
Musicista amadora, Daniela Oliveira teve a ideia de criar uma escola de música online, após constatar que não conseguia conciliar sua rotina de empresária com as aulas presenciais de canto e guitarra que fazia. O que ela fez? Criou a Musixe, uma espécie de streaming com cursos online de 25 instrumentos musicais. As aulas são curtas — cada uma com duração de seis minutos, em média. Em 2025, a empresa faturou R$ 5,6 milhões.
Violão é o curso mais acessado
Cursos online na plataforma. São 70 cursos de 25 instrumentos musicais, como bateria, violão, teclado, guitarra, violino e acordeon, entre outros, além de aulas de canto, técnica vocal e luteria (conserto de instrumentos musicais). O curso mais acessado é o de violão.
É o caso de Lucas Teixeira, 33. Ele conheceu a Musixe em 2020, no período em que sentia que precisava evoluir no violão. "Já tocava violão nessa época, mas me sentia estagnado em minha evolução. Com as aulas, dei um salto de qualidade na maneira de tocar violão", diz. Fez uma assinatura anual e, um ano depois, migrou para a vitalícia.
Aprendeu a tocar outros instrumentos. Ele também fez outros cursos. Aprendeu a tocar gaita, ukulele e flauta doce (atualmente, faz aulas de teclado), além de fazer cursos de teoria musical e luteria. Hoje, Teixeira é professor de música em sua cidade, Urucânia (MG), e trabalha com a manutenção de instrumentos musicais.
Musixe tem mais de 6.000 aulas. Cada aula tem duração de seis minutos, em média. Todas as aulas são gravadas por 32 professores de música. Segundo Daniela, a empresa investe R$ 40 mil por mês em novas aulas.
Como é feito o acesso às aulas? Assim como no streaming, os alunos precisam ser assinantes da plataforma. São quatro tipos de assinatura: mensal (R$ 199), anual (R$ 374,85), trianual (R$ 661,25) e vitalício (R$ 869). A maior fatia (62%) é de assinaturas anuais, seguida pelas vitalícias (38%).
É como se fosse uma Netflix de música. Todas as aulas estão gravadas, e o aluno pode escolher quais aulas assistir e em qual momento.
Daniela Oliveira, fundadora da Musixe
Cerca de 127 mil alunos ativos na plataforma. A maioria (70%) está na faixa etária de 21 a 37 anos. "A maior parte dos nossos alunos são músicos amadores", diz Daniela.
Em 2025, o faturamento foi de R$ 5,6 milhões. O lucro foi de 30%. A meta deste ano é faturar R$ 10 milhões e chegar a 200 mil alunos.
Braço em espanhol. Daniela diz que a Musixe quer abrir, em 2027, um braço da plataforma em espanhol para buscar alunos dos países latino-americanos e professores nativos de cada país.
Ligação com música vem da infância
Daniela tem ligação com a música desde a infância. Aos 10 anos, começou a cantar na igreja e, na adolescência, aprendeu a tocar violão e guitarra. "Aos 18 anos, já dava aulas particulares e, depois, tive até banda", afirma.
Sem conseguir conciliar a rotina. Daniela virou empresária (era dona de uma fábrica de biscoitos), mas continuava a fazer cursos de música. Ela comprava cursos online em diferentes lugares e fazia aulas presenciais de canto e de guitarra. "Mas ainda tinha que encaixar tudo isso na minha rotina corrida como empresária. Era difícil conciliar tudo isso. Se essa era uma dificuldade minha, pensei que também fosse uma dificuldade de muita gente. Portanto, se todos os cursos de música estivessem em um só lugar, facilitaria a minha vida", afirma.
Musixe foi criada em 2018, em Franca (SP). Daniela, 37, e o marido, João Batista Neto, 45, investiram R$ 40 mil. João Batista, que é desenvolvedor de software, criou a plataforma.
Entrada de sócio conceituado no mercado. Em 2020, Daniela diz que fez uma mentoria com o guitarrista Kiko Loureiro, músico multi-instrumentista conceituado no mercado e referência em marketing digital musical. "Ele gostou tanto do nosso modelo de negócio, da possibilidade de o aluno entrar e aprender o instrumento que quiser, que entrou na sociedade", afirma.
Escola bombou na pandemia. Segundo Daniela, no início de 2020 a Musixe tinha 300 alunos e terminou o ano com 30 mil —crescimento de 9.900%. "As pessoas foram obrigadas a migrar para o digital, e os alunos de música também. E a Musixe cresceu muito porque já tinha um produto pronto", afirma.
Assinatura vitalícia pode ser problema
Por ser digital, o negócio é escalável. "A empresa teve custo com as aulas gravadas, mas o modelo digital consegue abarcar um número infinito de alunos. Ou seja, o digital potencializa o negócio", afirma Aldo Batista, consultor de negócios do Sebrae-SP.
Aulas curtas são um acerto. Batista diz que a nova geração não tem paciência para ficar tanto tempo assistindo a aulas longas. "A Musixe tem um produto [aulas curtas] que atrai os jovens, que praticamente nasceram no digital. Apesar disso, o desafio é fidelizar a clientela, como oferecer aulas cada vez mais interessantes", avalia.
Estúdio próprio mantém a qualidade. "Ao manter um estúdio próprio onde as aulas são gravadas, a Musixe consegue garantir a qualidade dos seus produtos e baratear custos. A empresa controla a qualidade com um custo fixo", diz.
Modelo por assinatura projeta faturamento. Segundo o consultor, quando a empresa tem um modelo por assinatura, ela consegue projetar o seu faturamento, e isso ajuda no seu planejamento financeiro.
Mas assinatura vitalícia é ponto de atenção. "A assinatura vitalícia pode ser um tiro no pé na gestão financeira da escola. Se todos os alunos optarem por esse tipo de assinatura, a empresa corre o risco de se perder na gestão financeira. A Musixe precisa ficar atenta a isso", afirma Batista.
Manter a didática é fundamental. Para o consultor, outra preocupação que a escola deve ter é manter a didática no ensino dos instrumentos musicais. "Os alunos se acostumam com uma determinada didática, e isso ajuda no aprendizado. Mas, se a escola perde um grupo de professores, por exemplo, isso pode comprometer a continuidade do ensino."
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3 semanas atrás
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