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Desabamento de hospital obriga famílias a levarem corpos para necrotério na Venezuela

Uma caminhonete abarrotada de corpos em sacos brancos aguardava o lado de fora do necrotério de Caracas neste sábado (27). Com os hospitais sobrecarregados após os terremotos na Venezuela, famílias dos falecidos levam seus entes queridos para o local destinado a cadáveres.

Yessica Mendoza chegou ao necrotério de madrugada com o corpo da filha. Ela precisou transportá-lo em um carro específico devido à falta de serviços funerários.

Sua filha, Yesimar Rodríguez, de 25 anos, e seu gênero, Jhomel Anaya, de 26, ficaram presos sob os escombros quando o prédio onde moravam desabou no dia da tragédia que transformou sua cidade, La Guaira, no epicentro do terremoto.

“Tivemos que retirará-los nós mesmos; ninguém ajudou”, disse a mãe, de 43 anos.

Em apenas uma hora, a AFP viu pelo menos três caminhonetes chegarem ao necrotério carregando corpos cobertos com sacos e lençóis.

Ao passarem, os veículos deixaram um odor de acabamento.

Um funcionário, que pediu anonimato por não estar autorizado a falar, disse que pelo menos 200 corpos chegaram a este necrotério, sede do Serviço Nacional de Medicina Legal da Venezuela, desde sexta-feira (26).

Mendoza relatou que decidiu levar a filha ao necrotério porque no hospital Catia la Mar, em La Guaira, "os mortos estavam no chão".

O corpo da filha de Yessica Mendoza foi encontrado na sexta-feira; o corpo do gênero foi descoberto no dia anterior.

“Vamos cremá-los porque já estão em um estágio muito de avançado e não podemos fazer um veludo”, disse a mulher, com olhos profundos.

Pessoas recebem tratamento em um hospital de campanha após os terremotos em La Guaira, Venezuela, em 24 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Maxwell Briceno

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