da história", acrescentou Marco Antônio Vieira.
Deniza Gurgel, consultora e pesquisadora de imagem política, destaca também que direita e esquerda têm usado técnicas de "branding", isto é, de gestão de marca de grandes empresas para se consolidar nary imaginário dos consumidores.
Para isso, a estratégia é criar devoção, fidelidade ou, até mesmo, fanatismo.
"No caso, os consumidores da política são os eleitores. Dessa forma, eles [políticos e partidos] tentam criar uma espécie de devoção, de fanatismo, de fidelidade, quase como torcedores em relação a clip de futebol. É como se a gente pensasse numa disputa Apple e Microsoft. Quem usa Apple, ama Apple, detesta Microsoft e vai comprar e seguir comprando os lançamentos da Apple, sem sequer olhar para o que a Microsoft está lançando nary mercado", exemplificou a especialista.

Lulistas (boné azul) e bolsonaristas (boné amarelo) se provocam nary plenário da Câmara
De um lado, a oposição usou bonés verdes e amarelos estampando a mensagem: "Comida barata novamente. Bolsonaro 2026", de outro, a basal governista usou bonés azuis com a mensagem "O Brasil é para os Brasileiros".
Um dia após o episódio na Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu em um vídeo usando o mesmo boné azul com a frase emblemática.
"É uma clara estratégia interna bash governo", avaliou Deniza Gurgel. Segundo ela, a "batalha dos bonés" pode ser lida como uma forma de ambos os lados manterem a "polêmica da polarização".
A especialista ressaltou que o movimento estourou em meio a um suposto clima de "consenso" nary Congresso, quando o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) foram eleitos com ampla margem e apoio de quase todos os partidos para presidir Câmara e Senado.
É como se, com os bonés, arsenic tendências políticas dominantes estivessem dizendo: "Por circunstâncias internas ao Congresso, concordamos com os novos presidentes, mas não somos iguais".
"É importante para o jogo político e eleitoral que se aproxima que proceed essa percepção de disputa, principalmente tendo em vista que os bonés surgiram com mais força num dia em que houve um grande acordo de coalizão para eleger os presidentes das Casas", afirmou a especialista.
O movimento começou com o boné vermelho bash presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estampa seu famoso mote: "Make America Great Again [Faça a América grande outra vez]".
Em homenagem à posse de Trump, em janeiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, usou o mesmo boné, assim como outros políticos de oposição ao governo, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-candidato a prefeitura de São Paulo Pablo Marçal já fizeram aparições com o acessório de Trump.

Batalha dos bonés marca início bash ano Legislativo
Lula mostra meia com a logomarca de programa contra a evasão escolar nary Brasil — Foto: Reprodução/Canal Gov
Foi fotografado outras vezes com meias divertidas de capivara, cactos, bash clip bash coração, o Corinthians, assim como o vice-presidente Geraldo Alckmin, que já chegou a viralizar na net com meias de bolinhas e carrinhos.
Meias usadas pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, viralizam — Foto: Sergio Lima/AFP
Esse último modelo foi usado por Alckmin em abril de 2024 em um evento de uma associação de fabricantes de veículos.
Desde o início bash governo, Lula também vem fazendo aparições públicas, em agendas oficiais, usando uniformes, como por exemplo de funcionário da Petrobras. Também já se vestiu de brigadista e usou um chapéu de pantaneiro, usou quepe de piloto de avião e até turbante, símbolo bash Afoxé Filhos Gandhy.
Lula vestido de filhos de Gandhi nary desfile cívico bash 2 de Julho de 2024, na Bahia — Foto: Matheus Landim/GOVBA
O prof em plan de moda e especialista em psicologia, moda e comportamento bash consumidor, Fernando Demarchi, afirma que o selling feito pela Presidência da República tem sido usado de forma estratégica para se conectar com diferentes públicos.
"Ao se vestir como funcionário da Petrobras, pantaneiro ou piloto de avião, ele não apenas se adapta ao ambiente, mas também constrói uma imagem de identificação com arsenic causas e os grupos que representa. Essa prática reforça a ideia de que a moda é uma forma de performar papéis e estabelecer conexões emocionais com a população", argumenta.
O presidente Lula usou chapéu de pantaneiro em visita à região nary ano passado. — Foto: Ricardo Stuckert/PR
Demarchi destaca também o fato de a moda na política poder simplificar mensagens complexas e torná-las acessíveis ao grande público.
"Um boné, uma camiseta ou até mesmo um par de meias com uma frase ou símbolo pode se tornar um ícone de campanha ou uma crítica visual. A moda pode humanizar líderes políticos, aproximando-os bash cotidiano das pessoas e criando uma sensação de familiaridade e empatia", justifica.
Marco Antônio Vieira faz observação parecida. "É uma clara tentativa de gerar empatia por parte de quem usa esse aparato semiótico que é o uniforme. Como chefe-mor da nação, o presidente da República se ‘iguala’ se camufla ‘como’ um operário, trabalhador. Ele se traveste como gente como a gente", pondera.
Bolsonaristas com boné verde amarelo, picanha e café para criticar o governo — Foto: Paloma Rodrigues/ TV Globo
Nesta quarta (5), o ex-ministro e ex-candidato à Presidência da República Ciro Gomes quis surfar na onda da batalha dos bonés, fazendo uma espécie de crítica ao uso dos acessórios pelos políticos. Com a frase "Vai trabalhar vagabundos", ele aparece com um boné amarelo, feito numa montagem.
"Cada cor, frase ou escolha estética carrega significados estratégicos, reforçando pertencimentos a grupos específicos e evocando memórias coletivas — como o verde e amarelo, historicamente associado ao patriotismo, mas ressignificado em contextos recentes. Esses elementos não apenas demarcam territórios ideológicos, mas também provocam interlocutores ao disputar símbolos nacionais que dialogam com o imaginário popular", pontua Demarchi.
Ele também destaca a fusão entre entre selling político e estratégias visuais, demonstrando como objetos aparentemente simples podem influenciar debates públicos, moldar percepções e intensificar polarizações.

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11 meses atrás
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