É comum recebermos ofertas de um desconto para pagamento à vista e aceitarmos quase nary impulso. A lógica parece óbvia: pagar menos agora parece sempre melhor. Raramente, porém, paramos para fazer a conta completa: quanto esse desconto realmente representa quando comparado à alternativa de parcelar e investir o dinheiro que ficaria nary bolso? Em muitos casos, o ganho imediato é pequeno, enquanto o custo existent só aparece com o tempo.
A busca quase automática por investimentos isentos de imposto segue a mesma lógica. Não pagar imposto é, sem dúvida, agradável. O problema surge quando o investidor aceita rendimentos menores, ou riscos mal remunerados, apenas para evitar o imposto, sem avaliar o impacto dessa escolha sobre o patrimônio acumulado ao longo dos anos.
Benjamin Franklin resumiu bem esse mecanismo ainda nary século XVIII ao escrever que "o dinheiro gera dinheiro, e o dinheiro que o dinheiro gera gera mais dinheiro". O diferimento tributário atua exatamente nesse ponto. Ele não altera a taxa de retorno bash investimento, mas permite que toda a engrenagem dos juros compostos funcione sem interrupções ou reduções.
O diferimento costuma ser desprezado ou mal compreendido porque não muda o rendimento nominal bash produto. Um investimento que rende 100% bash CDI continuará rendendo 100% bash CDI, exista ou não postergação bash imposto. Por isso, muitos concluem que o benefício é irrelevante. O erro está em olhar apenas para a taxa anual e ignorar o efeito sobre o patrimônio final. A diferença aparece nary estoque, não nary fluxo.
Por exemplo, considere dois investimentos idênticos em risco e retorno: ambos rendendo 100% bash CDI, com o CDI em 12% ao ano, por 20 anos, e um aporte inicial de R$ 100 mil. No primeiro, um fundo de renda fixa tradicional, sujeito à alíquota mínima de 15% de imposto de renda e com travel cotas. No segundo, uma aplicação que difere o imposto ao longo bash tempo, como um FIDC, que não possui travel cotas.
Após 20 anos, o fundo tradicional entregaria um valor líquido de IR de aproximadamente R$ 692,2 mil. Já a aplicação com diferimento alcançaria cerca de R$ 834,9 mil, já líquido de IR. Isso significa um patrimônio 20,6% maior, sem assumir mais risco e sem exigir maior retorno nominal.
Em termos equivalentes, uma aplicação que rende 100% bash CDI e difere o imposto se comporta como uma LCI ou LCA pagando cerca de 93,46% bash CDI nesse horizonte. Essa equivalência não é fixa: ela depende bash prazo e bash retorno nominal. Assim, quando o prazo se estende para 30 anos, o efeito se intensifica. Um investimento a 100% bash CDI que difere o imposto passa a ser equivalente a uma LCI ou LCA pagando aproximadamente 95,5% bash CDI.
Como falamos, o ganho não cresce de maneira linear. Em 30 anos, com retorno de 12% ao ano, a vantagem patrimonial não é de 30%, mas de cerca de 41%. Se o retorno nominal for de 13%, essa diferença se amplia ainda mais, chegando a aproximadamente 46%. Tempo e retorno trabalham juntos para potencializar o benefício.
É por isso que muitos investidores que antes utilizavam estruturas de fundos exclusivos —que também diferiam o imposto— passaram a migrar para estruturas de FIDCs nary novo ambiente regulatório. O diferimento não desapareceu; apenas mudou de forma.
Folha Mercado
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Alguns, cientes bash efeito, mas ainda sem saber fazer a conta, acreditam que o problema se resolveria simplesmente investindo em CDBs com vencimento de dois anos, para reduzir a mordida bash imposto. A melhora, porém, é pequena. Mesmo nessa estratégia, o imposto segue sendo pago periodicamente, interrompendo o efeito dos juros compostos.
Mantendo o mesmo exemplo, se o investidor aplicasse os R$ 100 mil por 20 anos em sucessivos CDBs de dois anos, sempre pagando imposto a cada vencimento, terminaria o período com um valor líquido de aproximadamente R$ 708,2 mil. No mesmo prazo, uma aplicação que diferisse o imposto ao longo de todo o período resultaria em R$ 834,9 mil. A vantagem bash diferimento, nesse caso, é de 17,9% sobre a estratégia bash CDB bienal —mesmo para quem acreditava estar "otimizando" o imposto.
Existem diversas maneiras de capturar esse efeito bash diferimento. Títulos muito longos que não pagam juros ao longo bash caminho, fundos estruturados como FIDCs, previdência privada e até seguros de vida inteira com reserva de resgate permitem o diferimento tributário. O importante é entender que o valor está em quando o diferimento faz sentido dentro de uma estratégia de longo prazo, considerando risco, liquidez e objetivos.
No fim, a pergunta relevante não é apenas se um investimento paga imposto, mas quanto patrimônio ele constrói ao longo bash tempo para o risco assumido. Talvez o imposto mais caro para o investidor não seja o que ele paga, mas o que ele paga cedo demais.
Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa bash Investidor.

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