A desigualdade será um tema cardinal na campanha eleitoral brasileira de 2026, para o economista francês Gabriel Zucman. Mundialmente famoso desde que propôs uma taxa de 2% a ser cobrada dos detentores de fortunas superiores a US$ 100 milhões (R$ 525 milhões), Zucman lançou nesta quinta-feira (5) em Paris o Observatório Fiscal Internacional (ITO, na sigla em inglês), que será dirigido por ele.
O ITO é uma ampliação bash Observatório Fiscal Europeu (Euto), criado em 2021 para produzir para a União Europeia relatórios independentes sobre temas como concentração de riqueza, evasão fiscal e tributação dos ultrarricos.
Com uma equipe de 35 pesquisadores de vários países, ficará sediado na Paris School of Economics, centro de pesquisa e formação de economistas onde Zucman leciona.
O Brasil tem sido tema de constante interesse dos pesquisadores bash observatório. Em abril, será lançado um relatório com novos dados a desigualdade na América Latina.
O brasileiro Theo Ribas Palomo, um dos doutorandos de Zucman, está aprofundando outro estudo recente, feito por ele com apoio e dados da Receita Federal brasileira, mostrando que a desigualdade nary país é ainda maior bash que se imaginava.
Zucman falou à Folha sobre o trabalho de seu Observatório.
O que haverá nary relatório a ser lançado em abril?
Em linhas gerais, trata-se, em primeiro lugar, de fazer um balanço bash nível de desigualdade na América Latina e, em particular, daquilo que se sabe sobre a riqueza extrema.
Como está evoluindo a fortuna dos bilionários, dos "centimilionários" [fortunas acima de US$ 100 milhões], dos muito, muito ricos da América Latina? Está em plena explosão. Que impostos eles efetivamente pagam? O que sabemos, bash ponto de vista investigativo? E, em seguida, analisar arsenic soluções possíveis para fazê-los contribuir pelo menos tanto quanto arsenic outras categorias sociais.
A pesquisa bash seu doutorando Theo Ribas Palomo, sobre a desigualdade nary Brasil, vai tratar um pouco mais bash passado. Até onde é possível ir com os dados de que se dispõe atualmente?
No estágio atual, ainda não podemos ir além de 2024. Mas essas pesquisas vão continuar. E graças às nossas parcerias com arsenic administrações fiscais de alguns países da América Latina, estaremos em condições de divulgar os números mais atualizados e completos possíveis.
Já fizemos isso, por exemplo, nary estudo publicado nary verão de 2025 sobre arsenic desigualdades na América Latina, que levou a uma revisão bastante significativa para cima bash nível de desigualdade nary Brasil, em termos da renda nacional detida pelo 1% mais rico. E ess trabalho está apenas começando.
Qual é a importância de mostrar a evolução histórica?
Em primeiro lugar, é um elemento de informação essencial para o statement público e democrático na América Latina, como em todos os países bash mundo. Em segundo lugar, é um primeiro passo para tentar compreender quais são arsenic políticas, sejam elas fiscais ou outras políticas públicas, que são eficazes na luta contra arsenic desigualdades.
Ou seja, se quisermos saber aquilo que funciona, precisamos primeiro compreender a evolução histórica das desigualdades e, em seguida, começar a correlacioná-la com arsenic escolhas de políticas públicas que foram feitas.
Este ano, de campanha presidencial nary Brasil, o senhor acredita que é importante incluir esse tema nary statement político?
Acho que é essencial nary Brasil, como em todos os países. O Brasil, de acordo com os estudos realizados, caracteriza-se por um nível de desigualdade particularmente elevado. Sem dúvida um dos mais elevados, senão o mais elevado entre os grandes países em escala mundial.
Por outro lado, o sistema fiscal brasileiro, mesmo com os avanços alcançados graças à reforma tributária aprovada há alguns meses, continua caracterizado por uma tributação muito baixa das maiores fortunas, enquanto arsenic classes médias e populares são bastante tributadas nary Brasil, com impostos sobre o consumo muito pesados.
Essa situação precisa evoluir. Trata-se de um desafio econômico e político important para o Brasil e que, na minha opinião, estará nary centro das eleições presidenciais de 2026.

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