"Estou aqui para dar porrada em todo mundo. Não interessa se é direita ou esquerda. A nossa palavra é liberdade. A democracia é respeitar o princípio do contrário, aqui fala todo mundo. Não é porque vamos estrear com o Boulos aqui que não pode ter aqui o Kassab, o Tarcisio…"
Assim o jornalista José Luiz Datena estreou o programa "Alô Alô Brasil" na Rádio Nacional, canal da estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), na manhã desta segunda (23).
Com alcance nacional, a atração será transmitida ao vivo, das 8h às 10h, de segunda a sexta-feira, em todas as emissoras da rede. Pelo canal da Rádio Nacional no Youtube, é possível ver ao vivo as gravações do programa.
Não é só. Na terça da semana que vem, às 21h do dia 3, estreará "Na Mesa com Datena", análise semanal dos principais temas da agenda nacional.
O jornalista iniciou sua carreira no rádio esportivo aos 15 anos, antes de se tornar nacionalmente conhecido em programa policiais de TV.
Nos estúdios da Rádio Nacional em São Paulo, sem seguir um roteiro rígido, Datena esperava entrevistar o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) apenas no final do programa. Mas o político tinha viagem agendada para Brasília e apareceu no início.
Datena aproveitou para brincar. "Não imaginei que ministro acordasse às 5h da manhã. Alguns devem acordar meio-dia..." Em seguida, lembrou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024, na qual concorreu pelo PSDB e contra Boulos. Saiu da eleição em quinto lugar, com 1,83% dos votos, o pior desempenho já registrado pelos tucanos na capital paulista.
"Debate foi a pior coisa da minha vida. Político se comunica muito diferente do comunicador. Achei que ia engolir os políticos e fui engolido", disse o apresentador.
Datena não poupou o ministro e fez perguntas sobre assuntos em voga, como os Tapajós, que ocupam um porto em Santarém (PA) contra dragagens na amazônia, a escala 6 x 1 e o desfile da escola de samba que homenageou Lula.
Também apertou o entrevistado para saber se ele sairá para o Senado nas eleições deste ano. Boulos saiu pela tangente.
Para o diretor-presidente da EBC, Andre Basbaum, "não dá para ter o Datena e achar que ele vai fazer jornalismo chapa-branca". Foi Basbaum, jornalista com 27 anos de televisão, quem batalhou por Datena na estatal.
"Ter um cara como ele no time faz diferença. Ter um cara como ele na Rádio Nacional também faz diferença. A rádio está fazendo 90 anos, e a gente quis investir em jornalismo ao vivo. É o que dá audiência e é o que vai dar relevância e credibilidade para o veículo", disse o diretor.
Situação curiosa ocorreu na entrevista com Boulos, quando Basbaum, que acompanhava a estreia de dentro do estúdio, fez um comentário elogiando o possível fim da escala 6 x 1, mesma posição defendida pelo ministro.
Datena não deixou passar: "Eu peço perdão pela intervenção do nosso presidente. Ele é presidente da EBC, mas eu não levantaria essa bola para você [Boulos]. Não estamos aqui para ajudar o entrevistado porque é do governo. Eu não levantaria essa bola para você."
"Está certo ele, o Datena fez bem em me colocar no meu lugar", afirmou bem-humorado Basbaum após o programa. "Eu não devia ter feito o comentário e ele foi muito bem de ter de ter dito algo como ‘você é o presidente da empresa, mas não dá pitaco aqui'."
No programa, Datena perguntou ao ministro se o desfile da Acadêmicos de Niterói foi discutido no Palácio do Planalto e se foi um erro. Boulos disse que a escola de samba fez uma "homenagem corajosa e pagou o preço por isso no rebaixamento".
"Não foi o governo que resolveu fazer, não foi uma empresa do governo. O Lula não desfilou, o Lula assistiu lá no camarote. Qual é o crime eleitoral que tem aí? Ouvir os mesmos bolsonaristas, que usaram a Polícia Rodoviária Federal para impedir os eleitores do Lula de votar lá no Nordeste, falando de crime eleitoral de boca cheia? Eles não têm autoridade moral", respondeu o ministro.
Questionado se sairá candidato ao Senado, o ministro tergiversou várias vezes, enquanto Datena insistia. No final, Boulos disse que "se lhe for dada uma missão, aceitará".
Datena ter ficou conhecido em atrações sensacionalistas como o "Cidade Alerta", na Record, ou o "Brasil Urgente", na Band.
Em dezembro, a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e sindicatos criticaram o plano da EBC de contratá-lo, revelado pela Folha, e disseram, em nota, que o apresentador "consolidou um tipo de jornalismo marcado pelo desrespeito sistemático aos direitos humanos e pelo proselitismo político".
"Esses programas têm um teor mais de fundo retrógrado, muito conservador, mas ele nunca foi esse cara. Eu sempre soube disso", disse Basbaum nesta segunda .
Sobre isso, Datena também tem seus pensamentos, divididos com a audiência na manhã desta segunda, quando comentou sobre o avanço do crime organizado
"O programa vai ter notícia de polícia, porque a segurança pública é um assunto que interessa muito. Temos que nos unir contra o crime organizado. Já está nas fintechs e, de repente, na Bolsa de Valores. Alguns imbecis diziam que eu era sensacionalista. Olha agora."

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