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Em discurso ao Congresso, rei Charles III exalta Otan e diz que EUA e Reino Unido têm dever de promover a paz

O monarca buscou reforçar os laços entre os EUA e o Reino Unido durante sua fala, fazendo constantes referências à independência americana da Inglaterra, que completa 250 anos em 2026.

"A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte… Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade – um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje", disse Charles, em seu discurso.

O discurso de Charles prega a união entre os dois países e reforça a importância de defender os valores democráticos.

O rei foi bastante aplaudido diversas vezes, incluindo quando citou os princípios de controle dos poderes Executivos pelo Legislativo e Judiciário, previsto nas constituições de ambos os países.

Rei Charles II da Inglaterra discursa no Congresso dos EUA em 28 de abril de 2026 — Foto: Eric Lee/Reuters

Charles adota cautela sobre os EUA agirem sozinhos em suas ações pelo mundo, com menções à Otan e à Ucrânia.

"Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado", disse o monarca.

"Hoje, Senhor Presidente, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso – a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura."

"O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados estão no cerne da OTAN, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. Nossos laços de defesa, inteligência e segurança estão intrinsecamente ligados por meio de relações medidas não em anos, mas em décadas."

A viagem ocorre em meio a um momento de tensão entre Londres e Washington — aliados históricos — e pouco após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump.

Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana.

A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Veja o cronograma abaixo.

Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.

Após o discurso, Charles e Camilla participam de um banquete oficial.

Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas.

Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.

O momento da visita do monarca inglês aos EUA é considerado delicado. Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP.

Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”.

Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema.

O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina.

Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã.

Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.

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