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Decisão do Copom fora do padrão deixa mercados confusos e sem rumo

No comunicado considerado ambíguo publicado, o Copom, resumindo, estendeu o horizonte relevante de suas projeções para o primeiro trimestre de 2028, quando, agora em junho, o normal seria considerar projeções para a inflação até o fim de 2027.

Mais peso à atividade

As estimativas do próprio Copom para o horizonte relevante apontavam alta da inflação de 3,5% para 3,7%, entre as reuniões de maio e junho, no final de 2027. Mas, nas avaliações do próprio Comitê, se a política de juros endurecesse desde já, a inflação em março de 2028 corria o risco de ficar abaixo da meta de 3%.

Com essa manobra, o Copom decidiu, desta vez, dar um peso maior ao seu objetivo secundário de "suavizar as flutuações do nível de atividade econômica". Este mandato secundário em relação ao de manter a estabilidade de preços é sempre burocraticamente mencionado nas comunicações do Copom, mas raramente de fato levado em consideração, o que configurou mais uma novidade da decisão sobre juros em junho.

Para o Copom, a política de juros em prazos mais longos tem funcionado para conter a demanda, o que pode ser comprovado pela queda no ritmo de expansão da economia, no acumulado em 12 meses, apesar de oscilações em prazos mais curtos.

De fato, conforme o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), calculado mensalmente pelo Banco Central como prévia do PIB (Produto Interno Bruto), cujo resultado de abril também foi divulgado nesta quarta-feira, a atividade econômica recuou de 4% em junho de 2025 para 1,6% em abril de 2026.

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