▶️ Contexto: Orbán é um dos principais nomes da extrema direita atual. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo.
- O partido de Orbán, o Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal".
- As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.
- Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular.
- A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos.
Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.
Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.
- Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.
- O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.
Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.
O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema".
O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes colocam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.
- Uma estimativa baseada em cinco pesquisas de opinião realizadas entre fevereiro e março indica que o Tisza pode conquistar entre 138 e 142 das 199 cadeiras do Parlamento.
- Com esse número, o partido da oposição alcançaria dois terços das cadeiras e poderia promover reformas constitucionais.
- O Fidesz, de Orbán, deve conquistar entre 49 e 55 cadeiras. Já outro partido de extrema direita, conhecido como Mi Hazank, deve obter cinco ou seis assentos.
Eleições na Hungria — Foto: Arte g1
Interferência estrangeira
Líder juvenil anticomunista na Guerra Fria, Orbán é hoje o governante há mais tempo no poder na União Europeia. Para apoiadores, ele é um símbolo patriótico por ter liderado mobilizações pró-democracia no fim da década de 1980. Críticos, porém, afirmam que o premiê conduz o país para o autoritarismo.
Nos últimos anos, Orbán usou como um dos pilares de governo a construção de alianças com líderes globais, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump, inclusive, tem atuado diretamente na campanha atual. O presidente norte-americano recebeu Orbán na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à reeleição do premiê nas redes sociais.
Dias antes da eleição, Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê. Em discurso, Vance acusou a União Europeia de tentar interferir no pleito e classificou a estratégia como "vergonhosa".
"O que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral é um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que eu já vi ou mesmo li a respeito", disse.
Donald Trump e Viktor Orbán na Casa Branca em fevereiro de 2026 — Foto: Reprodução/Truth Social
A Rússia também teria desempenhado papel na campanha, segundo a imprensa europeia.
- A Euronews informou, com base em fontes, que o governo russo tentou interferir nas eleições para manter Orbán no poder.
- Na mesma linha, o jornal americano The Washington Post afirmou que a estratégia envolveria o serviço de inteligência estrangeira russo.
- O jornal reportou ainda que os russos teriam sugerido encenar uma tentativa de assassinato contra Orbán para provocar uma "virada de jogo" eleitoral.
- Na quarta-feira (8), a Rússia também acusou a União Europeia de interferência ao vazar informações para imprensa com o objetivo de prejudicar Orbán nas eleições.
Recentemente, ainda segundo a imprensa europeia, Orbán teria oferecido ajuda a Putin "em qualquer assunto". Em março, ele irritou parceiros europeus ao bloquear um pacote de R$ 535 bilhões em ajuda à Ucrânia.
Sobre a guerra, Orbán afirma representar uma escolha segura, dizendo que a eleição atual é uma decisão entre "guerra ou paz". O premiê sugere que a oposição arrastaria a Hungria para o conflito na Ucrânia, algo negado por Magyar.
Entre outros nomes internacionais que apoiam Orbán estão a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a líder francesa Marine Le Pen e Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha — todas ligadas a movimentos de ultradireita na Europa.
Péter Magyar, líder do partido de oposição Tisza, em 7 de setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Bernadett Szabo
Analistas afirmam que Magyar deve adotar postura mais construtiva nas relações com a União Europeia e a Otan. Por outro lado, ele não deve divergir totalmente de Orbán em temas centrais, como o pacto migratório europeu.
Questionado sobre a relação com a Rússia, Magyar disse que pretende agir de forma "pragmática".
Além disso, o opositor tem prometido medidas mais duras contra a corrupção e afirmou que a Hungria passaria a integrar o gabinete do procurador europeu. Essa medida é rejeitada pelo atual governo.
Ele também afirmou que pretende fortalecer a independência da mídia pública e do Judiciário, ampliar a transparência em contratos públicos e estabelecer limite de dois mandatos para primeiros-ministros.
O programa de governo inclui ainda redução da intervenção estatal na economia e melhorias nos sistemas públicos de saúde e educação
"Magyar prometeu combater a corrupção, ampliar a concorrência em licitações públicas e liberar recursos europeus, entre outras prioridades", diz Mujtaba Rahman, diretor para a Europa do think tank Eurasia Group.

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