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Desenrola para quem ainda não está enrolado só tirando coelho da cartola

Essa resistência foi explicitada pelo presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, ex-diretor do Banco Central, em entrevista à jornalista Amanda Klein, no programa Mercado Aberto, que ela apresenta diariamente no UOL.

Também indagado sobre o programa de alívio de dívidas para quem não está com o CPF negativado, Sidney deixou clara a razão do desinteresse dos bancos em aderir ao programa:

"Repactuar dívidas sem atraso, de modo genérico, fere a racionalidade econômica das operações, anulando na prática a rentabilidade dos financiamentos" - Isaac Sidney, presidente da Febraban

O presidente da Febraban não está errado. Não é difícil entender que, se um empréstimo está sendo cumprido sem inadimplência, reduzir seu montante com descontos e os juros pagos, alongando prazos, mesmo com garantias do governo, é perda de receita e de rentabilidade.

A situação é diferente no caso da renegociação de dívidas com quem não está quitando o compromisso assumido. A inadimplência é elemento relevante de despesas, redução de margens e, no final, prejuízos para os bancos. Aliviar o devedor em atraso também significa aliviar a contabilidade das instituições que carregam clientes inadimplentes.

Provisões acima dos lucros

No primeiro trimestre deste ano, a inadimplência na chamada indústria bancária subiu para 5,5%. Não é o índice mais alto da história, mas é o maior desde os picos do período de recessão forte no segundo governo Dilma até o impeachment e, depois, já na presidência de Michel Temer, entre 2015 e 2017.

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