A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegais as sobretaxas impostas por Donald Trump a produtos importados trouxe alívio tarifário apenas parcial para a indústria do Rio Grande do Sul. Estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) revela que a redução das tarifas foi desigual entre os setores, beneficiando segmentos como metal, tabaco e couro e calçados, enquanto veículos automotores, farmoquímicos e madeira seguem entre os mais pressionados nas exportações para o mercado norte-americano.
O levantamento aponta que, do total de 83,3% de exportações gaúchas que seguem taxadas, agora amparadas pela Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, a maior parte passou a se concentrar na tarifa de 10%, que atinge 65,3% dos embarques. Outros 18% continuam enquadrados na Seção 232, mecanismo usado pelos Estados Unidos para aplicar tarifas adicionais a setores considerados sensíveis. Em alguns segmentos, antes bastante afetados pela sobretaxa, a quase totalidade das exportações passou a ficar concentrada na tarifa de 10%. É o caso de produtos de metal (99,7%), tabaco (100%), couro e calçados (100%), vestuário e acessórios (100%), têxteis (100%) e impressão e reprodução (100%).
Em outros setores, porém, a pressão segue maior. É o caso de veículos automotores, especialmente autopeças, em que 97,7% das exportações continuam enquadradas na Seção 232. A situação é semelhante em farmoquímicos (99,8%), madeira (82,4%), móveis (55,7%), metalurgia (47,3%), máquinas e equipamentos (43,7%) e borracha e plástico (42,2%). Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o cenário reforça a necessidade de manter as negociações com o governo americano.
"A situação é melhor do que antes, mas não é o ideal. Desde o início da aplicação das tarifas, defendemos a manutenção do diálogo com o presidente Trump. Mesmo com as recentes decisões, as taxações ainda afetam mais de 83% das exportações da indústria gaúcha para os Estados Unidos. É fundamental retomar as negociações bilaterais para buscar uma solução que elimine esses impactos e preserve a competitividade dos produtos do Rio Grande do Sul", avaliou, por meio de nota. Na prática, apenas 16,7% dos embarques do estado para os Estados Unidos estão totalmente livres de taxação.

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