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Entenda por que corpo do pastor de MG morto em terremotos na Venezuela não foi repatriado em voo comercial

Isso acontece porque a repatriação de um corpo segue regras específicas e procedimentos diferentes dos adotados para o transporte de passageiros, o que torna o processo mais complexo e caro.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o translado internacional de um corpo exige uma série de etapas, como a emissão de documentos consulares, autorizações sanitárias, embalsamamento e a contratação de um serviço funerário especializado.

Na prática, o que parece ser apenas uma viagem de algumas horas se transforma em uma operação complexa e de alto custo.

Em casos semelhantes, o transporte de corpos do exterior para o Brasil foi orçado entre R$ 30 mil e R$ 200 mil. O valor varia conforme a distância, a urgência e as exigências do país onde ocorreu a morte.

No caso da Venezuela, a logística também foi afetada pela situação no país. Além da burocracia para a liberação do corpo, o aeroporto de Caracas ficou fechado em alguns períodos por questões de segurança nas operações aéreas.

O Itamaraty informou que o registro consular de óbito é gratuito. No entanto, a legislação brasileira não prevê o pagamento de despesas com embalsamamento, cremação, sepultamento ou translado, salvo em situações excepcionais.

Os custos são pagos pela família ou por redes de apoio que se mobilizam para viabilizar a repatriação.

A seguir, veja como funciona o processo de translado de um corpo do exterior para o Brasil.

Como funciona o registro de óbito de um brasileiro no exterior?

1. O óbito é registrado na embaixada ou consulado brasileiro

  • O registro deve ser feito na representação brasileira responsável pelo país onde ocorreu a morte.
  • A declaração deve ser feita, de preferência, por um familiar, como cônjuge, filho, irmão, mãe ou pai.
  • Em alguns casos, um representante autorizado, como uma funerária, também pode realizar o procedimento.

2. É preciso apresentar documentos

Entre os principais documentos exigidos estão:

  • formulário de registro de óbito preenchido;
  • certidão de óbito emitida pelas autoridades locais;
  • documento de identidade brasileiro do falecido;
  • documento de identidade do familiar ou representante que fizer a declaração.
  • A emissão da certidão consular de óbito não tem custo.

4. O documento precisa ser validado no Brasil

  • Depois de ser emitida pela embaixada ou pelo consulado, a certidão deve ser transcrita em um cartório de registro civil no Brasil para ter validade legal.

Como funciona o translado do corpo para o Brasil?

romildo pastor uberlândia morte venezuela — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Além do registro de óbito, também é necessário emitir e legalizar outros documentos, entre eles:

  • autorização para o transporte internacional do corpo;
  • certidão de óbito original;
  • certificado de embalsamamento;
  • atestado sanitário comprovando que a morte não foi causada por doença contagiosa.

Em casos de doenças infectocontagiosas, o corpo deve ser transportado em uma urna metálica hermeticamente fechada.

🔎Os órgãos onde as certidões, certificados e atestados são emitidos variam conforme o país.

Quem paga pelo translado?

Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro não custeia despesas como:

  • embalsamamento;
  • cremação;
  • translado do corpo ou das cinzas para o Brasil;
  • sepultamento no exterior.

Em regra, esses custos são de responsabilidade da família ou de pessoas e instituições que decidam prestar apoio financeiro.

Com o custo do translado estimado em cerca de R$ 50 mil, a família do pastor Romildo Batista de Lima iniciou uma vaquinha virtual para trazer o corpo de volta ao Brasil.

A campanha foi criada depois que os familiares foram informados de que o corpo não poderia ser transportado em um voo comercial.

Segundo apuração da TV Integração, a família chegou a conseguir um embarque para sábado (27). No entanto, após a liberação do corpo para a funerária, foi informada de que o estado de conservação não permitia o transporte em uma aeronave comercial.

A morte do pastor foi confirmada pela esposa dele, Carlha Nacarid, que ficou ferida e segue internada na Venezuela. A informação foi repassada ao g1 pela sobrinha do casal, Jhulya Ribeiro de Lima.

Segundo Carlha, quando o terremoto começou, na noite de quarta-feira (24), o casal correu para buscar abrigo. No entanto, uma parede caiu sobre os dois. Romildo foi socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de quinta-feira (25).

De acordo com Jhulya, após vários contatos da família, a embaixada deu andamento aos trâmites para o retorno do corpo, incluindo a emissão da certidão de óbito.

No entanto, diante da impossibilidade de transportar o corpo em um voo comercial, os parentes precisaram buscar outra alternativa para o translado internacional.

A vaquinha foi criada para custear o transporte do corpo até o Brasil e permitir que Romildo seja velado e sepultado perto da família. A campanha continua sendo divulgada nas redes sociais pelos familiares.

“Como os custos são muito altos, a vaquinha online vai tanto ajudar a custear o translado, como também ajudar a Carla, esposa do meu tio que segue internada”, contou Jhulya.

Família enfrenta dificuldades para trazer corpo ao Brasil

Romildo e Carlha — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A família soube da morte de Romildo de forma inesperada. Depois de assistir a uma reportagem sobre o terremoto, os parentes tentaram entrar em contato com o casal na quinta-feira (25). Horas depois, Carlha conseguiu se comunicar e confirmou a morte do pastor.

Desde então, os parentes enfrentam dificuldades para trazer o corpo ao Brasil. A expectativa é que ele chegue a Uberlândia nos próximos dias para ser velado e sepultado.

“É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro”, disse a sobrinha.

➡️ Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.

O governo venezuelano atualizou na segunda (29) o número de mortos para 1.719, além de 5.034 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos.

O governo brasileiro, por sua vez, confirmou a morte de dois brasileiros, sem divulgar as identidades, e informou estar prestando assistência consular às famílias.

Romildo havia completado 69 anos no último dia 21 — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo construiu a vida em Uberlândia, onde morava há mais de dez anos. Pastor evangélico, embora não estivesse em atuação atualmente, era lembrado pela família como um homem de fé, afetuoso e apaixonado por viajar.

"Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso", lamentou Jhulya.

Entenda terremoto na Venezuela — Foto: Arte/g1

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