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Detox digital funciona? Veja os benefícios de ficar longe do celular

Em um mundo em que o celular se tornou quase uma extensão do corpo, muita gente tem buscado formas de se desconectar. O chamado detox digital propõe exatamente isso: reduzir, de forma consciente e equilibrada, o tempo de uso de telas para melhorar a saúde mental, emocional e física. Mas será que essa prática funciona mesmo ou é só mais uma moda passageira?

Nesta reportagem, o TechTudo falou com especialistas que explicaram o que é, de fato, o detox digital, quando ele é recomendado e quais são os principais benefícios comprovados pela ciência. Também abordamos os riscos do uso excessivo de celulares, as consequências para o corpo e a mente, e trazemos dicas práticas para quem quer começar a se desligar — sem culpa, sem rigidez e com mais presença no mundo real. Confira.

 Reprodução/FreePik atividades relaxantes associadas ao bem-estar mental e físico — Foto: Reprodução/FreePik

O que é Detox digital e como funciona? Veja o índice a seguir:

TechTudo reuniu cinco coisas que você precisa saber sobre detox digital no texto abaixo. A seguir, confira os tópicos que serão abordados neste guia.

  1. O que é detox digital?
  2. Quais os benefícios do detox digital, segundo a ciência?
  3. Quais os riscos do uso excessivo de celular e redes sociais?
  4. O que dizem os especialistas?
  5. Dicas práticas para fazer um detox digital leve e funcional

1. O que é detox digital?

Em tempos de notificações constantes e redes sociais que nunca dormem, o Detox Digital vem ganhando força como estratégia de bem-estar. A proposta é simples: reduzir conscientemente o tempo de exposição a telas e se reconectar com a vida offline. Ao contrário da abstinência total de tecnologia, o detox não exige um rompimento brusco com o mundo digital, mas sim limites mais saudáveis no uso de celulares, redes sociais e outros dispositivos.

A origem do conceito está ligada a movimentos de autocuidado e saúde mental que cresceram principalmente após a pandemia. O excesso de estímulos digitais levou especialistas a repensar o impacto da hiperconectividade. Sendo assim, detox é recomendado em casos de ansiedade, compulsão digital e prejuízos na concentração. É uma pausa indicada para reequilibrar mente e corpo.

 Divulgação/Wellhub O Gympass (Wellhub) é uma ótima opção para colaboradores que querem iniciar uma atividade física sem investir muito — Foto: Divulgação/Wellhub

Segundo especialistas, o detox digital não é sobre demonizar a tecnologia, mas entender quando ela está ocupando espaço demais. A neuropsicóloga Joyce Botte explica que o processo é eficaz quando há conscientização:

“Não é sobre parar totalmente, mas sobre construir novos repertórios saudáveis”.

Já a psicoterapeuta junguiana Karina Stryjer afirma que o detox pode gerar resultados positivos significativos: “ele traz benefícios para a saúde mental, cognitiva e até para as relações interpessoais”.

O importante é saber quando o uso está interferindo negativamente na vida. Perder o sono, ficar irritado ao se afastar do celular ou se sentir constantemente ansioso são sinais de que algo precisa mudar. Nesses casos, o detox é um caminho viável, e comprovado, para restaurar o equilíbrio emocional.

2. Quais os benefícios do detox digital, segundo a ciência?

Estudos científicos já demonstraram que o afastamento temporário das telas pode gerar impactos positivos na saúde mental. Uma revisão de Radtke R — usada no artigo: A Comprehensive Review on Digital Detox: A Newer Health and Wellness Trend in the Current Era — com mais de 3 mil participantes, identificou melhorias em aspectos como bem-estar, produtividade e sono após intervenções digitais.

Outro estudo, feito por Coyne e Woodruff, revelou que jovens que reduziram o uso de redes sociais a 30 minutos por dia relataram menos ansiedade, sono de melhor qualidade e mais satisfação com a vida. Esses dados reforçam a eficácia do detox, especialmente quando aplicado com planejamento. A ideia de limitar a dopamina gerada pelas notificações e pela rolagem infinita também contribui para o autocontrole emocional e o foco.

 Reprodução/Freepik/wayhomestudio Saúde e bem-estar — Foto: Reprodução/Freepik/wayhomestudio

Na prática clínica, os benefícios também se mostram evidentes. Joyce Botte destaca que o detox estimula o desenvolvimento social: “A pessoa começa a criar vínculos reais, descobre hobbies e amplia seu repertório emocional”. Já Karina Stryjer pontua que o afastamento das telas promove autoconhecimento e presença no momento atual: “Você consegue notar as sutilezas e estar mais envolvido com as relações reais”.

Outro benefício apontado é a redução do estresse — a ausência de estímulos constantes permite que o cérebro desacelere e retome o controle da atenção. Com menos distrações, a mente se reorganiza e até a memória melhora. Ou seja, longe de ser um modismo, o detox digital tem respaldo científico e clínico.

3. Quais os riscos do uso excessivo de celular e redes sociais?

Apesar de seus benefícios, o uso excessivo de tecnologia pode trazer sérios riscos à saúde física e mental. A exposição prolongada às telas afeta a visão, provoca dores no pescoço e nas mãos e aumenta a fadiga mental. A chamada síndrome do pescoço de texto é cada vez mais comum entre jovens e adultos.

Além disso, o excesso de dopamina liberada pelas notificações de redes sociais como Instagram ou TikTok cria uma dependência que dificulta o desligamento, mesmo fora do horário de trabalho ou lazer. Isso pode impactar diretamente no sono, na produtividade e na qualidade de vida. O cérebro fica em estado constante de alerta, o que leva à exaustão.

 Reprodução/Pró Visão Clínica Oftalmológica em Macapá Pessoa sofrendo com fadiga ocular — Foto: Reprodução/Pró Visão Clínica Oftalmológica em Macapá

No campo psicológico, os impactos também são profundos. A ansiedade digital, a sensação de estar sempre “atrasado” ou “por fora”, e a comparação com vidas idealizadas nas redes sociais podem gerar quadros de depressão, baixa autoestima e isolamento. “A rede social rouba o olho no olho, o abraço, a conversa íntima”, afirma Karina Stryjer.

A dependência digital também prejudica a concentração e o desempenho acadêmico, especialmente em jovens. Joyce Botte alerta que, entre crianças e adolescentes, o uso excessivo compromete funções executivas e o desenvolvimento cognitivo. Ou seja, o desequilíbrio digital não é apenas incômodo: ele é prejudicial à saúde.

4. O que dizem os especialistas?

A neuropsicóloga Joyce Botte reforça que o detox digital é eficaz quando há um plano claro e metas possíveis.

“Cortar o uso de forma radical pode causar sofrimento. O ideal é criar estratégias de uso consciente, com horários e finalidades específicas para cada atividade online”, diz.

Ela ainda destaca que os principais sinais de alerta são a compulsão pelas telas e a dificuldade em se desligar, mesmo quando se deseja. Em suas intervenções clínicas, observa ganhos em memória, foco e socialização. “Muita gente volta a ter hobbies, amplia o círculo de amigos e melhora até a autoestima”, complementa.

 Katerina Holmes/Pexels Crianças usando celular enquanto estudam — Foto: Katerina Holmes/Pexels

Karina Stryjer complementa dizendo que o corpo envia sinais quando o uso do celular está além do saudável. “Sentimentos de FOMO, ansiedade, mudanças de humor e perda de noção do tempo são sinais claros de dependência digital”, afirma. Para ela, o detox também permite reflexões mais profundas: “Ele traz à tona questões sobre como a pessoa conduz sua vida e suas relações”. Karina defende um equilíbrio digital conquistado por meio de pausas regulares, limites claros e substituições saudáveis. Ambas concordam: mais do que cortar, é preciso reaprender a usar a tecnologia com propósito.

5. Dicas práticas para fazer um detox digital leve e funcional

Desconectar pode parecer difícil, mas há formas simples de tornar o detox digital viável e até prazeroso. Uma das dicas mais eficazes é criar zonas livres de celular em casa, como o quarto ou o momento das refeições. Evitar o uso de telas antes de dormir também ajuda na qualidade do sono. O modo "Não Perturbe” e os recursos de limite de tempo disponíveis em celulares são aliados importantes para controlar o uso excessivo de aplicativos.

 Flickr / Ed Yourdon / CC BY-SA 2.0 Apple pode investir em ferramentas voltadas para a saúde e atividade física — Foto: Flickr / Ed Yourdon / CC BY-SA 2.0

Outra dica essencial é substituir o tempo online por atividades que tragam satisfação e conexão com o mundo real. Karina Stryjer sugere a leitura de livros físicos, caminhadas ao ar livre, hobbies manuais e conversas presenciais. Troque a rolagem passiva por momentos de presença ativa. Vale também fazer pausas intencionais durante o dia, praticar respiração consciente ou meditação rápida. O segredo está em tornar o detox algo funcional, sem culpa ou rigidez. Afinal, o objetivo não é excluir o digital da vida, mas encontrar um modo mais saudável e humano de se relacionar com ele.

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