O líder Elmar Nascimento (União Brasil-BA) afirmou a deputados petistas que ele é contra a aprovação do projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos ataques golpistas do 8 de janeiro. Elmar é candidato à sucessão de Arthur Lira (PP-AL) e tenta apoio do PT para se consolidar na disputa.
De acordo com relatos de três pessoas que participam da reunião da bancada petista, Elmar reiterou que é contra a aprovação do projeto e fez gestos à esquerda. Na segunda (28), Lira tirou o projeto da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa e criou uma comissão especial para analisar a proposta.
A iniciativa ocorreu para que esse tema não interferisse na sucessão de Lira na Câmara. Isso porque o PL, partido de Jair Bolsonaro, quer a aprovação da proposta, enquanto o PT do presidente Lula é contra. Mais cedo nesta terça, em coletiva de imprensa após o Republicanos lançar sua candidatura, Hugo Motta (Republicanos-PB) citou "injustiças" em condenações do 8 de janeiro e descartou atuar contra o projeto de lei.
O tema é caro ao PT. Uma ala do partido afirma que uma sinalização favorável à aprovação do projeto por um candidato pode inviabilizar o apoio da legenda.
Ainda na reunião com petistas, Elmar disse que é contra a criminalização dos movimentos sociais e que defende a volta do financiamento sindical via Sistema S.
Neste mês, Elmar se reuniu com representantes de centrais sindicais e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) numa ofensiva junto as entidades em busca de apoio à sua candidatura.
Mais cedo nesta terça, Lira oficializou o apoio ao líder do Republicanos, Hugo Motta (PB). Em seu pronunciamento, afirmou que o deputado é o candidato com "maiores condições políticas de construir convergências no parlamento". "Nome que demonstrou capacidade de aliar polos aparentemente antagônicos com diálogo, leveza e altivez", afirmou Lira.
Tanto Elmar quanto Brito, que selaram aliança na disputa, rejeitaram nesta terça a tese de que Motta é "candidato da convergência" na eleição da Mesa Diretora. Os dois buscam atrair o PT e o governo federal, com a proposta de criar um bloco governista, sem o PL de Jair Bolsonaro.
Nas redes sociais, Elmar afirmou que a condução da Câmara "não deve buscar uma unanimidade artificial, reduzida a uma única vontade". "Minha candidatura se firma na renovação e no fortalecimento da democracia, valorizando a diversidade de pensamentos. Não buscamos consensos artificiais, mas espaços para a saudável disputa de ideias", escreveu.
O líder do PSD também se reuniu com a bancada do PT. Após o encontro, afirmou que ele é "o candidato de consenso".
"Tenho buscado ser consenso na Casa. Dialogo com a esquerda, com a direita e com o centro. O consenso não é buscar o consenso dos desiguais, é a gente buscar pautas comuns a todos que podemos defender na Casa e que a gente possa colocar em votação com previsibilidade", disse.

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