Como seu chefe na época já complementava a renda vendendo pizzas artesanais, Di Blasi propôs parceria. Os dois trabalhavam em um banco de investimentos e, juntos, abriram a Tudo Akaba em Pizza, para fornecer pizzas com massas leves e bordas finas para eventos, somente nos finais de semana. O negócio foi aberto em 2012, no Rio.
Em 2014, a demanda cresceu muito e eles chegaram a realizar 40 eventos em um mês. O negócio precisava de mais dedicação e Di Blasi decidiu sair do banco. O seu sócio preferiu manter o emprego formal e deixou a sociedade. No mesmo ano, o empreendedor mudou o nome da empresa para Di Blasi Pizza.
Achei que daria para fazer as duas coisas [emprego formal e empresa] até que chegou ao ponto que a demanda cresceu e precisei me dedicar mais ao meu negócio Arnaldo Di Blasi, fundador e CEO da Di Blasi Pizzas
Experiência no Rock in Rio
Em 2017, a Di Blasi Pizzas participou do Rock in Rio. "Foi um grande desafio. Tive que me preparar rapidamente, mas deu super certo. Inclusive, durante o evento, percebi que poderia expandir os negócios para o modelo de delivery e, desta forma, alcançar mais gente", declara. Ele vendeu mais de 7.000 pizzas nos dias do festival.
Di Blasi saiu do Rock in Rio com a ideia de alugar um local para fazer o delivery, para vender a mesma pizza que era servida no buffet. "Não deu muito certo e o primeiro ano basicamente foi adaptando o produto para entregas", afirma.
Delivery explodiu na pandemia
No início, a Di Blasi Pizzas funcionava como buffet e delivery (apenas à noite). "Até que veio a pandemia. O buffet ficou inoperante. Em contrapartida, o delivery crescia. Logo no primeiro mês de pandemia, as vendas cresceram 50%. Com três meses, já havíamos crescido 150%", declara.
Cardápio tem mais de 70 sabores de pizza. Entre eles, há 11 opções veganas, como abobrinha, palmito com rúcula e tomate seco com rúcula. Os sabores clássicos mais vendidos são calabresa, muçarela e frango com Catupiry. O tíquete médio gira entre R$ 110 e R$ 120.

Toda a produção é artesanal. As pizzas são produzidas em cada unidade. "A massa continua leve, mas hoje há opções de bordas finas e grossas. As bordas finas funcionaram muito bem no buffet, mas no delivery temos que ter opções. Em 2026, estamos mudando a nossa farinha. Fechamos uma parceria com a Caputo, considerada a melhor farinha do mundo", diz Di Blasi.
Abertura de franquias
Primeira franquia foi aberta em 2021, no Recreio, no Rio. Hoje, a rede tem 41 unidades em operação —somente cinco são próprias.
Franquia da marca custa a partir de R$ 350 mil. São três modelos de negócio: dark kitchen, take away e salão fast food. O faturamento médio varia de R$ 160 mil a R$ 190 mil, e o lucro médio mensal de uma unidade vai de 10% a 15% (dark kitchen e take away) e de 13% a 17% (salão fast food).
Marca segue com o delivery. Além de iFood e 99 Food, a empresa vende por meio de aplicativo próprio e central de atendimento. Cerca de 30% das vendas são feitas por esses canais próprios.
Em 2025, a empresa faturou R$ 60 milhões. O lucro foi de R$ 1,8 milhão. A meta para 2026 é chegar a 100 unidades e faturar acima de R$ 120 milhões. As regiões Norte e Nordeste são foco da expansão da marca.
Tivemos muita procura para abertura de unidades em Portugal, Miami (EUA) e Montevidéu (Uruguai), porém tiramos isso do radar, pois ainda temos um mercado muito grande no Brasil e nosso foco, atualmente, é aqui. Arnaldo Di Blasi
É preciso se diferenciar da concorrência
Arnaldo Di Blasi empreendeu por oportunidade. "Ele tinha um emprego estável e renda, mas decidiu empreender ao perceber uma oportunidade de negócio. Entendeu que poderia oferecer uma pizza com massa leve e com bordas mais finas, para que o cliente não precisasse cortar e descartar as bordas grossas da pizza", afirma Silvio Rosa, consultor de negócios do Sebrae-SP.
Decisão também pode ter sido uma estratégia. "Quando a empresa deixa de ter bordas grossas, ela também economiza nos custos. Pode parecer pouco, mas não é. Ela ganha no volume", fala o consultor. No entanto, segundo ele, vale manter as duas opções no cardápio: pizzas com bordas finas ou grossas. "Há clientes que preferem até pizza com bordas recheadas", diz.
Rock in Rio trouxe visibilidade à marca. Para Rosa, a exposição da pizzaria em um evento gigantesco como o Rock in Rio fez com que a marca tivesse um crescimento significativo. "O marketing, a divulgação do negócio e a qualidade do produto foram essenciais para que a Di Blasi Pizzas tivesse uma visibilidade imediata, construindo a imagem da marca junto aos consumidores naquele festival", declara.
Conhecer os concorrentes para poder se diferenciar. O consultor diz que há muita concorrência no segmento de pizzarias. "É muito fácil fazer e vender pizzas, mas a marca precisa estudar seus concorrentes próximos para poder se diferenciar nesse mercado", declara. Segundo ele, vale estudar os concorrentes para entender seus acertos e erros. E, a partir disso, fazer melhor. Isso pode passar pela qualidade dos produtos, atendimento impecável e entrega eficiente, entre outros", afirma.
Conhecer seu público-alvo ajuda a melhorar a operação. Uma dica, segundo o consultor, é abrir um canal de comunicação com os clientes, para pegar o feedback deles sobre produtos e serviços da marca. "Ouvir o cliente é uma forma de saber o que ele quer. Identificar isso ajuda o negócio a se diferenciar", declara.
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