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É #FAKE que vídeo mostre navios de guerra do Japão no Estreito de Ormuz; imagens registram exibição militar de 2022

Post usa gravação antiga e mente que se trata de apoio do governo japonês a Trump. Procurada pelo Fato ou Fake, Embaixada do Japão negou qualquer envio de embarcações à região, que é vital para o transporte do petróleo mundial.


Japão não enviou navios para o Estreito de Ormuz — Foto: g1

  • Publicado em 22 de março no X, onde já foi visto mais de 126 mil vezes, o post exibe o vídeo de embarcações militares japonesas, incluindo um porta-aviões, em alto mar.
  • A legenda diz: "Por pressão do pedófilo, o Japão envia seus navios ao Estreito de Ormuz para ajudar Trump! O Japão se meteu numa fria e não vai sair nada bem dessa aventura. Seus navios não poderão retornar em segurança".
Mas isso não é verdade. Embora seja real — e não produto de inteligência artificial (IA) –, o vídeo mostra uma exibição militar ocorrida em novembro de 2022. Ao Fato ou Fake, a Embaixada do Japão no Brasil disse: ""Não há navios da Força de Autodefesa do Japão atualmente enviado para o Estreito de Ormuz. Esta postagem no X é uma informação falsa".

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⚠️ Por que o post é mentira?

Para confirmar a origem do conteúdo, o Fato ou Fake selecionou um frame (imagem estática) do vídeo viral e fez a busca reversa por essa "foto" no Google Lens. Essa pesquisa serve para verificar se um conteúdo havia sido reproduzido anteriormente na internet – e em que contexto.

O resultado apontou para um vídeo publicado em 6 de novembro de 2022 pela Jiji Press, uma agência de notícias japonesa. Naquele dia, a marinha japonesa realizou uma exibição de suas embarcações militares na Baía de Sagami, ao largo da costa da província de Kanagawa. Ao todo, 18 navios de 12 nações, incluindo Austrália, Canadá, Índia e Estados Unidos, bem como um total de seis aviões de combate franceses e americanos, participaram do evento.

O Fato ou Fake consultou Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV NPII), que explicou os limites impostos pela Constituição japonesa de 1947 sobre as Forças Armadas do país:

"A Constituição japonesa foi redigida sob a supervisão americana no Pós-Guerra, de maneira a tornar o Japão um regime pacifista, como se comprova pelo Artigo 9. Isso significa que as Forças Armadas japonesas são orientadas para a defesa do próprio território e priorizaram, ao longo de todas as últimas décadas, o uso de equipamentos mais defensivos, como sistemas anti-aéreos".

No entanto, o pesquisador analisa que recentemente o Japão aprovou um conjunto de leis de segurança que testam os limites da Constituição pacifista:

"A partir de 2015, o Japão teve uma mudança dessa lógica [de defesa]. Agora, existe em curso uma concepção de autodefesa coletiva, e não só autodefesa pura. A autodefesa pura é você pensar só no seu próprio território. Já a autodefesa coletiva permite ao Japão projetar poder de forma defensiva em apoio a aliados, quando um ataque contra eles ameaça a própria segurança do país. É nesse contexto que o Japão passou a comprar equipamentos mais ofensivos, comprar novos caças F-35 e reconfigurou porta-helicópteros para tornar dois porta-aviões operacionais".

Com relação à intervenção do Japão no Estreito de Ormuz, o pesquisador descartou o envio de embarcações de guerra no atual momento do conflito:

"Para garantir o domínio do Estreito de Ormuz, você teria que ocupar basicamente a parte sul do Irã, obviamente limpar todo tipo de equipamento de defesa e criar uma zona também de exclusão aérea para interceptar os drones que viessem de mais longe. Então, assim, é dificílimo [fazer isso]. O Japão não é o país que tem condição de ajudar nessa questão. O que o Japão já se colocou à disposição de fazer, eventualmente, num contexto em que o conflito já esteja arrefecido, uma embarcação chamada Mine Sweeper para desminar o Estreito. Mas fora isso, a capacidade militar do Japão é muito pequena".

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