O ex-diretor do FBI James Comey foi indiciado nesta terça-feira (28) no âmbito de uma investigação sobre uma foto publicada nas redes sociais que mostrava conchas organizadas na areia formando números. Segundo autoridades, a imagem poderia ser interpretada como uma ameaça ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A informação foi confirmada à Associated Press por uma fonte com conhecimento do caso, sob condição de anonimato. As acusações formais contra Comey não foram detalhadas até o momento.
Ele chegou a ser ouvido pelo Serviço Secreto em maio, após integrantes do governo Trump alegarem que a publicação sugeria a defesa do assassinato do presidente, o 47º da história dos EUA.

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Segundo o dicionário Merriam-Webster, o número “86” é uma gíria que pode significar “dispensar”, “descartar” ou “recusar atendimento”. Em usos mais recentes — ainda pouco comuns —, o termo também pode ser associado a “matar”.
Em entrevista à Fox News em maio, Trump afirmou que Comey sabia exatamente o significado da mensagem. “Até uma criança entende o que isso quer dizer. Se você é diretor do FBI e não sabe, isso significa assassinato — e está muito claro”, disse o presidente.
Instagram de James Comey, ex-diretor do FBI — Foto: Reprodução/Instagram
A abertura de um novo processo meses após o arquivamento de uma acusação anterior deve alimentar argumentos da defesa de que o governo Trump estaria mirando Comey de forma deliberada. O ex-diretor supervisionou os primeiros meses da investigação sobre possíveis ligações entre a campanha republicana de 2016 e a Rússia.
A relação de Comey e Trump
Comey assumiu o comando do FBI em 2017, indicado pelo então presidente Barack Obama, e já havia ocupado cargos de destaque no Departamento de Justiça durante o governo de George W. Bush.
A relação com Trump, porém, foi tensa desde o início. Segundo relatos, Comey se recusou a prometer lealdade pessoal ao presidente durante um jantar privado — episódio que o levou a registrar o encontro em um memorando.
Trump demitiu Comey em maio de 2017, em meio à investigação do FBI sobre possíveis conexões entre sua campanha e a Rússia. O inquérito foi posteriormente conduzido pelo procurador especial Robert Mueller, que concluiu que houve interferência russa na eleição, mas não encontrou provas suficientes de conluio criminoso.
O Departamento de Justiça também investiga o ex-diretor da CIA John Brennan, outro nome central nas apurações sobre a Rússia e frequentemente criticado por Trump.

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