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Disputa pelo Senado em SP tem direita rachada e esquerda indefinida

A disputa pelo Senado em São Paulo opõe um racha interno no PL pela escolha de um candidato e a indefinição da esquerda em relação à chapa completa.

Neste ano, duas das três cadeiras de cada estado estarão em disputa —ou seja, serão eleitos para o Senado os dois mais votados. Em São Paulo, os senadores Mara Gabrilli (PSD) e Giordano (sem partido) encerram seus mandatos, enquanto Marcos Pontes (PL), eleito em 2022, fica no cargo até 2031.

O prazo para as filiações partidárias se encerra em 6 de abril, enquanto o prazo para que os partidos definam e registrem seus candidatos é 15 de agosto. Tanto o presidente Lula (PT) quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estabeleceram a conquista de maioria no Senado uma das prioridades em 2026.

Na esquerda, que tem o PT, o PSB e o PSOL como principais legendas, os nomes que despontam para as urnas são Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSB), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (MDB) e Márcio França (PSB). Com exceção de Marina, os demais são cotados para concorrer também ao Palácio dos Bandeirantes.

Já na direita, considerando que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tente a reeleição, a sua chapa teria o ex-secretário da Segurança Guilherme Derrite (PP) na disputa do Senado e um segundo nome ainda indefinido. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tenta emplacar a deputada federal Rosana Valle (PL).

Segundo interlocutores da deputada, foi a ex-primeira-dama quem sugeriu que o PL testasse o nome da aliada em pesquisas eleitorais. O desempenho de Rosana em levantamento da Paraná Pesquisas divulgado em dezembro, quando marcou 8% das intenções de voto, teria surpreendido Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

Aliados de Rosana afirmam, porém, que há o receio de entrar numa disputa difícil e não se eleger, ficando sem mandato.

"Sei que qualquer definição sobre 2026 passa pelo PL, pelas composições e pelo momento adequado. Meu foco segue sendo a reeleição como deputada federal e o mandato que exerço atualmente", disse a deputada em nota enviada à reportagem.

A vaga em aberto seria originalmente do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que se mudou para os EUA. A reportagem tentou contato com Eduardo, sem sucesso.

Em vídeo publicado na terça-feira (20), ele diz que Rosana "pode ser a melhor pessoa do mundo, mas não é conhecida". Ressaltou que a deputada não fez qualquer publicação em defesa da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Os preferidos de Eduardo são dois ex-assessores seus: o deputado estadual Gil Diniz (PL) e a vereadora em São Paulo Sonaira Fernandes (PL). Na gravação, ele citou Gil e Sonaira como pessoas próximas que não titubearam em nenhuma votação.

Interlocutores do clã dizem que Eduardo mencionou sua preferência por Gil em uma carta enviada ao pai no fim do ano passado. Pesa contra o deputado, porém, a relação desgastada com Tarcísio, em função das críticas para que o governador assuma posições alinhadas com o bolsonarismo. Já contra Sonaira há o fator da viabilidade eleitoral, considerando que ela teve uma votação tímida para a Câmara Municipal em 2024.

Eduardo também opinou sobre o deputado federal Ricardo Salles (Novo), rompido com a família Bolsonaro desde 2024. Afirmou que Salles "não é má pessoa, tem muitas qualidades", mas indicou que não seria sua escolha. "Se eu não vou concorrer, tenho que colocar alguém minimamente próximo a mim."

Outro nome citado pelo filho do ex-presidente foi Mário Frias (PL), ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro. "Saiu pesquisa aí colocando o Mario Frias muito bem no segundo voto. Tenho certeza de que, se ele receber apoio do Bolsonaro, vira favorito na hora", disse.

O ex-secretário publicou este trecho do vídeo em sua página no Instagram, agradecendo ao filho do ex-presidente pela menção. À reportagem Frias diz não ter interesse em cargos, mas que cumprirá qualquer missão dada pela família Bolsonaro.

Há, porém, um empecilho: a relação de Mario com Michelle é ruim desde que ele criticou publicamente um projeto de lei endossado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada da ex-primeira-dama.

Também é cotado para concorrer o deputado federal Marco Feliciano (PL), que afirmou estar à disposição do partido. Ele tem um histórico de colaboração com o ex-presidente na atuação contra o chamado "kit gay", mas, em 2022, Bolsonaro decidiu apoiar o astronauta Marcos Pontes (PL) para o Senado, em detrimento de Feliciano.

Outro nome mencionado por bolsonaristas é o do vice-prefeito da capital paulista, coronel Ricardo Mello Araújo (PL).

INDEFINIÇÃO NA ESQUERDA

Em relação ao PT, além da dificuldade eleitoral histórica em um estado considerado conservador, será um desafio viabilizar um bom palanque para Lula em São Paulo, já que as principais apostas resistem a disputar o Palácio dos Bandeirantes, considerando que uma vitória de Tarcísio é dada como praticamente certa.

Alckmin tem dito a aliados que pretende concorrer novamente como vice-presidente, descartando a hipótese de governar o estado pela quinta vez e também de concorrer ao Senado.

Haddad afirma que não quer ser candidato e pretende trabalhar na campanha presidencial de Lula. Petistas ouvidos pela reportagem defendem que ele concorra ao Bandeirantes para repetir o feito de 2022, em que perdeu a eleição, mas alcançou um patamar importante de votos para Lula. Outros, porém, querem poupá-lo de uma eventual quarta derrota consecutiva em eleições.

Márcio França e Simone Tebet são cogitados tanto para o governo como para o Senado. França afirmou ao Painel que mantém o projeto de ser candidato ao governo pelo PSB mesmo com a possível filiação da titular do Planejamento ao partido.

Hoje no MDB, Tebet negocia mudar de partido e de estado, migrando de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Aliados da ministra dizem que ela poderia representar um obstáculo maior para Tarcísio, mas que seu papel será definido por Lula.

"Taticamente, temos que lançar dois nomes fortes da esquerda para que o segundo voto do eleitor não vá para um candidato da direita. Seriam dois nomes unificados, de forma coordenada", diz o deputado Jilmar Tatto, vice-presidente do PT.

Além de Marina Silva, petistas cogitam nomes como os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Luiz Marinho (Trabalho).

Assim como Tebet, Marina também precisa encontrar um novo partido para viabilizar a candidatura —o PT quer tê-la de volta na sigla, mas PSB e PSOL também são opções.

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