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Desafio do desodorante no TikTok: o que é, e outras trends absurdas no app

O Desafio do desodorante voltou a ser notícia no Brasil. A trend viral do TikTok fez mais uma criança vítima no país — a quarta desde 2018. A menina, de oito anos, teve a morte confirmada no domingo (13), após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, a criança teria participado do desafio e inalado aerossol. Apesar de serem divulgadas como "brincadeiras" pelos incentivadores na rede social, as atividades representam sérios riscos à integridade física e à vida dos participantes. Pensando em como alertar sobre os perigos dessas trends, o TechTudo preparou uma matéria especial explicando o que é o Desafio do Desodorante e qual é o papel dos responsáveis na supervisão de menores de idade nas redes sociais. Confira a seguir.

 Mariana Saguias/TechTudo Desafio do desodorante no TikTok: conheça trend que vitimou menina de oito anos — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Desafio do desodorante no TikTok: o que é, e outras trends absurdas no app

Nesta matéria, o TechTudo falará sobre o Desafio do desodorante no TikTok. No índice abaixo, veja os tópicos que serão abordados.

  1. O que é o Desafio do desodorante?
  2. Quais implicações legais os incentivadores podem ter?
  3. Outros desafios no TikTok
  4. Idade mínima e supervisão dos responsáveis

1. O que é o Desafio do desodorante?

O Desafio do desodorante viralizou no TikTok em 2016. A prática consiste em inalar, pelo maior tempo possível, o aerossol liberado pelo desodorante. No entanto, o desafio é extremamente perigoso, já que o aerossol contém substâncias tóxicas que podem provocar reações alérgicas severas, lesões pulmonares, arritmia cardíaca e até morte por asfixia. De acordo com especialistas, a sensação causada pela inalação é semelhante à de um afogamento.

Diante do avanço dessas chamadas "brincadeiras", a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar, desde 2019, os chamados "jogos perigosos" como um distúrbio comportamental, incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID). Segundo a entidade, esses desafios "aumentam sensivelmente o risco de consequências prejudiciais à saúde mental ou física" dos participantes.

No Brasil, a primeira morte associada ao Desafio do desodorante foi registrada em 2018, em São Paulo. A vítima foi uma menina de somente sete anos. Quatro anos depois, em 2022, um menino de 10 anos morreu em Belo Horizonte após inalar o spray. Em março deste ano, outra garota, de 11 anos, também perdeu a vida em decorrência do desafio.

O caso mais recente envolvendo a trend ocorreu em Ceilândia, no Distrito Federal. A menina, de oito anos, foi levada ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC) na quinta-feira (10), após ser encontrada desacordada pelo avô. Segundo a Polícia Civil do DF, a criança inalou desodorante ao tentar reproduzir o desafio viral do TikTok e, por consequência, sofreu uma parada cardiorrespiratória e teve a morte cerebral confirmada no domingo (13).

 Gisele Souza/TechTudo Desafio do desodorante é responsável por casos de asfixia de crianças e adolescentes que usam o app — Foto: Gisele Souza/TechTudo

2. Quais implicações legais os incentivadores podem ter?

Embora o TikTok ainda não seja diretamente responsabilizado pelas mortes, as autoridades irão investigar se houve falhas da plataforma no controle de acesso de crianças abaixo da idade mínima permitida, que é de 13 anos. Já os responsáveis por divulgar esse tipo de conteúdo podem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado, com agravante por envolver uma vítima menor de 14 anos. Se condenados, os incentivadores do desafio podem pegar até 30 anos de reclusão.

 Raquel Freire/TechTudo Legislação ainda não permite responsabilização direta do TikTok — Foto: Raquel Freire/TechTudo

3. Outros desafios no TikTok

Os desafios são comuns no TikTok. Embora muitos sejam apresentados como "brincadeiras", alguns têm potencial para colocar em risco a integridade física dos participantes. Um dos exemplos é o chamado "Dia Nacional do Estupro", que circula na rede social como se o crime fosse legalizado no dia 24 de abril. Além de incentivar a ação criminosa, a trend mexe com o psicológico de pessoas que já foram vítimas.

Outro exemplo é o “Desafio Tranquilo”, que incentiva o uso do medicamento Clonazepam e obriga o usuário a permanecer acordado. Além dos diversos efeitos colaterais associados ao remédio, seu uso sem prescrição médica pode causar overdose e colocar a vida em risco.

Há também o “Sopro do Dragão”, no qual usuários consomem alimentos mergulhados em nitrogênio líquido, criando um efeito visual semelhante ao de um dragão soltando fumaça pela boca e pelo nariz. Apesar do apelo visual, os riscos são sérios: podem ocorrer dificuldades respiratórias e danos aos órgãos internos.

Outros desafios igualmente perigosos incluem o Blackout Challenge, o Frango com Nyquil, o Desafio do Benadryl e o Chroming Challenge — todos com potenciais consequências graves à saúde dos participantes.

 Reprodução/TikTok Desafio que coloca xarope para gripe no frango é um risco para a saúde — Foto: Reprodução/TikTok

4. Idade mínima e supervisão dos responsáveis

Segundo as Diretrizes da Comunidade e de Segurança e Bem-Estar dos Jovens, os usuários devem ter, no mínimo, 13 anos para acessar o TikTok. Caso a plataforma identifique que um perfil é administrado por uma criança fora da faixa etária permitida, a conta pode ser banida.

No entanto, a principal forma de evitar que crianças participem de desafios perigosos — como o que vitimou a menina Sarah — é a supervisão dos responsáveis. Os pais devem estar atentos ao conteúdo que os filhos consomem nas redes sociais. O diálogo é uma peça fundamental nessa engrenagem, pois, mesmo que a criança não tenha acesso direto em casa, ela pode ser exposta a esses temas em conversas na escola com os colegas.

Orientar sobre os riscos e perigos é a melhor forma de promover a conscientização. Mostrar as possíveis consequências graves desses desafios também é uma ferramenta importante para proteger as crianças no ambiente digital.

 Mariana Saguias/TechTudo Participação dos responsáveis na supervisão dos menores na rede social é fundamental — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

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