Enquanto atividades culturais em comemoração ao Dia da Consciência Negra aconteciam em uma tenda instalada no Largo Zumbi dos Palmares nesta quinta-feira, 20 de novembro, os visitantes se revezavam do lado de fora – um após o outro – para tirar fotos ao lado da estátua do líder quilombola que dá nome ao local.
A reportagem chegou ao largo por volta das 16h30min e, até às 17h30min, dezenas de jovens, adultos, idosos e famílias inteiras posaram ao lado da representação de Zumbi. Em alguns momentos, houve até fila para homenagear a liderança negra.
Às 16h45min, apesar do sol a pino já ter passado, o calor intenso ainda fazia as pessoas se refugiarem na sombra das parcas árvores, dos caminhões estacionados no local ou na tenda onde aconteciam as atividades culturais. O fato de o piso ser feito de asfalto aumentava ainda mais a temperatura dentro e fora da tenda. Aliás, o Largo Zumbi dos Palmares é utilizado como estacionamento e feira de hortifrúti.
A estátua – que completou um ano nesta quinta – fica exposta ao sol num canteiro no meio do asfalto. Por isso, as homenagens ao maior líder negro do Brasil eram breves. Por exemplo, por volta das 16h55min, um grupo de jovens se reuniu ao redor de Zumbi e, após tirarem uma foto, se dirigiram para baixo de uma árvore a alguns metros do local.

Pai Ribeiro visualiza um museu dedicado à cultura negra nas imediações do monumento de Zumbi dos Palmares no futuro EVANDRO OLIVEIRA/JC
Após alguns minutos, um dos conselheiros municipais do Povo Negro, Pai Ribeiro, que participava das celebrações, passou pelo local e falou com a reportagem. "Esse monumento é histórico, porque Zumbi foi precursor para estarmos aqui celebrando nossa cultura. Quando a gente vem aqui e exalta Zumbi nesse espaço, estamos pisando num lugar de Porto Alegre onde as pautas negras estão representadas", comentou Pai Ribeiro.
Ao ser questionado sobre a falta de estrutura para acolher as pessoas ao redor da estátua, o membro do Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro disse que o órgão colegiado está discutindo a construção de um museu no largo, similar ao Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro. "Queremos fazer nesse espaço um museu para o povo negro. A estátua de Zumbi é um 'start'. Acredito que, em dois anos, isso aqui vai estar um espetáculo", projetou.
Passados mais alguns minutos, a coordenadora municipal da Diversidade Sexual de Porto Alegre, Maria Odete Bento, passou pela estátua do líder quilombola. Maria Odete comentou o grande número de pessoas jovens prestando suas homenagens a Zumbi.
"É a evolução da vida. A juventude sente um pertencimento muito maior em relação ao que é ser um negro em Porto Alegre ou no Rio Grande do Sul. Hoje temos a certeza que fazemos parte dessa cidade. E a construção de um país mais igualitário passa pelo combate ao racismo", analisou a Maria Odete Bento.

Maria Odete Bento acredita que a construção de um país mais igual passa pelo combate ao racismo EVANDRO OLIVEIRA/JC
Por fim, ela opinou sobre o espaço ao redor do monumento. "Talvez seria importante ter algum abrigo para as pessoas, por causa do clima. Mas não podemos tirar a visibilidade do espaço que representa a resistência e luta por liberdade do povo negro", ponderou.
As pessoas continuaram se revezando ao redor da estátua e, à medida que o sol foi baixando, um número maior de pessoas começou a aparecer no largo.

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