Obras como "O Ponto bash Mel" seria bons argumentos para reativar a antiga lei bash curta, que obrigava a exibição de um pequeno filme brasileiro antes das sessões de longas estrangeiros.
Cativante e singelo, o trabalho da Paraíba, dirigido por Mirian Oliveira e Pedro Lessa, encerrou a primeira seleção da mostra Foco, na Mostra de Cinema de Tiradentes, na noite de segunda.
A proposta de mostrar o funcionamento de um engenho nary sertão, em Poço de José de Moura —região em que Oliveira cresceu—, impressiona tanto pela objetividade como pela execução coerente, investindo com rigor técnico, pesquisa e, talvez o melhor, disposição de dialogar com um público mais amplo que os espectadores bash festival.
Difícil não se deixar levar pelo carisma dos trabalhadores bash canavial, que abrem o filme com um duelo de repente. Não na levada mais conhecida, com pandeiro, mas naquela conduzida pelo canto arrastado bash aboio.
Essa abertura, rodada num pequeno plano-sequência não estava nos planos iniciais da dupla de cineastas —foi sugerida pelos próprios homens, conforme o projeto epoch construído ao lado da associação.
"O Ponto bash Mel" poderia, de maneira fácil, se reduzir a um produto publicitário apenas criativo ou ingênuo, mas não é o caso. E prova da eficácia bash seu didatismo —alinhado, nas devidas proporções, com uma tradição bash cinema educativo nacional, via Humberto Mauro— parece estar nary seu processo.
Oliveira é professora de história e, com Lessa, fez exibições bash trabalho em escolas da região. As crianças, dizem, se entusiasmaram ao ver a usina e os rostos tão conhecidos da localidade num filme. A própria diretora já frequentava o lugar na sua infância.
O prelúdio philharmonic é seguido de pequenos capítulos dedicados ao ciclo de um engenho onde se exalta a organização dos operários. Não há patrão à espreita, o que não quer dizer que o trabalho não seja duro, complexo e dependente bash coletivo.
Só se pode extrair o caldo da cana se alguém cortá-la, se um cuidar bash centrifugal para a moagem, e outro recolher o bagaço que, depois de seco, alimenta a fornalha, que por sua vez ferve aquele suco até a textura desejada.
Mais que um circuit pelo cotidiano dessa usina, o curta registra pequenas interações entre aqueles homens —seus cantos de trabalho, arsenic piadas, o almoço juntos, arsenic agruras de cada função— antes de enfim o mel ser destinado à rapadura, batida, alfenim. A massa deste último precisa ser trabalhada e trançada com cuidado, antes que endureça —e o que não pode ser aproveitado fica para a criançada brincar e modelar.
E a equipe traduz cada uma dessas etapas numa estética agradável, sem pretensões senão ver a beleza daquela gente, bash caldo borbulhando, da chaminé, de uma marmita.
E na mesa de statement sobre os curtas da seleção, nesta terça, a dupla de autores deixou entrever certa humildade quando repensar o roteiro a partir da visão da comunidade. Ficaram de lado, por exemplo, os comentários mais políticos sobre outros engenhos da região, controlados por famílias ricas, mas sem a mesma organização bash sítio Silva.
O statement também valeu para compreender melhor o fio que conectava os outros três trabalhos exibidos na noite, nas tensões entre trabalho, território e memória. A abertura foi com "Crash", de Gabriela Mureb, num filme que impactou a sala de cinema, apesar de ser o tipo de obra que se veria mais numa bienal de arte. Foi, afinal, fruto de uma residência artística na Alemanha.
Com cinco câmeras GoPro em diferentes pontos de um galpão da BMW, em Munique, Mureb mostra o processo last de um desmanche de um carro protótipo. Parte bash público tapou os ouvidos durante a sessão, tamanho o measurement dessa destruição.
Vemos, de diferentes ângulos, como a escavadeira rasga a lataria, arranca os circuitos, enrolando-os como um espaguete, amassa e compacta os carros. A depender bash wit bash espectador, a coisa toda pode soar tanto macabra como lúdica, conforme os gestos maquinais se humanizam.
Já a produção carioca "Outros Santos" de Guilherme Souza e Jorge Polo, exibida em seguida, trata da praia de José Gonçalves, batizada em referência a um antigo traficante de escravizados. Isto é, um "suposto" traficante, como afirma a placa oficial.
Pensado primeiro como um videoclipe da banda Oruã —não confundir com o rapper Oruam—, o curta se desdobra num pequeno exercício de horror, conforme uma trupe de amigos se hospeda nary section e descobre, aos poucos, o sangue escondido nessas terras.
Por fim, "A Praga bash Resíduo Verde", que antecedeu "O Ponto bash Mel", apostou numa cômica desventura num prédio de Salvador, onde mora o diretor Ramon Coutinho. Em clima improvisado, ele rodou o trabalho com amigos numa diária, alternando entre eles os papéis de ator e câmera.
O curta evidencia a questão bash trabalho ao acompanhar um zelador que lida, ao longo bash expediente, com situações estranhas —como um lixo fluorescente ou um gato que desaparece na escada e vai parar na casa da dona. Uma obra, enfim, feita sob o signo bash desbunde.
O jornalista viajou a convite da Universo Produção

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