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Em visita ao 'paraíso dos milionários', Papa Leão XIV pede partilha de riqueza com os mais pobres

“Aos olhos de Deus, nada é recebido em vão!”, afirmou o papa. “Todo bem colocado em nossas mãos traz consigo a necessidade de não ser retido, mas compartilhado, para que a vida de todos possa ser melhor.”

Leão XIV é o primeiro papa em quase cinco séculos a visitar o rico enclave mediterrâneo. Segundo o Vaticano, a viagem tem como objetivo demonstrar que países pequenos podem exercer influência desproporcional no cenário global.

O pontífice chegou após um voo de helicóptero de 90 minutos a partir do Vaticano e se reuniu inicialmente com o príncipe Albert II de Mônaco, chefe de Estado do país e filho da atriz Grace Kelly.

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Como gesto oficial, o papa reforçou sua mensagem sobre solidariedade ao presentear o príncipe com uma obra colorida produzida pelo estúdio de mosaicos do Vaticano, retratando São Francisco de Assis — filho de um comerciante italiano do século XIII que renunciou à herança para ajudar os pobres.

Entre os moradores que acompanharam a visita, havia expectativa de que o pontífice contribuísse para reduzir tensões globais, especialmente diante da guerra envolvendo o Irã.

“Há muita tensão no momento”, disse Jean Claude Haddad, de 60 anos. “Ele pode reunir as pessoas... ele une as pessoas.”

Público reduzido acompanha visita

Segundo menor país do mundo, atrás apenas do Vaticano, e um dos últimos a manter o catolicismo como religião oficial, Mônaco tem a maior concentração de bilionários per capita do planeta.

Em discurso na residência oficial do príncipe, o papa incentivou os moradores a “colocar sua prosperidade a serviço da lei e da justiça”.

A agenda foi marcada pelo protocolo e pela pompa típicos de viagens papais, mas com público relativamente reduzido. Poucas pessoas acompanharam o trajeto do pontífice pelas ruas do país, que tem apenas 2,08 quilômetros quadrados, percorridas em um papamóvel aberto.

Em encontro com católicos locais, Leão XIV também sinalizou apoio à decisão do príncipe Albert de vetar, no ano passado, um projeto de lei que previa a legalização do aborto — tema ao qual a Igreja se opõe firmemente.

O papa pediu que os fiéis continuem se manifestando “em defesa da pessoa humana”, expressão frequentemente usada pela Igreja em debates sobre aborto e pena de morte.

O veto, anunciado em 2025, teve caráter principalmente simbólico, já que o aborto é um direito garantido na vizinha França.

Aos 70 anos, o pontífice é considerado relativamente jovem e apresenta boa saúde. Em abril, fará uma viagem por quatro países da África e, em junho, está prevista uma visita de uma semana à Espanha.

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