O papa Leão XIV pediu, neste domingo (1º), que líderes mundiais usem os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina para promover a paz, ao convocar autoridades a adotarem medidas concretas em favor do diálogo.
Milão e a estação alpina de Cortina d’Ampezzo serão coanfitriãs das Olimpíadas, que começam na próxima sexta-feira (6). A fala do papa ocorre em meio a protestos na Itália após os Estados Unidos informarem que o seu Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês) irá atuar nos jogos, fazendo a segurança da delegação olímpica americana.
🔎 Os agentes do ICE que serão enviados a Milão não são da mesma unidade dos agentes de imigração que atuam em Minnesota e outras cidades americanas. Eles fazem parte da unidade focada em crimes transfronteiriços e, frequentemente, enviam seus agentes para eventos no exterior, como as Olimpíadas, para auxiliar na segurança.
Papa Leão XIV durante reza na Praça de São Pedro, no Vaticano, neste domingo (1º) — Foto: Gregorio Borgia/AP Photo
Após a oração semanal do Angelus, no Vaticano, o papa Leão afirmou que grandes eventos esportivos carregam uma "poderosa mensagem de fraternidade" e podem reacender a esperança em "um mundo em paz", ao recordar a antiga tradição da trégua olímpica.
Anéis olímpicos na neve antes dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão–Cortina 2026 — Foto: Fabrizio Bensch/Reuters
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, foi a voz mais contundente contra a ida do ICE aos Jogos de Inverno.
“Esta é uma milícia que mata. Está claro que não são bem-vindos a Milão, não há dúvida disso. Simplesmente, será que podemos dizer não a Trump ao menos uma vez?”, afirmou o político em uma entrevista à mídia italiana.
Outros políticos italianos, incluindo um líder de partido da coalizão da primeira-ministra Giorgia Meloni, aliada de Trump, também criticaram a participação do ICE nos Jogos do próximo mês. “Isso me parece uma completa idiotice”, disse Maurizio Lupi, líder do partido Noi Moderati, ao jornal "La Repubblica". No entanto, Lupi reconheceu que os órgãos de segurança italianos podem precisar coordenar ações com contrapartes estrangeiras.
O Italia Viva, partido de oposição de centro liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, disse que agentes do ICE deveriam ser barrados na Itália.
Manifestante com cartaz que diz "Sem ICE em Milão" em protesto do dia 31 de janeiro. — Foto: Associated Press/Antonio Calanni

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